Terça-feira, 1 de Setembro de 2009

Como se mata uma região? (II)

Agradeço ao Daniel Conde a recolha dos seguintes vídeos. Demonstram, em 1992, a revolta das populações face ao encerramento da ligação a Bragança, a construção do IP4 como solução alternativa e milagrosa, a incúria e falta de sentido cívico do governo de Cavaco Silva e da CP e os danos imensos causados à auto-estima das povoações.

 

 

Alguns dados:

 

Vítimas na linha do Tua desde 1889: 20

Vítimas no IP4 desde 1993 até 2004: 220

 

A rentabilidade de uma linha ferroviária não pode ser um critério para encerramento por várias razões. Não contabiliza os efeitos dinâmicos agregadores para a região: criação de emprego (muito mais do que uma qualquer auto-estrada, mesmo com portagens) sentido colectivo de pertença e valor, até ao nível do imaginário e das memórias, conservação de património e potencial turístico, transporte de mercadorias. Além do mais, a perspectiva maniqueísta de colocar a questão em termos de ligação ferroviária OU ligação rodoviária está errada; amba deverão ser complementares e não almejar a substiuírem-se.

 

Tal como afirmou o presidente da empresa espanhola que administra as respectivas vias de linhas estreita, a sua empresa não é rentável mas os ganhos são inúmeros. É a sociedade em si que ganha, não a empresa.

 

E mesmo que a questão fosse apenas de rentabilidade:

 

O metropolitano de Lisboa tem um passivo de 2,2% do PIB nacional de 2007, 3300 mihões de euros. Vai encerrar?

Os prejuízos operacionais da CP são de 135 milhões de euros enquanto que os da REFER são de 131 milhões.


O túnel do Marão vai custar 400 milhões de euros e além da questão da justiça, com a qualqu concordo, vai salvar vidas, segundo o primeiro-ministro. O emprego criado tem a duração da empreitada., menos de quatro anos. Tal como a boa nova chamada IP4 mostrou, há mortes lentas, sem cadáveres. O emprego criado tem a duração da empreitada. A pergunta que fica, face a tanta delapidação, é porque não também a ligação ferroviária?

 

publicado por TMC às 01:10
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4 comentários:
De MC a 1 de Setembro de 2009 às 16:23
De lembrar que o presidente da CM de Bragança se mostrou completamente desinteressado quando se pôs a hipótese do TGV espanhol entre a Galiza e Castela ter uma paragem em Bragança. Na altura apenas se mostrou preocupado com a ligação rodoviária á auto-estrada que atravessa o sul da Galiza.
De TMC a 1 de Setembro de 2009 às 16:41
Bragança vai ser a primeira capital de distrito portuguesa a ter TGV; vai ficar a 30km da paragem espanhola. Não há notícia de ligações rodoviárias ou ferroviárias a serem feitas.

Não quis culpar SÓ os sucessivos governos. Uma democracia jovem como a nossa tem muitos defeitos e entre eles os caciques locais das autarquias são muito responsáveis pelo abandono das respectivas regiões.
De Miguel a 4 de Setembro de 2009 às 04:12
Quando é que essa cena do presidente da câmara de Bragança aconteceu?! Foi há pouco tempo?! É que passou-me completamente ao lado.
Coisas destas é que não destaque na tv... se ele dissesse que não precisava da A4 pra nada é que era um escândalo, assim é na boa...
De MC a 21 de Setembro de 2009 às 14:55
Viva Miguel
Já foi há algum tempo, uns 2 anos diria eu. Ouvi na rádio.
Disse que não estava preocupado e rapidamente começou a criticar os maus acessos a Sanabria.

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