Segunda-feira, 31 de Agosto de 2009

Carros eléctricos são os melhores amigos das energias renováveis?

Começo com a nota habitual, ninguém neste blogue está contra o carro eléctrico em comparação com o carro convencional. Não têm emissões poluentes dentro das cidades (apenas na central térmica) e têm um nível de ruído muito menor. Discordamos é do impressionante apoio financeiro que lhe é dado pelo estado, e discordamos da sua promoção que acaba por ser a manutenção de um paradigma ultrapassado, o da mobilidade automóvel nas cidades que tantas desvantagens traz independentemente do motor escolhido. Um paradigma que é e será sempre um absurdo energético, independemente do motor.

 

Dito isto, fiquei mais uma vez estupefacto com o greenwash associado ao carro eléctrico a ver um dos Expressos da Meia-Noite de Julho. Frases como a do título do post e outras semelhantes associando o carro eléctrico a "coisas verdes" foram novamente repetidas. Mas o que é o carro eléctrico tem de especial que os restantes aparelhos eléctricos não têm? Por que é que os aquecimentos e os ares condicionados não são verdes mas os carros são? Porque há tantos esforços na rotulagem energéticas nos frigoríficos, máquinas de lavar e habitação, se usar electricidade é ser verde?

A frase do título vinha num contexto onde se dizia que o carro eléctrico ia impulsionar as energias renováveis. Mas a multiplicação de ares condicionados (usados de preferência com a janela aberta) também daria o mesmo resultado. Se é possível aumentar a produção nas renováveis, porque não usá-la para diminuir o consumo de carvão em vez de usá-la para automóveis? De qualquer modo as energias renováveis também causam danos ambientais.

Por que não apostar num sistema de transportes realmente eficiente do ponto de vista energético, os transportes públicos, as bicicletas e os peões?

 


A ler: Who Causes Cyclists’ Deaths? no Freakonomics onde se mostra que os automobilistas são os principais causadores das mortes dos ciclistas, e não os próprios ciclistas.

publicado por MC às 16:47
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7 comentários:
De Miguel a 31 de Agosto de 2009 às 21:33
No artigo do Freakonomics tem lá uma frase que na altura em que o li fiquei estupefacto:
«When it comes to sharing the road with cars, many people seem to assume that such accidents are usually the cyclist’s fault »

Só mesmo um americano (ou um português) para dizer isto...
Mas cabe na cabeça de alguém que a pessoa que vai no veículo mais pequeno, mais manobrável, mais lento e que até tem melhor visibilidade e onde é possível ter uma maior percepção do ambiente em volta (se não for com phones nos ouvidos) possa ser a culpada da maioria dos acidentes?!
De MC a 2 de Setembro de 2009 às 15:01
Ui,
passa pela cabeça de muita gente! Aqui no blogue houve alguém que me chamou irresponsável quando eu disse que um peão nunca poderia um automobilista.
De Filipe Moura a 6 de Setembro de 2009 às 02:49
"quando eu disse que um peão nunca poderia um automobilista."

Não percebi.

Se é errado presumir que um acidente é sempre causado pelos ciclistas, também é errado presuir que é sempre causado pelos automobilistas. Peões e ciclistas podem causar acidentes, sim. O que é preciso é exigir um comportamento responsável de parte a parte. De todos.
De MC a 21 de Setembro de 2009 às 15:00
Oops
faltou uma palavra.
"um peão nunca poderia matar um automobilista!

E Filipe ninguém usou a palavra "nunca" associado a "causa", apenas tu.
De Filipe Moura a 6 de Setembro de 2009 às 02:46
Vim agora da Festa do Avante! Falam da cassete dos comunistas, que apesar de tudo é bem mais interessante que a cassete do Freakonomics. Aquilo para ti prova alguma coisa?

Gostei dos primeiros quatro comentários que li:

http://freakonomics.blogs.nytimes.com/2009/08/28/who-causes-cyclists-deaths/?apage=2#comment-491883

http://freakonomics.blogs.nytimes.com/2009/08/28/who-causes-cyclists-deaths/?apage=2#comment-491885

http://freakonomics.blogs.nytimes.com/2009/08/28/who-causes-cyclists-deaths/?apage=2#comment-491889

http://freakonomics.blogs.nytimes.com/2009/08/28/who-causes-cyclists-deaths/?apage=2#comment-491891
De MC a 21 de Setembro de 2009 às 15:04
O post do freakonomics não é de facto grande coisa.
Mas não gostei desses comentários. Quando tudo o que é lei e desenho urbano é feito com a hierarquia
1.Carro
2.Carro.
3.Carro
.
.
.
20.O resto

e quando as externalidades dos carros sobre os outros meios de transporte sao incomensuravelmente maiores que o simétrico,não me custa nada defender e apoiar o desrespeito dessas mesmas leis e desenhos urbanos por ciclsitas e peões
De Zé da Burra o Alentejano a 23 de Setembro de 2009 às 10:10
Há um mito sobre os benefícios para o ambiente com a troca IMEDIATA dos actuais veículos movidos a energia fóssil por outros eléctricos: esquencem-se sempre que a maior parte da energia eléctrica produzida ainda tem origem fóssil (ou nuclear que os ambientalistas também recusam em geral). Assim, estaríamos sempre em última instância a consumir energia fóssil só que nos chegaria na forma de energia eléctrica, mas com um inconveniente, é que para termos o nosso carrinho a andar teríamos que ter as seguintes conversões de energia: 1º) energia fóssil em motriz para accionar as turbinas; 2º) força motriz em energia eléctrica (grande parte da energia eléctrica produzida é consumida pela própria central); 3º) o transporte de energia até ao local da carga das bateria do nosso automóvel "amigo do ambiente"; 4º) converção da energia eléctrica em energia química para carregarmos as nossas baterias para podermos guardar a energia durante algum tempo; 5º) transformação da energia química em eléctrica para accionarmos os motores eléctricos do nosso carrinho; 6º) finalmente a transformação de novo da energia eléctrica em força motriz para que o carrinho ande. Agora reparem: em cada uma das 6 fases que referi há perdas de energia e a maior parte dela é ainda hoje produzida a partir de energia fóssil. Se mudássemos todos para veículos eléctrico mais energia seria necessária E ISSO REPRESENTARIA MAIS POLUIÇÃO. UM DIA QUANDO A PRODUÇÃO DE ENERGIA ELÉCTRICA LIMPA SUPLANTAR A PRODUÇÃO ACTUAL ENTÃO SIM! ENTÃO SERÁ A ALTURA DE MUDAR...

Há portanto um benefício ambiental indiscutível APENAS PARA AS CIDADES.

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