Segunda-feira, 24 de Agosto de 2009

A energia e os transportes em Portugal

Um colega brasileiro, numas postas atrás, comentava com espanto e curiosidade sobre a matriz energética portuguesa. Para quem não está enquadrado com o panorama nacional, é uma dúvida legítima. Mal sabe o Rogério que uma das principais riquezas do país são as nossas contradições.

 

O que assusta nos anúncios do governo sobre os benefícios concedidos não é a demagogia, o tom messiânico e o habitual sentido de progresso com que eles vêm engalanados. O que se exigia seria informação correcta sobre esse futuro auspicioso. E os limites à substituição do parque automóvel nacional, totalmente dependente de combustíveis fósseis por um parque automóvel eléctrico são bem concretos. 

 

Isto porque a componente eléctrica da nossa matriz energética, apesar da forte aposta nacional em energias renováveis (eólica, solar, biomassa e as desvantagens da hidríca) não tem muito mais por onde crescer de forma sustentada e não é suficiente, a longo prazo, para permitir uma mudança de paradigma; não é possível substituir o parque automóvel actual, totalmente dependente de combustíveis fósseis, para um parque automóvel eléctrico. Não só isso, mas mesmo que a percentagem de automóveis eléctricos cresça, eles nunca serão verdes: além dos recursos gastos na sua manufactura, além do espaço público exigido pela sua utilização, apenas um em três carregamentos das baterias é que seria proveniente de fontes renováveis.

 

 

 

 
 
A percentagem de energia em mega toneladas de petróleo equivalente usada por Portugal em comparação com a União Europeia a 27. Em termos comparativos, Portugal usava, em 1996, 35% da energia total (a que importava mais a endógena) em transportes, contrastando com os 28% da UE para o mesmo ano. Para o ano de 2006, Portugal usa cerca de 38% da sua energia para o sector dos transportes, o que assinala uma tendência clara da exigência energética do sector. A União Europeia, para o mesmo ano, apresentou um saldo de 32%.
 
 
 
A distribuição da energia empregue no sector dos transportes é clarificada através da tabela anterior. Os transportes rodoviários, em 1996, utilizavam 85,4% da energia reservada para o sector dos transportes, o que equivale a dizer que da energia usada em Portugal em 1996, 30,2% era usada na componente rodoviária dos transportes. Estes indicadores pioraram, em 2006, para atingirem 86,1% e 33,2%, respectivamente.
 

Resumindo, em Portugal é bastante possível e até aconselhável sermos mais eficientes no sector dos transportes sem adoptarmos necessariamente o automóvel eléctrico. 

publicado por TMC às 23:39
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31 comentários:
De Rogério Leite a 25 de Agosto de 2009 às 02:22
TMC... vc chegou aonde eu queria, com uma explicação lógica e clara! É como descobri recentemente que trocando sacolas plásticass no mercado pelas de papel, achando que estava sendo ANTENADÍSSIMO com o aquecimento global, descubro que o processo para fazer a sacola de papel é muitas vezes pior para o aquecimento do planeta do que o ciclo do plástico. Trocar sem pensar, não dá! É preciso um bom estudo, de toda a cadeia energética e produtiva dos veículos fosseis e elétricos, pensar em tudo, inclusive no problema das baterias de lítio de tantos carros no pós uso, na durabilidade delas, etc. Quem fizer isto vai realmente é investir em uma boa bicicleta.
De anape a 25 de Agosto de 2009 às 03:59
Já por várias vezes e em diversos sítios tenho afirmado que a questão do "aquecimento global" é uma autêntica falácia, porque:

1) O fundo que gere o comércio das emissões (que nunca se definem ou quantificam), culpando-se sempre o CO2, gere fortunas incomensuráveis e lucros idem, aspas, bem como os subsídios às “fontes alternativas”, nas quais a electricidade pode custar 10 vezes mais a produzir que nas “tradicionais".

2) O tal mito proveniente de Al Gore e quejandos felizmente já está a ser denunciado: http://www.youtube.com/watch?v=fdRaxN5jUZE

3) Sem dúvida que estas "verdades inconvenientes" são não só um embuste, fraude, impostura, crime científico, cultural, político e económico de todo o tamanho, como são das técnicas mais conhecidas e usadas de manipulação de dados e consciências - a mistura de verdades (=poluição) em mentiras (=aquecimento).

4) Recomendo estes sítios: http://ecotretas.blogspot.com/
http://mitos-climaticos.blogspot.com/

5) O facto é que sem CO2 NÃO HÁ VIDA.

6) E não, não são apenas os transportes, mas toda a actividade industrial: agrícola, alimentar, têxtil, química, electrónica/informática (*) que contaminam os rios e os oceanos que por sua vez são os verdadeiros “pulmões” do planeta, com a ajuda preciosa das florestas.
(*) [o problema da tecnologia electrónica e similares - quanto mais eficiente e sofisticada é a tecnologia final, mais raras são as matérias-primas usadas e mais danosa a sua extracção e produção. Exemplo: “Coltan”, usado como matéria-prima para a indústria electrónica (incluindo os famosos carros eléctricos)].

7) O ideal seria o desenvolvimento de veículos a hidrogénio que nos livraria da poluição e da dependência do uso de combustíveis fósseis e limitados.
De Miguel a 25 de Agosto de 2009 às 11:17
Já para não falar da treta que é dizer que o aquecimento global é uma treta (mostre os artigos científicos que dizem isso... não mostra?! Pois, não os há!), mas só quero dizer que no ponto 7 mostra mesmo que não sabe do que fala...
Os carros a hidrogénio são carros eléctricos. (ou então usam motores wankel altamente ineficientes na queima de combustível), apenas não têm bateria, transformam o hidrogénio em electricidade ao longo do percurso.
E vá ver como actualmente se produz hidrogénio... (ou pensa que ele anda por aí à espera que o vamos buscar?!).
Já foi ver?! Pois é, é preciso electricidade (muita por sinal) para produzir o hidrogénio que depois é posto nos carros que por sua vez o transformam em electricidade para o popó andar...
De anape a 25 de Agosto de 2009 às 15:49
Caro Miguel, não "aqueça" tanto com o tema, quer provas?
Siga os links que deixei em cima, ou lembre-se da matéria que estudou (?). Relembro a fotossíntese, por exemplo.
Quer mais? Google, pesquise... e para facilitar dou-lhe mais este link: leia a carta aberta de mais de 130 cientistas alemães que contestam a pseudo-religião do aquecimento global -> Carta aberta para Angela Merkel -> http://mitos-climaticos.blogspot.com/2009/08/cientistas-alemaes-contestam-pseudo.html
(tradução)
Ficará a perceber que isto não passa de mais um negócio chorudo, só para alguns claro!
De anape a 25 de Agosto de 2009 às 15:59
Quanto ao hidrogénio http://www.ap2h2.pt/links.aspx
De Iletrado a 25 de Agosto de 2009 às 17:50
Caro Miguel
Faço-te notar que, de acordo com os cientistas, houve quatro grandes períodos de frio na Terra (Idades do Gelo), o que significa que a Terra esteve sujeita a quatro períodos quentes, o último dos quais é o que estamos vivendo. Mas mesmo neste período quente que vivemos já tivemos aquilo que se designa por mini-idades do gelo, que foram três. E entretanto já tivemos dois mini-períodos muito mais quentes que o actual. Tudo isto numa época em que o Homem não poluía a atmosfera com a queima de combustíveis fósseis. Se não havia queima de combustíveis fósseis, qual foi o processo que provocou estas alterações climáticas?
Por isso, embora não tenha teses científicas de um gajo qualquer para citar, não tenho qualquer dúvida do seguinte:
1. A poluição é nociva para o Homem (e outros animais, claro) e se não a eliminarmos corremos o risco de sermos nós a promover a nossa extinção.
2. O clima só marginalmente é afectado pelas actividades humanas.
3. O combate à poluição tem de ser feito na base da nocividade para a vida do planeta, dissociado de alterações climáticas dificilmente provadas. Associar práticas poluidoras a alterações climáticas que se vão revelar falsas terá o efeito perverso de as pessoas não alterarem o seu modo de vida. Teses científicas? Basta ler as notícias sobre a grossura do gelo no Pólo Norte e os três últimos verões anormalmente frescos, não só nesse Pólo como em Portugal e um pouco por essa Europa. Também é curiosoler as conclusões dos especialistas, afirmando (nem todos, claro) que este arrefecimento é um efeito passageiro do aquecimento global (?!).
4. Esta questão das alterações climáticas serve para uns quantos (os mesmos do costume) embolsarem mais uns milhões à nossa custa. Desde a construção de infra-estruturas relativamente baratas mas que são inflaccionadas até ao limite do absurdo (450 milhões de euros em aero-geradores, só em 2008?! - olha que há registos de moinhos de vento há mais de 3 mil anos, não percebo porque razão esses moinhos de vento não podem ser aproveitados agora - serviam para moer grãos e não servem para gerar electricidade?) até à aplicação de impostos com o nome de ecotaxas. E não te esqueças da construção de centrais nucleares, algo que a máquina de propaganda do Governo tornará inevitável para que o carro que tu compraste não fique parado por falta de energia. Um verdadeiro maná para os ladrões do costume. Achas que não? Só se andares distraído, a demagogia já começou a trabalhar, com debates "sérios" e "construtivos" de uns quantos que já se põem em bicos de pés para a construção das ditas centrais.
Há também o pormenor que considero curioso de se acreditar nas previsões climatéricas a 50 ou 100 anos de um grupo de pessoas que é incapaz de garantir a certeza de previsões a uma semana. Por algum motivo se denominam "previsões"...
Em relação ao hidrogénio, claro que tens razão. Mas a chamada de atenção a Anape devia ter sido feita também em outra direcção, tal como já foi referido pelo MC em outras ocasiões. Mesmo que os carros fossem 100% ecológicos na sua locomoção, não resolveriam o problema da mobilidade e da qualidade de vida das pessoas. Os engarrafamentos continuariam, assim como os carros em cima do passeio, os acidentes e os atropelamentos, bem assim como a destruição de espaço vital para se continuar a construir vias rápidas para albergar tanto carro ecológico. Vias rápidas que também são uma forma de poluição e destruição do ambiente.
Boas pedaladas.
De anape a 25 de Agosto de 2009 às 18:55
Caro iletrado, quando refere que «Mesmo que os carros fossem 100% ecológicos na sua locomoção, não resolveriam o problema da mobilidade e da qualidade de vida das pessoas. Os engarrafamentos continuariam, assim como os carros em cima do passeio, os acidentes e os atropelamentos, bem assim como a destruição de espaço vital para se continuar a construir vias rápidas para albergar tanto carro ecológico. Vias rápidas que também são uma forma de poluição e destruição do ambiente.» este é um dos paradigmas civilizacionais que merecem discussão e vou mais longe:
Porque vivemos amontoados em cidades?
Porque é que vivemos "betonados" e sem espaços verdes?
Porque é que as cidades se irão desenvolver em megacidades onde o crime proliferará e onde viveremos encurralados entre a falta de privacidade (videovigilância) para nosso bem (claro!) e os medos de tudo e de todos?
Arrisco afirmar que a Nova Ordem Mundial pretende que assim seja, pois o controlo será sem dúvida maior.
Pergunto: Haverá espaço para as bicicletas numa sociedade assim? Receio que não, infelizmente.
De Iletrado a 27 de Agosto de 2009 às 14:37
Cara anape
A resposta a cada pergunta dessas, por si só, serve para uma tese de mestrado em Sociologia ou Antropologia e é óbvio que 4000 caracteres não chegam para isso... De qualquer maneira, não vale a pena tentar adivinhar um ameaçador futuro sem cuidar de olhar primeiro para o passado. A História está cheia de exemplos de Novas Ordens Mundiais, de megacidades, de crime e do diabo a sete. Assim de repente lembrei-me da Inquisição e não há provas desses tipos utilizarem carro nem câmaras de videovigilância. Os atenienses da Atenas de Péricles já se queixavam do excesso populacional e do crime a ela associado. E os romanos na Roma de Júlio César também previam catástrofes devido ao excesso de população da cidade. E resumo a coisa ao mundo "ocidental", pois o Oriente era muito mais populoso nessas épocas (e continua a ser) e passou por mais fases de conquista e Novas Ordens. Portanto, parece-me que nesse ponto de vista nada de novo se irá passar. Só a tecnologia muda, a alma humana mantém-se. Tens telemóvel e anda sempre contigo? Então sorri, porque estás a ser constantemente monitorizada. Tens cartão multibanco? Assim é fácil saber por onde andas, o que gastas e onde o gastas. A tecnologia é como a moeda - tem o verso e o reverso.
Bom, o que tem isto a ver com as bicicletas e a questão da mobilidade? Nada. Parece que a Holanda é uma democracia. Há uns anos o país estava entupido com carros, agora as pessoas estão a entender que as bicicletas são mais eficazes na cidade. A China era uma ditadura popular e até há poucos anos as bicicletas eram a rainha da estrada; agora é uma ditadura capitalista e cada vez se vende mais carros. À China, portanto, já chegou o paradigma do desenvolvimento (in)sustentado baseado no carro. Curiosamente cada vez mais chineses das cidades se queixam da perca de qualidade de vida, vá lá saber-se porquê. Como vês, bicicleta não é sinónimo de liberdade política. Portanto, o que cada um de nós tem a fazer é continuar a lutar por melhorias na mobilidade que se repercutam directamente na qualidade de vida das pessoas. Nós é que somos importantes, não os carros. Mesmo numa ditadura...
É verdade que a política tem influência no modo como nos deslocamos (basta perceber como as redes viárias são actualmente construídas e saber o Código da Estrada), mas não concordo na tua visão derrotista para as bicicletas nas megacidades. Pelo que leio por aí, uma megacidade como Nova Iorque está a perceber que o carro não é a solução. Devagar, mas o paradigma da mobilidade por lá está a mudar. E, a acreditar também no que se lê por aí, por lá o Grande Irmão não brinca em serviço. Quem sabe o Grande Irmão perceba que é mais fácil controlar uma sociedade de ciclistas que uma sociedade de sardinhas em lata...
Boas pedaladas.
De anape a 26 de Agosto de 2009 às 03:54
Não resisto, Miguel, em aqui deixar um clip de um amigo, engenheiro e professor. Segundo ele «A pilha (ou célula) de combustível de hidrogénio é também de uma simplicidade atroz e o segredo é mantido fechado a setenta chaves»: http://www.youtube.com/watch?v=5Zkvn6ymOwI
De MC a 26 de Agosto de 2009 às 10:04
Mas anape,
eu que também sou engenheiro e professor gostaria de lhe lembrar que o motor a vapor também é muito simples. Não é isso que está em causa.
O hidrogénio não é uma fonte de energia primária. Não cresce nas árvores. Hidrogénio ou baterias vai dar ao mesmo, são apenas um modo de armazenamento e transporte da energia eléctrica produzida noutro local. Voltamos à história da dependência das energias fósseis.
De horácio a 25 de Agosto de 2009 às 16:57
Oh anape,
nem sei o que lhe diga a esses pontos 5 e 6.
Sem água também não há vida, venha daí o dilúvio?
Sem calor não há vida, vamos todo viver para Venus?

haver outros sectores a poluir não implica que fiquemos parados a olhar para os transportes, onde ha solucoes obvias!
De anape a 25 de Agosto de 2009 às 18:31
Caro Horácio, limito-me a afirmar que SÓ É CEGO AQUELE QUE NÃO QUER VER! http://resistir.info/climatologia/falsificacao_da_historia_climatica.html

Mas a questão fundamental é esta: a ecologia é uma ciência – baseia-se em factos comprovados e não desmentidos - não é uma ideologia baseada em convicções – esta é que é a questão.
E não se pode basear algo deste calibre - que não é “paradigma” nenhum – tudo vai continuar na mesma: poluição (não são só os popós e afins – nem lá perto), exploração de mão-de-obra/escravatura e matéria-prima (3º mundo em geral) – estes é que são os paradigmas civilizacionais - que mais necessitam e não irão ser mudados.
O aquecimento por efeito de estufa vem na sua prática totalidade do vapor de água (olá, carros a hidrogénio!), só uma pequena fracção vem do CO2, e deste, só uma pequena fracção é antropogénico, e deste só uma pequena fracção é que pode ser cortado - e deste só uma fracção é que os seus apoiantes estão dispostos a cortar – é preciso dizer mais?
Imagine apenas isto, se viesse o petróleo dos EUA, Europa ou Israel, não haveria “aquecimento” global antropogénico para ninguém – pelo menos, associado a combustíveis fósseis.
«Se o CO2 tivesse realmente qualquer efeito e se todos os combustíveis fósseis fossem queimados o aquecimento adicional a longo prazo seria, mesmo assim, limitado a apenas alguns décimos de graus Celsius.»
http://resistir.info/climatologia/cientistas_alemaes.html
Google acerca do CO2 antropogénico e encontrará muita informação.
Afinal de contas só se fala do que (e porque) interessa a uns quantos e a esses já não interessa NADA que as verdades científicas lhes venham estragar os lucrativos modelos de negócios com autênticas questões sobre os paradigmas civilizacionais, tais como o do ENVENENAMENTO GLOBAL, que vem a acontecer desde que existe indústria. Aí é que está o verdadeiro problema de poluição!
Em suma, compramos “coisas” para nos evidenciarmos, esquecendo os simples prazeres da vida – como andar de bicicleta, por exemplo. Somos induzidos a consumir mais e mais apenas para que a máquina que montámos não pare e nos mergulhe no caos económico. É este consumo artificial que nos irá soterrar a todos sob uma enorme pilha de LIXO. Nada mais.
Pela minha parte e como já vi que as pessoas nem se preocupam a verificar se as "verdades inconvenientes" de uns quantos são mesmo reais, I rest my case!
De horácio a 26 de Agosto de 2009 às 12:37
anape, nem leu o meu comentário, pois não?
Despejou o discurso sem se quer ter reparado que eu nem mencionei o aquecimento global.

Por isso acalme-se e não desate a acusar os seus companheiros de debate de pretensas más atitudes.
De TMC a 25 de Agosto de 2009 às 12:10
Não sou membro de nenhum partido mas sei ver quando é que algumas intervenções se pautam pela obediência aos factos. E foi precisamente um programa de educação e eficiência energética no sector dos transportes que foi defendido numa intervenção na Assembleia da República
por um deputado d'Os Verdes. Estarmos a construir barragens e eólicas a torto e a direito é um desperdício de fundos quando comparado com, por exemplo, uma política fiscal que combatesse o uso do automóvel particular dentro das cidades.
De Marcos Paulo Schlickmann a 25 de Agosto de 2009 às 12:18
Olá, desculpe a intromissão mas gostaria de comentar sobre um assunto diferente. Só quero aproveitar o espaço para colocar um tema em discussão.

Eu, como vocês, sou cicloativista, e por trabalhar com planeamento de transportes acredito que posso questionar este imperialismo do automóvel com segurança. Porém, existe uma questão no meio disso tudo que eu ainda não consegui tirar o crédito do automóvel, infelizmente. Os deslocamentos não pendulares??? Vou dar um exemplo da minha namorada. Ela trabalha no hospital de Gaia e depois do trabalho ou ela tem que sair para o outro emprego, uma clínica em Gulpilhares (perto da praia), ou vai à aula de dança nas Antas.

Eu já espremi meu cérebro em pensar soluções para ela através do transporte público (STCP, Metro do Porto, Operadores Privados) mas sinceramente não achei uma solução "executável". E é claro, qualquer solução que eu sugira que seja um pouco mais complicada ela não vai querer, porque infelizmente, ela tem aquela "coisa", não gosta de transportes públicos.

E só para concluir, ontem ela foi buscar o carro dela que estava na oficina já há 5 meses. Ela me disse que chegou a chorar quando entrou no carro de tanta emoção . . .

Abraços e desculpe por meter um comentário fora do tema!

Marcos Paulo Schlickmann
De MC a 25 de Agosto de 2009 às 18:32
Marcos,
no caso da sua namorada eu só gostava de uma coisa, que é o que mais peço aqui no blogue: que ela "pagasse" o que realmente custa a "teimosia" dela.
Eu acho que deve haver liberdade de andar de carro, mas essa liberdade não pode chocar com a dos outros. E infelizmente o automóvel tem custos gigantes que recaem sobre os outros, trânsito, cidades destruídas poluição, sinistralidade, etc.
:)

Mas respondendo à tua pergunta, que tal o taxi? Não deixa de ser um automóvel, mas tem duas grandes vantagens: não ocupa espaço urbano quando está estacionado e não precisa de encontrar um lugar para estacionar. Não sei do link, mas grande parte do congestionamento e da poluição são causados por carros que circulam devagar às voltas e voltas à procura de lugar.

Ab
De Marcos Paulo schlickmann a 25 de Agosto de 2009 às 20:00
Pois, acho que você tocou bem na questão dos custos. Com certeza de táxi ela não vai justamente porque ela acha que os custos indiretos, como os que você citou: trânsito, cidades destruídas poluição, sinistralidade, etc. não são responsabilidade do motorista.

Aliás, esses custos nem devem " passar pela cabeça" desses motoristas. O motorista nunca foi resposabilizado poe esses custos, logo pra ele os custos que realmente são de sua responsabilidade são os custos diretos: combustível, o carro em si, manutenção, parqueamento e outros.

E utilizando só os custos diretos como comparação, é evidente a maior viabilidade do deslocamento de carro face ao táxi. E claro, e isso vale para todos os "autocólatras" :-P, as pessoas estão pouco inclinadas em mudar suas atitudes na utilização do carro, porque o carro já não é mais um meio de transporte. E, no fundo, desculpe a expressão, mas a maioria da sociedade está "cagando" para a questão ambiental.

Abraços!

De MC a 26 de Agosto de 2009 às 10:01
Marcos,
Eu não sei se o taxi é realmente assim tão mais caro. As pessoas esquecem-se de fazer as contas de quanto custa realmente andar de carro. Para lá dos custos fixos (comprar carro, seguro e impostos, etc.) há custos que estão escondido em cada viagem. Desgaste do motor, pneus, etc., desvalorização do carro, preço do estacionamento, aumento da necessidade de reparações técnicas (um carro parado não se avaria), probabilidade de ter um acidente e de ter que pagar por isso, etc. Não basta pensar na gasolina.

Quanto à questão ambiental, eu pessoalmente não me estou a "cagar", mas mesmo que estivesse continuaria a ter este blog. As questões ambientais são apenas um grão de areia em toda a ditadura do automóvel
http://menos1carro.blogs.sapo.pt/104505.html
De Pedro Castro a 28 de Agosto de 2009 às 03:07
Para o anape e Iliterado,

Nenhum dos participantes neste debate, nem eu próprio, tem conhecimentos suficientes para discutir de uma forma esclarecida a abrangência e complexidade cientifica das Alterações Climáticas.

Por isso, só podemos fazê-lo usando outras fontes. O uso de fontes na internet, como devem bem saber, tem que ser muito cuidadoso. Aliás porque existe mais informação falsa do que verdadeira. Se quiserem um site a afirmar que a terra é redonda posso-lhes enviar um link.

A única forma que conheço para me aproximar de informações mais credíveis, com todos os problemas associados, é citando artigos artigos em revistas que só publicam artigos revistos pelos pares (peer-review). Antes de começarmos a discutir Alterações Climáticas temos primeiro discutir se este é de facto o único método possível. Independentemente de ser um bom ou mau método, é preciso ter cultura cientifica mínima (cultura geral) para perceber que é assim que a ciência progride há várias décadas.

Porque sinceramente já discuto este assunto há muitos anos e as vossas referências e a informação que propagam, com alguma arrogância fruto de ignorância, são informações falsas já desmontadas milhares de vezes anteriormente. Estão a ser vítimas do que o Richard Feynman chamava "cargo cult science" (isto sim podem ir consultar ao google porque é uma expressão popular).

Mas antes de começarmos a falar de alterações climáticas, leiam o que escrevi com muita atenção, a pergunta crucial é: vamos só usar fontes de informação com origem em artigos científicos em revistas com alguma reputação?
De Iletrado a 29 de Agosto de 2009 às 00:07
Caro Pedro Castor
Tentei demonstrar que o que está aqui em discussão - a mobilidade - tem pouco a ver com regimes políticos ou com "alterações climáticas". E que o carro eléctrico, por mais "verde" que seja, não resolve o problema da mobilidade dentro das cidades. No entanto, decidiste reagir ao tema do momento. Porreiro.
Umas notas:
1. Como sabes que não tenho conhecimentos científicos para discutir este assunto? Chegaste a essa brilhante conclusão porque privilegio a bicicleta para me deslocar? Porreiro, pá, agora, além de pobre, um ciclista também é inculto e academicamente irrelevante.
2. Sabes que antes da invenção desta Rede já era preciso cuidado com informações "científicas" falsas? É verdade, houve um tempo em que não existia este meio de comunicação! Apesar disso, ainda há quem afirme categoricamente que o Homem nunca foi à Lua, que a Terra é plana, que o Elvis não morreu, que o Abominável e o monstro de Loch Ness existem, que o Sol é que anda à volta da Terra, que o funileiro traz a chuva, que o Holocausto foi uma invenção, que a Lagoa Comprida não tem fundo, que a coca-cola é utilizada para lavar estradas.... E?
3. Essa citação de um físico que participou na elaboração da bomba atómica serviu para quê? Quais são as "informações falsas já desmontadas milhares de vezes anteriormente"?
4. Convém que te concentres nas perguntas cruciais: porque se mistura poluição com "alterações climáticas"? Porque razão não se acaba de vez com esse meio poluidor que se chama carro? Porque razão os bons samaritanos do ocidente gritam aos quatro ventos que temos de salvar o planeta (?!), mas entretanto há protocolos mundiais onde se discute quotas de poluição? Não deixa de ser revelador que os indivíduos que discutem estes assuntos se desloquem em carros potentes e tremendamente poluidores. Nem uma bicicleta para amostra em Quioto!
5. Desde que moro aqui, no meu cantinho do deserto da margem sul, que registo diariamente coisas sem importância como temperaturas mínimas e máximas, pressões atmosféricas e outras coisas esquisitas. 8 anos de medições. Conclusão: a temperatura média tem descido 0,1º C ao ano desde 2003, ano de pico. 5 anos a descer! Malvado aquecimento global que é tão anunciado e nunca mais cá chega! Já não há desertos como havia antigamente! A culpa deve ser do atraso nas construções da nova ponte sobre o Tejo e do aeroporto de Alcochete. (Ah, 8 anos não chegam, ouço dizer por aí! Mas não chegam por serem 8 anos ou por não ter conhecimentos científicos?). A minha previsão é a seguinte: este ano, se a temperatura média não subir, ou se mantém ou desce.
Boas pedaladas
(Eu pedalo para não poluir ou não poluo por pedalar? Deixo isso à tua consideração.)
De José M. Sousa a 29 de Agosto de 2009 às 17:10
Tanto disparate a esta altura sobre alterações climáticas é espantoso. Se o iletrado tem formação científica então o espanto é total, mas a sua irresponsabilidade é ainda maior.

O "Resistir", site que aprecio por outras razões, não é propriamente uma fonte autorizadada sobre alterações climáticas.

O facto de as sociedades - os políticos, os cidadãos, os empresários, etc. - não estarem a reagir ao problema das alterações climáticas, ou então proporem "soluções" que parecem ridículas ou interesseiras, não significa que o assunto não seja sério. Significa, porventura, mera ignorância, ganância, miopia ou uma combinação de tudo isto. O conhecimento científico sobre o assunto tem-se fortalecido e o alarme (http://www.350.org/rajendra) tem vindo a aumentar.
aqui (http://climateprogress.org/2009/05/20/mit-doubles-global-warming-projections-2/) podem encontrar dados recentes de centros de investigação.

Comunicado de Congresso Científico havida este ano em Copenhaga. (http://climatecongress.ku.dk/newsroom/synthesis_report/):

"Even if we keep global warming below two degrees, we will still see extreme effects of climate change on our societies", and data collected since the production of the 2007 IPCC Report indicate that several climate indicators (for example, sea-level rise, ocean temperature, glacier-melt, Arctic sea ice melt, ocean acidification) all are changing at the maximum rate projected at the time of the last IPCC report or even faster.
"
Como se pode ver, os dados mais actuais já ultrapassam as piores previsões do IPCC, de há ainda 2 anos atrás!

Mais informação (de carácter científico):
http://www.iop.org/EJ/volume/1755-1315/6

e o relatório (em português) do Congresso em Copenhaga:
http://climatecongress.ku.dk/pdf/Synthesis_Report_-_Portuguese_-_ISBN.pdf/
De Pedro Castro a 30 de Agosto de 2009 às 12:51
Caro Iliterado,

Tens toda a razão o meu comentário não tem nada a ver com o excelente post do Tiago. Era um comentário ao chorrilho de asneiras que tu e o anepe proferiram sobre alterações climáticas. Ainda perguntas como é que eu sei que não tens competência cientifica para o fazer. Basta ler o teu comentário.

Como disse recuso-me a iniciar esta conversa e responder a qualquer ponto de interrogação teu antes de responderes à pergunta que considerei crucial e repeti duas vezes.

O resto é retórica e imaginação para evitar responder a uma pergunta simples.


De Iletrado a 30 de Agosto de 2009 às 20:20
Caro Pedro Castor
Vou tentar enquadrar a tua pergunta. A questão é: será o Homem responsável pelas alterações climáticas? A resposta óbvia é: não. Antes do Homem o planeta Terra enfrentou mudanças bruscas e dramáticas do clima. O clima nunca foi estático. Sempre foi dinâmico e há-de continuar a sê-lo. Atribuí-las agora ao Homem é uma desculpa oportunista daqueles que a querem utilizar para continuar a dominar e explorar as pessoas. O Homem tem impacto no clima local, mas negligenciável mesmo a níveis regionais. O que se passa actualmente em Porto Santo afecta o clima geral do globo? E o inverso será verdadeiro?
A resposta à tua pergunta é: não. Não vou "só usar fontes de informação com origem em artigos científicos em revistas com alguma reputação". Que paternalismo da tua parte! Serás tu o meu cardeal Bellarmino? Quem determinaria quais as fontes credíveis? Tu? Eu? O Governo? O IPCC, cujo presidente é um economista? O TMC?
Vou usar todas as fontes de informação que tenho disponíveis e confrontá-las com aquilo que sei, aquilo que posso observar directamente ou aquilo que posso testar. Porque, sabes, a ciência não se referenda. Não é por nós o desejarmos ardentemente que aquilo em que acreditamos passa a ser verdade. O IPCC decidiu em votação, em 2007, que o aquecimento global é de origem antropogénica e é irreversível (?!) se não tomarmos medidas. Agora a ciência é das maiorias? 90% de cientistas japoneses participantes num simpósio no Japão, em 2008, afirmaram que não acreditam na influência humana nas alterações climáticas. Terão estes cientistas razão só por estarem em maioria?
É sempre de desconfiar quando cientistas não aceitam a dúvida metódica de outros cientistas. (Lá vou ter de citar alguém...) Marcel Leroux, Syun Akasofu e Henrik Svensmark não devem ter conhecimentos científicos. E os relatórios da NASA devem ser ficção científica. Nem o Costa Alves deve ter conhecimentos científicos, ao afirmar ao que "não sabemos explicar a ausência de ondas de calor no Verão". O que eles afirmam são chorrilhos de asneiras porque, lá está, não se basearam só em "fontes de informação com origem em artigos científicos em revistas com alguma reputação". O que dizer então do IPCC, cujo porta-voz, William Schlesinger, admitiu durante o "Forum on Climate Change" que só 20% dos seus membros tinham conhecimentos de climatologia? Então os outros 80% votaram declarações científicas sobre um assunto para o qual não têm competências científicas!
É fácil afirmar que isto é um "chorrilho de asneiras", sem precisar contudo onde estão as asneiras. Espero que, agora que respondi à tua pergunta, me esclareças.
Boas pedaladas.
De Pedro Castro a 31 de Agosto de 2009 às 05:18
Caro Iletrado,

Não seria necessário escrever tanto para dizer que não. É que ainda não percebeste que não vou debater alterações climáticas contigo. Uma vez que não queres só usar fontes em artigos científicos revistos pelos pares, o debate acaba aqui. Não tem nada de paternalismo. O método pode ter os seus defeitos, mas é o único que conheço para produzir e avaliar conhecimento cientifico há várias décadas. As políticas públicas a adoptar perante o problema não devem, nem podem, basear-se no conhecimento cientifico. Mas se a temperatura média do planeta está a aumentar, ou quais a causas deste aumento só podem ser debatidas respeitando o método cientifico.

Tal como não percebes este simples facto é também óbvio que não entendes o que é o IPPC. Para alguém que julga perceber alguma coisa do assunto até é cómico tamanha ignorância.

Contráriamente ao que parece pensar, eu nem sei, nem posso saber objectivamente e em primeira mão, absolutamente nada sobre alterações climáticas. O que acho extraordinário é que quando se está a falar de temperaturas globais médias, os seus argumentos são sempre que "na margem sul" está a diminuir, na Florida está a diminuir, na Antárctica está a diminuir. Iliterado, poderá haver muitas partes do globo a diminuir de temperaturas, poderá mesmo haver anos, ou sequências de anos, em que a temperatura global baixe. Mas nada disto contradiz que a tendência da temperatura média do globo esteja aumentar. Não perceber isto é não perceber estatística no seu mais elementar.
De José M. Sousa a 30 de Agosto de 2009 às 21:26
Caro Iletrado

Com franqueza, você faz uma triste figura, não por revelar ignorância, que seria aceitável, se fosse inocente, O problema é que não se deu ao trabalho de estudar nada e ainda faz gala disso. Isto é que é o pior de tudo.

Você parece não ter uma ideia precisa do que é o IPCC:

http://www.ipcc.ch/organization/organization.htm

«It reviews and assesses the most recent scientific, technical and socio-economic information produced worldwide relevant to the understanding of climate change. It does not conduct any research nor does it monitor climate related data or parameters.»

Parece também não ter estudado o mínimo dos mínimos sobre Paleoclimatologia. http://futureatrisk.blogspot.com/2008_01_01_archive.html

Cita nomes que viu algures na NET sem se ter dado ao trabalho de verificar a idoneidade dos mesmos, como por exemplo Marcel Leroux: http://www.realclimate.org/index.php/archives/2006/05/my-review-of-books/comment-page-2/#comment-14279 ( este "RayPierre", por seu lado tem este CV: http://geosci.uchicago.edu/~rtp1/vitae.pdf é um dos cientistas do RealClimate : http://www.realclimate.org/index.php/archives/category/extras/contributor-bios/page/3/ ) Isto é muito pouco para tanta citação e, como pode ver pelas datas, são artigos já com uns anitos, numa área que evoluiu muitíssimo na última década, mesmo nos últimos 5 anos!


Quem é idóneo em ciência não é determinado nem por mim, nem por si ou pelos outros intervenientes nestes comentários, nem sequer pelos Governos, é determinado por organizações científicas e academias de ciências e pode ver o que dizem:

http://royalsociety.org/displaypagedoc.asp?id=20742 e aqui também :

http://futureatrisk.blogspot.com/2008/02/lisboa-e-nova-sesso-sobre-alteraes.html (há muitos links e excertos de declarações sobre este assunto dessas organizações neste post )

Também não sei a que relatórios da NASA se refere. O GISS, é o Instituto da NASA que se dedica às Alterações Climáticas e o seu director é James Hansen http://www.giss.nasa.gov/ http://www.giss.nasa.gov/staff/jhansen.html http://www.giss.nasa.gov/files/cv/cv_hansen_200702.pdf

Como poderá ver aqui : http://www.columbia.edu/~jeh1/ não percebo onde vai buscar a ideia de que a NASA (não é possível que o GISS/NASA e o seu director, há muitos anos, estejam diametralmente opostos) desmente o que quer que seja sobre as AC de origem antropogénica.

Um último comentário: você deve ser omnisciente, visto que para um problema global, que afecta os oceanos, a superfície terrestre, que vai dos pólos à alta atmosfera, você consegue confiar apenas nas suas observações! Fantástico! É obra.

De Iletrado a 30 de Agosto de 2009 às 23:54
Caro José M. Sousa
Pergunto-me se andas de bicicleta ou a pé - pelo menos o tempo suficiente para olhares o mundo à tua volta e não só pelos olhos dos outros. É que de carro somos tipo mula - temos umas irritantes palas à frente dos olhos. Acho piada, sempre que há um pequeno aumento da temperatura grita-se aqui d'el-Rei que vem aí o aquecimento global. Mas quando as temperaturas não sobem, pelo contrário, descem, como nestes cinco últimos anos no meu cantinho em Portugal (curiosamente, os resultados globais apresentados pelo Met Office Hadley Centre são semelhantes aos obtidos neste deserto da margem sul - o pico ali em 2003 e depois sempre a descer, reparaste? É no entanto um mistério tal dado não ter tido a devida análise pelo IPCC nem publicidade nos OCS.); quando neva em locais onde não há memória de tal ter acontecido; quando o Verão se "atrasa" como aconteceu este ano no Hemisfério Norte; quando no Hemisfério Sul os registos de baixas temperaturas batem recordes - logo relativizam o acontecimento: ou afirmando que a tendência a longo prazo é de subida, ou tentando convencer-nos que tal se deve a uma conjuntura local que não afecta o modelo global a longo prazo. Fantástico! O aquecimento global tirou umas férias!
É interessante reparar que o "Nacional Climatic Data Center" dos EUA registou que, em Julho de 2009, 6 estados tiveram as temperaturas mais baixas dos últimos 115 anos. E, de uma maneira geral, o nordeste, excepto a Flórida, teve temperaturas abaixo da média.
Bom, mas cada um acredita no que quiser em relação a este assunto. Pode ser que o aquecimento global chegue a tempo de evitar o frio de Inverno e nos livre da gripe A. Penso que não vale a pena discuti-lo mais. Tens a tua razão e afirmas que a minha é baseada em falsas premissas. Leva a taça. Tu só aceitas a verdade oficial, eu leio tudo o que se relaciona com o assunto e tento associá-lo com aquilo que observo directamente. Daqui por 100 anos veremos quem teve razão. Entretanto, mais uma vez (a culpa é minha, admito), nem uma palavra sobre o tema da mobilidade, que é aquele que norteia este espaço.
Boas pedaladas.
De José M. Sousa a 31 de Agosto de 2009 às 09:35
De facto, o debate acaba aqui, porque o caro iletrado desconversa e não dá uma única referência sólida sobre aquilo que afirma.

Mas, já agora sobre a temperatura, recomendo ( e note, as referências estão lá e direccionam para centros de investigação devidamente identificados) : http://climateprogress.org/2009/08/21/record-ocean-warming-breaking-heat-records-in-water-temperature/

http://climateprogress.org/2008/12/07/very-warm-2008-makes-this-hottest-decade-in-recorded-history-by-far/ PEQUENO AUMENTO DE TEMPERATURA???

http://climateprogress.org/2009/01/14/nasa-likely-that-a-new-global-temperature-record-will-be-set-within-the-next-1-2-years/

http://climateprogress.org/2008/12/17/nasa-another-brutally-hot-year-for-the-siberian-tundra/

http://climateprogress.org/2009/08/17/positive-methane-feedbacks-permafrost-tundra-methane-hydrates/


Sobre a mobilidade, é de facto urgente facilitar a vida aos ciclistas, a quem anda a pé e os transportes públicos, não apenas para reduzir as emissões mas também porque não podemos continuar a esbanjar um recurso finito e precioso.
De MC a 2 de Setembro de 2009 às 14:55
Obrigado José pela intervenção, que eu assino por baixo.
De José M. Sousa a 31 de Agosto de 2009 às 10:20
Sobre o tema em discussão neste "post", nomeadamente o automóvel eléctrico e as exigências sobre a rede eléctrica, sugiro este interessante artigo :

http://www.lowtechmagazine.com/2009/03/fast-charging-electric-cars-off-peak-grid.html
De MC a 2 de Setembro de 2009 às 14:57
Obrigado,
ainda não li com toda atençã mas é obviamente um problema. E como sabemos as renováveis não são fontes de energia com capacidade para responder a picos de procura, quanto menos a procura variável.
De Zé da Burra o Alentejano a 23 de Setembro de 2009 às 11:13
Dirijo-me fundamentalmente aos engenheiros e em especial aos electrotécnicos, mas qualquer leitor compreende facilmente os meus argumentos.
Há um mito sobre os benefícios para o ambiente em geral com a troca IMEDIATA dos actuais veículos movidos a energia fóssil por outros eléctricos: esquecem-se os defensores (ou desconhecem) que a maior parte da energia eléctrica produzida ainda tem origem fóssil (ou nuclear nalguns países, forma de produção que os ambientalistas também recusam em geral). Assim, quando usamos um carro eléctrico estamos em última instância a consumir energia fóssil, só que nos chegaria na forma de energia eléctrica, mas com alguns inconvenientes. É que para termos o nosso carrinho a andar temos que ter as seguintes conversões de energia: 1º) energia fóssil em motriz para accionar as turbinas; 2º) força motriz em energia eléctrica (grande parte da energia eléctrica produzida é consumida pela própria central); 3º) o transporte de energia até ao local da carga das bateria do nosso automóvel "amigo do ambiente"; 4º) converção da energia eléctrica em energia química para carregarmos as nossas baterias para podermos guardar a energia durante algum tempo; 5º) transformação da energia química em eléctrica para accionarmos os motores eléctricos do nosso carrinho; 6º) finalmente a transformação de novo da energia eléctrica em força motriz para que o carrinho ande. Em cada uma das 6 conversões que referi implicam perdas de energia, a maior parte dela ainda hoje produzida a partir de energia fóssil. Assim, se mudássemos todos para veículos eléctricos seria necessário produzir energia para corresponder ao consumo E ISSO REPRESENTARIA MAIS POLUIÇÃO. UM DIA QUANDO A PRODUÇÃO DE ENERGIA ELÉCTRICA LIMPA SUPLANTAR A PRODUÇÃO POLUIDORA ENTÃO SIM! ENTÃO SERÁ A ALTURA DE MUDAR...MAS NÃO AGORA.
APENAS PARA AS CIDADES há um benefício ambiental imediato, com prejuizo da poluição do planeta. E o que fazer à grande quantidade de baterias em fim de vida?

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