Segunda-feira, 24 de Agosto de 2009

Os transportes públicos afinal não são um papão

Todos já ouvimos críticas ao funcionamento e à cobertura dos transportes públicos vindos de quem não os experimenta há muitos anos. O presidente daquela associação de automóveis, é um exemplo.

Mas há quem dê a mão à palmatória e reconheça que não tinha razão (só por isso merece os parabéns):


Decidi experimentar e verifiquei espantado como foi rápido, tranquilo, limpo, com lugares sentados disponíveis e ar condicionado. Fiquei cliente da Carris e, mais recentemente, aventurei-me no eléctrico, não por questão de pitoresco, mas porque me transportou muito agradavelmente para onde queria ir.
Bem sei que os trajectos que refiro são relativamente curtos, que eu tenho o privilégio de viver quase sem horários, evitando horas de ponta, mas provavelmente há outras pessoas em situações semelhantes e que mantêm preconceitos contra os transportes públicos, perdendo muito em qualidade de vida.

 

Aconteceu-me o mesmo há poucos dias, quando tive de utilizar o comboio para ir buscar o meu carro a uma oficina em Vila Franca de Xira: tive a grata surpresa de descobrir um transporte rápido, funcional e limpo, com ar condicionado e bancos confortáveis, além de uma voz solícita que anuncia todas as paragens e ligações a outros transportes em cada estação. A anos-luz, portanto, dos tempos em que eu andava nos comboios desta mesma linha, que em hora de ponta mais pareciam transporte de gado.
Dou a mão à palmatória e não volto a dizer mal dos transportes públicos, que, pelos vistos, evoluíram imenso.


Esqueci-me de dizer que na paragem do eléctrico havia um placard a dizer quantos minutos faltavam para a chegada do próximo.

 


A ler: a Unesco retira a Dresden o título de Património da Humanidade (algo que acontece pela segunda vez na história) por a cidade ter insistido em construir uma ponte de 4 faixas que vai despejar automóveis no centro histórico, no Spiegel.

publicado por MC às 15:22
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5 comentários:
De Rogério Leite a 24 de Agosto de 2009 às 19:13
Confesso que eu mesmo tinha certa aversão a andar de ônibus. Aqui em minha cidade, ainda somos tratados meio como gado pelos motoristas destes monstros. Pior que mesmo morando em uma cidade com temperatura média de 28 graus ao longo do ano todo, ar condicionado é um luxo a que poucos ônibus têm acesso por aqui. Quando quebram, esqueça, nunca mais voltam! Mesmo assim, depois que comecei a avaliar o sistema, descobri que ele funciona, que tem gente com alguma cabeça na sua organização e que caminha para um sistema bem eficiente. Sou um daqueles que tem as vantagens descritas pelo depoimento: sem andar em horarios de pico, sem andar em rotas longas, etc.. mas mesmo assim, quanto preciso fazer algo assim, sempre fico surpreso com a versatilidade e a estrutura do sistema daqui! Que bom que mais pessoas estão percebendo isto!
De T a 27 de Agosto de 2009 às 21:25
Parece-me também que entre a alta dos preços dos combustíveis e a crise internacional, muita gente foi levada de novo aos transportes públicos. Diria que reacções destas, de espanto e satisfação sobre a qualidade, a eficiência, a eficácia e o conforto, são o que normalmente acontecem.
De Mdizaverdade a 28 de Agosto de 2009 às 14:08
Não sou contra os transportes públicos nem contra a sua utilização. Se estudasse/trabalhasse no centro de Lisboa não teria problemas em usar transportes públicos porque o caos do trânsito na cidade já toda a gente conhece e as horas de ponta dentro dos autocarros ou dentro dos carros acabam por ser as mesmas, adicionando os 'problemas de estacionamento' e o valor dos parques. Claro que exige disciplina: andar de autocarro/metro/comboio/barco implica ter um horário minimamente regrado para quem tem horas de entrada, exames, compromissos, a cumprir e não se pode dar ao luxo de falhar; já com o carro (ou meio de transporte próprio) é diferente, porque somos nós que decidimos a hora a que saíremos e não estamos sujeitos a um autocarro (suponha-se) que se não apanharmos só teremos um igual 20 minutos depois (isto quando não chove e os horários são cumpridos - porque quem é que nunca esteve uma hora na paragem à espera de um autocarro (no tempo em que deviam ter passado pelo menos 3) e depois chegam os 3 autocarros à mesma hora. Como o próprio relato conta: para quem não tem praticamente horários é relativamente mais fácil andar de transportes públicos.
Há um ponto em que não tocam: há carreiras que simplesmente se revelam uma selva para quem as utilizam - sim, porque as pessoas não são todas iguais e porque, feliz ou infelizmente, nem todos temos as mesmas intenções uns com os outros, nem os mesmos valroes ou princípios. Dou o meu exemplo: a minha faculdade fica logo numa das entradas de Lisboa, mas não tenho que entrar na 2ªCircular para lá chegar apesar de a minha faculdade ser colada à 2ªCircular, e o tempo que demorava de autocarro ou de autocarro+metro (porque experimentei as alternativas enquanto tirava a carta) a chegar superava uma hora, enquanto que de carro demoro 15 minutos no máximo a chegar (e tenho parque de estacionamento gratuito no campus e gasto em gasolina o mesmo que gastava no passe social). Acho que não podemos reger toda a gente pelas mesmas directrizes e avaliar por situações: não é de todo plausível de repente toda a gente largar o carro e ir de bicicleta para o emprego, faculdade (pelo menos no meu caso acho que morria atropelada antes de atingir a ciclovia que cobre uma mínima parte do meu trajecto para Lisboa).
Concordo com o que dizem relativamente aos transportes estarem melhorados em relação à comodidade e qualidade do serviço, e sim, a cobertura de transportes públicos é praticamente total. Mas também sei de casos em que os motoristas dos autocarros quando têm de passar por dentro de certos bairros (Outurela, Portela de Carnaxide) simplesmente não abrem as portas emm determinadas paragens - e não é de todo mentira o caso.
Defendo sim a proibição do acesso de carro a determinadas zonas das zonas históricas da cidade excepto aos moradores (desde que alternativas de qualidade e com garantias e não-utópicas) sejam apresentadas a quem tem de se deslocar a essas zonas - ou estão esquecidos de que o centro de Lisboa equivale ao Central Business District e que por isso muitas empresas e escritórios estão sediados nessa zona da cidade?
Nem 8 nem 80. Eu não critico quem prefere os meios de transporte públicos e elogio quem tem possibilidades de os usar com a mesma comodidade com que usario o seu próprio carro e assim os usa, contribuindo assim, acima de tudo, para a melhoria da sua própria qualidade de vida.
De MC a 2 de Setembro de 2009 às 14:40
M,
ninguém aqui defendeu a obrigação do uso dos transportes públicos ou da bicicleta
De Mdizaverdade a 2 de Setembro de 2009 às 19:40
Tem toda a razão MC, é verdade que aqui ninguém defendeu a obrigação dos transportes públicos. Aproveitei, apenas, este post para comentar o próprio post e dar a minha opinião sobre um dos que considero ser os temas deste blog.
E não num tom 'negativamente' crítico, espero. Apenas a minha opinião - e acho que é disso que também se alimentam os blogs.

(Partilhamos as mesmas iniciais MC)

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