Sábado, 22 de Agosto de 2009

Ponto de ordem à mesa: a electricidade e os combustíveis são baratos em Portugal

Já por várias vezes tive a discussão sobre o preço da electricidade e os combustíveis aqui nos comentários do blogue. Há a ideia errada que em Portugal  os preços são elevados face à média europeia. Seja porque as pessoas só comparam com Espanha, seja porque confiam no que lêem nos jornais que não têm muitas vezes falta de pudor em vender sensacionalismo (cheguei a encontrar um título de jornal sobre os preços da electricidade, que era na realidade baseado num artigo de opinião de um sindicalista, que tinha ido buscar os preços pagos por uma família cujo consumo médio estaria ao nível de uma TV em stand-by sem mais nada... mas eu não conheço nenhuma família assim). Faço assim copy-pate de informação que deixei em comentários.

 

Preço final pago pelos consumidores, 1º semestre 2008 em €/kWh, dados do Eurostat:

UE27            0.1691 0.1633 0.1508

Zona Euro    0.1733 0.1711  0.1587
Portugal       0.1691 0.1480 0.1326

As colunas são consumos baixos, médios e altos (deixei os muito baixos e muito altos de fora). Portugal está abaixo da média europeia, e bem abaixo da média da Zona Euro.

 

 

Preço final dos combustíveis em €/L, fonte relatório da DG de Energia e Transportes da Comissão Europeia, complementar com base de dados de energia Eurostat em 2005,2006 e 2007 (os últimos que o relatório tem)

Gasóleo

UE25         0.948  1.094 1.052
Portugal    0.834  0.981 1.019

Gasolina 95

UE25         1.034 1.192 1.150

Portugal    0.996 1.196 1.239

 

Das seis comparações, Portugal apenas fica acima da média numa (e por uma margem minúscula).

 


A ler: histórias de miúdos que foram proibidos oficialmente de ir para a escola de bicicleta , porque era perigoso (possivelmente porque os país dos outros miúdos os levam de carro). Alguém imagina proibir-se um automóvel de circular porque corre perigo devido às bicicletas? No Carectomy

publicado por MC às 15:40
link do post | comentar | favorito
10 comentários:
De Ferdinand a 22 de Agosto de 2009 às 16:57
Falando da história das bicicletas: em Portugal as crianças que se desloquem para a escola de bicicleta não estão abrangidas pelo seguro escolar! Todos os outros meios de transporte estão incluídos, menos a bicicleta! Acho irónico depois afirmarem que as crianças estão a ficar obesas e criarem aulas de Educação Física (totalmente inadequadas nos moldes actuais) nas escolas...
De MC a 24 de Agosto de 2009 às 11:18
Impressionante! Não tens um link para divulgar num post, não?
De Ferdinand a 24 de Agosto de 2009 às 14:55
http://www.drel.min-edu.pt/alunos/seguro_escolar_informacao.pdf
Estão aqui as condições do seguro escolar. O site é da Direcção Regional de Educação de Lisboa (DREL), mas as condições são aplicadas em todo o país. Aquilo que me referi está escrito no ponto VI, alínea f.
Já agora, não o referi antes, mas parabéns pelo blog!
De MC a 26 de Agosto de 2009 às 15:50
Obrigado, segue post!
De MC a 2 de Setembro de 2009 às 15:06
Ferdinand, não encontrei o que dizias.
No artigo VI.1.f) excluiem-se os seguintes casos do seguro:

f) Os acidentes que ocorram em trajecto com veículos ou velocípedes com ou sem motor,
que transportem o aluno ou sejam por este conduzidos;

Ou seja, não há tratamento diferente da bicicleta
De Rogério Leite a 24 de Agosto de 2009 às 00:45
MC... quanto deste combutível fóssil vcs importam? Quanto vcs produzem realmente? Qual a origem da energia elétrica de vcs? Além do mais, como se distribuem os consumidores pequeno medio e grande (o percentual de cada?)... Conheço pouco da matriz de energia de PT. ... mas se vc souber, por favor, comente...
De MC a 24 de Agosto de 2009 às 11:17
Os combustíveis fósseis são totalmente importados.
A energia eléctrica é 60%/70% de petróleo e carvão, os restantes grande parte é de barragens. Energia eólica é uns 5%, o que é bastante alto.
Não havia as percentagens de cada tipo de consumidor, mas aqueles são apenas famílias.
De Rogério Leite a 24 de Agosto de 2009 às 11:33
MC... não quero ser um chato, nem que o comentário que vou fazer pareça preconceituoso. Seguinte, o Estado Português está PAGANDO para que seus cidadãos troquem seus carros a combustível fóssil por elétricos, como denunciado aqui mesmo! Mas se esta eletricidade vai vir do petróleo e do carvão, REIS DA MATRIZ ENERGÉTICA DE VCS, que lógica isto tem? No Brasil, quando a coisa parece esquisita demais, tão ilógica ou carregada de uma lógica que só vocês entendem, dizemos que é coisa de PORTUGUÊS! Esta troca parece a mim, que estou de fora, COISA DE PORTUGUÊS! Para mim, parece mesmo é que o seu governo tem PLANOS A LONGO PRAZO. "Vamos incentivar a troca dos carros agora, e quando a energia elétrica começar a escassear, teremos a desculpa ideal para CONSTRUIR MAIS E MAIS USINAS, todas IRRACIONALMENTE CARAS, e todas ÓTIMOS planos para "captar recursos" para os políticos de vcs - obras e seus executores, pelo custo, são as maiores corruptoras de qq sistema político." No fundo parece ter alguma sujeira mais no paraíso!... È o que me parece!
De MC a 24 de Agosto de 2009 às 11:54
Não estás a ser chato! E nós sabemos das piadas que há no Brasil sobre portugueses :)

Infelizmente não é coisa de portugueses. É feito um pouco por toda a Europa. Na Alemanha, que também não tem petróleo, o Estado paga 2500€ para se trocar de carro e paga a quem "tem a necessidade" de se deslocar muito de carro para o emprego.
Israel e Dinamarca também têm grandes programas de incentivos aos carros eléctricos.
Isto é pura e simplesmente uma obsessão por querer manter vivo um transporte que não tem futuro. Não é só por cá.

Quanto à matriz energética, eu discordo do que dizes. Passar de combustíveis convencionais para electricidade até traz vantagens a nível de saldo energético, porque os primeiros são 100% importados e os segundos apenas 60%.
De anape a 25 de Agosto de 2009 às 04:12
Recomendo a leitura do comunicado de Maio da AdC, 2009_09:
http://www.concorrencia.pt/download/comunicado2009_09.pdf

Comentar post

subscrever feeds

Google (lousy) Translation

autores

pesquisar

posts recentes

Nova rede ciclável de Lis...

Caça à multa ou ao dispar...

O estacionamento como fun...

Tuk-tuks e as bicicletas,...

Os peões e as bicicletas ...

O excesso de velocidade d...

A mobilidade sustentável ...

O lado "verde" do apoio a...

10 Dicas para a bicicleta...

A EMEL vai investir 40 mi...

tags

lisboa(222)

ditadura do automóvel(211)

ambiente(204)

bicicleta(157)

cidades(113)

portugal(112)

peões(102)

sinistralidade(74)

carro-dependência(67)

estacionamento(67)

transportes públicos(66)

bicicultura(62)

economia(57)

espaço público(57)

comboio(48)

auto-estradas(42)

automóvel(38)

trânsito(31)

energia(30)

portagens(27)

todas as tags

links

arquivos

Setembro 2016

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Julho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Novembro 2012

Outubro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006