Sexta-feira, 21 de Agosto de 2009

Não existem semáforos entre bicicletas

Não existem semáforos entre bicicletas.

Nas cidades onde as bicicletas existem às carradas, não existem semáforos nos locais onde as bicicletas se cruzam apenas com outras bicicletas. Um cruzamento de ciclovias não precisa de regulação.

Não existem mesmo que o número de bicicletas seja o dobro, o triplo, ou quadrúpulo dos cruzamentos de automóveis.

Num pedaço de estrada cabem 10 ou 20 vezes mais pessoas a andar de bicicleta do que de carro. O mesmo cruzamento consegue fazer cruzar 10 ou 20 vezes mais pessoas em bicicleta do que de carro.

 

Este pensamento não me saia esta manhã da cabeça quando ia com pressa e tive que travar, sair da minha bicicleta, esperar um ou dois minutos por um semáforo, voltar a subir, cansar-me a pedalar só para alcançar de novo a velocidade que tinha antes do semáforo. E 500m à frente novo semáforo. E mais outro e mais outro. Isto apenas para que alguns de nós possam andar de carro. Se a grande maioria se deslocasse de bicicleta, ou a pé, ou de transportes, não existiriam semáforos. Enquanto a maioria abusar do carro, estamos condenados a este sistema ineficiente de cruzamento de pessoas.

 


Só para lembrar que em Lisboa é muito fácil saber quando chegam os próximos autocarros. Basta enviar um e-mail para sms@carris.pt com o código na paragem no título, ou um sms para o 3599 (0,30€) com o mesmo código, e em segundos obtém-se a resposta.

Os códigos podem ser descobertos no topo da página da Carris (código de paragem) ou neste ficheiro.

(Atenção, o ficheiro está num formato não-standard, um tal de .xls, mas o OpenOffice abre-o sem problemas)  

publicado por MC às 12:52
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8 comentários:
De Miguel a 21 de Agosto de 2009 às 13:43
MC, esse formato 'não-standard' é o formato que o Excel usava por padrão até 2006, por isso não admira que o Open Office o abra sem problemas... (agora usa o .xlsx)
De MC a 21 de Agosto de 2009 às 14:05
Eu sei ;)
Era só uma brincadeira com a obsessão da Microsoft em não usar os standards decididos internacionalmente, nem respeitar sequer os padrões que ela própria criou (falo de formatações que vão à vida entre versões do Word, segundo me contam).
De Miguel a 21 de Agosto de 2009 às 14:08
Ahh, ok. Às vezes podias ser uma pessoa que nunca tinha utilizado o excel e ter estranhado o tipo de ficheiro...
De Il Gladiatore a 23 de Agosto de 2009 às 01:44
Desculpe as perguntas, mas quando diz que "não há semáforos entre bicicletas" e quando diz "Nas cidades onde as bicicletas existem às carradas, não existem semáforos nos locais onde as bicicletas se cruzam", quer dizer exactamente o quê?
Quer dizer que não há semáforos para gerir cruzamentos com bicicletas e outro trânsito ou que não há semáforos nas vias exclusivas para bicicletas?
De PJ a 23 de Agosto de 2009 às 20:54
Viva,

não vou poder falar pelo autor do post MC, mas a minha interpretação é q se trata de uma metáfora. onde há muitas bicicletas, os cruzamentos raramente têm semáforos. mesmo quando há semáforos para bicicletas, eles raramente são respeitados.
a razão por que isto acontece é a seguinte (minha interpretação/ experiência): no arranque, o ciclista é capaz de gastar 20x mais energia do que em cruzeiro. quase inconscientemente, isto leva a um abrandar (e não a parar) para seguir no cruzamento. devido à boa visibilidade q um ciclista dispõe e capacidade de comunicar com ciclistas envolventes e peões, a negociação do "ora passas tu ora passo eu" é fluida e instantânea. os automóveis, no entanto respeitam os semáforos - e acima de tudo, respeitam também os ciclistas e a sua atitude, pois provavelmente muitos dos automobilistas também são ciclistas frequentes.
os semáforos nasceram para regular o trânsito de bicicletas? ou terá sido para o dos automóveis? então não estarão as bicicletas a "levar por tabela"? que esforço fisico extra tem um automobilista a acelerar ou travar num semáforo? onde está a justiça?

isto não é nenhuma utopia; está sempre a acontecer a toda a hora, como por exemplo estocolmo ou amesterdão, q são duas cidades onde já andei umas horas largas de bicileta!

cumprimentos,
De MC a 23 de Agosto de 2009 às 21:55
PJ,
sim, é verdade que quando há muitas bicicletas, mesmo nos cruzamentos com automóveis são necessários menos semáforos.

A razão é muito simples. A bicicleta ocupa um espaço tão diminuto, e tão ágil, que se podem cruzar imensas pessoas no mesmo espaço sem qualquer regulação. Com o automóvel, passam pouquíssimas.
De MC a 23 de Agosto de 2009 às 21:52
Il Gladiatore,
tem toda a razão. Escrevi o post como se todos pudessem ler o que tinha na cabeça.
Estava a pensar em cruzamento de bicicletas com bicicletas. Mesmo quando há um grande número, não é necessário semáforos. Ou seja, quem anda de carro está a obrigar os outros a ter que esperar nos semáforos.
Vou alterar o post para ficar mais claro.
De Henrique a 28 de Agosto de 2009 às 21:38
O que você escreve é uma das máximas lógicas do "carrocentrismo": todo o sistema de trânsito é pensado em função do automóvel. Os outros - pedestres, ciclistas e até o transporte público - tem de se adaptar a ele, como um subsistema subalterno, uma forma inferior de deslocamento. Isso não tem nada a ver com a busca desenfreada por "eficiência" - essa máxima do capitalismo que não vale, justamente, para o seu maior símbolo -, mas com ideologia. Quanto aos aspectos operacionais do trânsito, é interessante ler o que tem escrito o Tom Vanderbilt sobre as vantagens das rotatórias (ou rotundas, como vocês dizem em Portugal). Se você quiser, eu lhe envio o link.

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