Domingo, 16 de Agosto de 2009

Um julgamento histórico?

Segundo noticia o JN, os dois condutores envolvidos numa colisão que vitimou 17 pessoas serão julgados em Novembro. Incorrem em vários crimes mas destaque-se que a ambos é imputada a responsabilidade de homícidio por negligência a cada uma das vítimas mortais.

 

Não conhecendo os pormenores todos do caso, lembro-me de ter lido recorrentemente na imprensa os seus desenvolvimentos; desde logo foi apontado como possibilidade a acusão de homícidio por negligência, o que julgo ser inédito na justiça portuguesa; uma equipa do Instituto Superior Técnico foi contratada para poder reconstituir o acidente e inferir a quem cabiam as responsabilidades. Penso que normalmente só em casos muito flagrantes é que a culpa é atribuída ao automobilista.

 

A sinistralidade rodoviária é um problema de saúde pública com enormes impactos económicos. Há vários factores envolvidos, desde o mau planeamento das estruturas, segurança relativa dos automóveis até aos factores humanos como sonolência, inexperiência ou condução sob a influência de drogas. São estes que as campanhas de sensibilização tentam combater. Qualquer propaganda que se faça acerca dos objectivos a cumprir não deixa de ser sempre um pouco mórbida: ficamos contentes se morrerem menos pessoas neste ano do que no ano passado.

 

É por esta razão que este julgamento pode ser histórico. A colisão foi investigada, tal como o crime que é, com o objectivo de apurar as causas e derivá-las em última instância para os condutores. Existe portanto a intenção de responsabilizá-los e é isso que deve ser aplaudido. Em Portugal, o que vinga é sempre a desculpabilização dos intervenientes e o desprezo pelas regras mais elementares; o resultado na circulação rodoviária está à vista.

 

Já o MC tinha abordado as consequências que a condução parece ter para o condutor; há uma perda de percepção da velocidade directamente relacionada com o conforto e o sentimento de poder que a condução proporciona; o automóvel parece expandir as nossas capacidades mas ilude-nos quanto ao impacto das mesmas. Não nos apercebemos que uma mísera velocidade de 50km/h é suficiente para ser mortífera.

 

A frase que ouvi do meu professor de condução nunca fez tão sentido: vocês não estão a tirar a carta; estão a tirar uma licença de porte de arma.

publicado por TMC às 16:17
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