Quarta-feira, 12 de Agosto de 2009

Subsidiar os Transportes Públicos? O que diz a Teoria Económica

Há sempre muitas discussões sobre o financiamento dos transportes públicos, havendo quem defenda que tal intervenção governamental é contrária ao desejável bom funcionamento do mercado de transportes urbanos. É dito também que causa concorrência injusta por se tratar de  um subsídio entregue apenas a um sector desse mercado enquanto outro sector, o automóvel, é seriamente taxado. Esta argumentação mostra alguma falta de conhecimentos sobre Teoria Económica.
Curiosamente na última edição da American Economic Review (a revista mais prestigiada em ciência económica) há um artigo de dois dos melhores economistas de transportes do mundo sobre este tema. E diga-se que não é assim tão comum o tema da economia de transportes ter direito a esta honra.

O estudo analisa os subsídios para o metro/comboio e o autocarro nas horas de ponta e fora delas em Londres, Washington e Los Angeles. Foco-me em Londres por ter uma estrutura mais semelhante a Lisboa, mas os resultados são muito parecidos para as restantes. Os autores concluiem que o Metro deveria passar dos actuais 67% de subsídio no custo de funcionamento em hora de ponta para mais de 90% (não quantificado). Fora da hora de ponta, de 72% para 78%. Para o autocarro deveria subir dos 59% para mais de 90% no primeiro caso, e de 40% para mais de 90% no segundo.

Este tipo de resultado é aliás mais que consensual entre os especialistas. Ainda citando o mesmo artigo, primeiro porque os principais custos dos transportes públicos são fixos, logo um aumento de passageiros implica uma enorme poupança por passageiro. Segundo porque desincentiva o uso do automóvel, cujo mercado não deve seguir a lógica do mercado livre porque o seu uso tem impactos negativos em terceiros (congestionamento, poluição, sinistralidade, espaço ocupado etc.).
Os autores não focam o papel na justiça fiscal que estes subsídios podem ter. Argumentam contudo que ter isso em consideração só lhes daria mais razão, já que a população mais pobre sai beneficiada com este tipo de subsídios.
É sabido que aumentar a carga fiscal, mesmo que reciclada, também tem impactos negativos na economia. Os autores mostram que se se tiver isto em conta, os seus resultados pouco são alterados.
Ligado a este último ponto, os autores sublinham que uma maior taxação do automóvel é  sempre preferível à subsidização do transporte público, algo também consensual entre especialistas. O estudo apenas quer abordar o que deverá ser feito no caso de esta hipótese estar fora de questão.
Should Urban Transit Subsidies Be Reduced?
Parry, Ian W.H. & Small, Kenneth 2009, AER vol.99,no.3
 

A participar: a estratégia para o futuro na sustentabilidade dos transportes na União Europeia está em discussão pública até 30 de Setembro.

publicado por MC às 13:40
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35 comentários:
De António C. a 12 de Agosto de 2009 às 14:47
'Os autores não focam o papel na justiça fiscal que estes subsídios podem ter. Argumentam contudo que ter isso em consideração só lhes daria mais razão, já que a população mais pobre sai beneficiada com este tipo de subsídios.'

Isso é em países onde 'a população mais pobre não vai de carro pôr os filhos à escola'...
De Vasco a 12 de Agosto de 2009 às 23:29
António, gostava de saber qual a sugestão para ir pôr os filhos à escola. Quando normalmente existem 4 pontos distintos, casa, escola, trabalho da mãe e trabalho do pai (imaginemos todos eles na mesma cidade - Lisboa).
Como é que se chega a tempo a uma escola que fecha às 19h no máximo, quando se trabalha até às 18h30 ?

Eu gosto de andar de bicicleta em Lisboa, prefiro muito mais ir de transportes, mas este assunto é sempre tratado com radicalismo, normalmente por quem não tem filhos e não se dá conta da ginástica que é necessário fazer no dia-a-dia, ou então olha para o próprio caso como se fosse caso geral.

Qualquer pessoa que saia do trabalho 30 min. antes de uma escola fechar (o trabalho até às 17h é um mito ou só para poucas profissões) não tem a minima hipótese, mas é típico ver criticas às pessoas que vão à escola de carro como se fosse por mero comodismo.

Gostava sinceramente de uma sugestão prática, não numa Lisboa ideal, mas na realidade.
De António C. a 13 de Agosto de 2009 às 00:39
"Some men see things as they are and ask why. Others dream things that never were and ask why not"
- George Bernard Shaw -

Há ainda aqueles que têm de ir buscar os filhos à escola e não pensam nestas coisas.

No entanto, se eu pensar que o meu filho de 10 anos não pode ir para a escola de forma segura, a pé ou de transportes algo está de facto mal com a minha sociedade.

Tenho 25 anos e lembro-me de me ter sido dada a responsabilidade de ter uma chave de casa para poder voltar depois da escola quando tinha 8 anos. Se fosse hoje em dia provavelmente os meus pais iriam presos.

Se as ruas não são seguras para as crianças se deslocarem autonomamente em que raio de cidade (e sociedade) vivemos...

para acabar com mais uma frase famosa e popularizada em 68:

"Sejamos realistas, exijamos o impossível."

De CAV a 13 de Agosto de 2009 às 10:28
Eu trabalho em Lisboa, o meu filho está numa creche em Carcavelos. Quando sou eu a levá-lo, vai comigo de autocarro, volto, pego na bicla e vou até à estação da CP e venho de comboio. Onde usei o carro aqui?
Hoje em dia tudo é justificação para não se deixar o popó em casa. Basta ver as praias da linha no fim de semana. Não me digam também que os comboios são piores do que há 15 anos atrás???
De Vaco a 13 de Agosto de 2009 às 13:40
De manhã não há desafio. É só levantar com a antecedência necessária.

E à tarde quando sais do trabalho e só tens 30 min para chegar à creche também vais de autocarro+bicla e chegas lá antes de fechar ?
De MC a 17 de Agosto de 2009 às 17:07
;)
De anape a 13 de Agosto de 2009 às 04:39
Gostaria de salientar alguns pontos que passam um tanto à margem do estudo:

1º) «tal intervenção governamental é contrária ao desejável bom funcionamento do mercado de transportes urbanos.»
Também os subsídios aos Bancos foram contrários ao desejável bom funcionamento do mercado... e não foi por isso que não se "derreteram milhões" para se taparem buracos|fraudes financeiras e negociatas especulativas que em nada favorecem os países-estados-nações e cidadãos.

2º) Qual mercado? Não existe "mercado". Existem lobbies, cartéis, sem regulação a todos os níveis desde o económico-financeiro, passando pelas energias, comunicações, media, etc....

3º) Justiça fiscal, o que é isso? Quando por ex. no nosso país a Banca é sinónimo de USURA para com os seus clientes e em contrapartida devolve ao Estado uma finíssima fatia do enorme bolo (lucros) que devora a todos, particulares e empresas (PME)?!

4º) Transportes públicos urbanos, semi-urbanos: Daria pano para mangas uma abordagem séria sobre os mesmos, nomeadamente: conforto, cumprimento de horários, preços (versus famílias), etc..

5º) Quanto aos combustíveis - outra falácia - com que somos bombardeados diariamente, pois por mais que desçam os preços na restante Europa|Mundo, por cá a tendência é sempre inversa. Isto para não falar dos abusos em mordomias dos (ir)Responsáveis Gestores das várias empresas: Galp, Tap, Refer, etc...

Em minha opinião - decididamente SIM.
Enfim, muito haveria sem dúvida a dizer e a exigir!!!
De MC a 17 de Agosto de 2009 às 17:10
anape,em relação ao 5º ponto. os preços dos combustíveis em portugal são semelhantes ao resto da Europa.
alguns (poucos) euros acima da média na gasolina, e alguns (poucos)euros abaixo no diesel.
De anape a 18 de Agosto de 2009 às 04:51
Ouso discordar, caro MC, pelo que passo a transcrever algumas notícias e já agora... algo mais:

1º) in “Público” - 14.08.2009
«Os postos explorados pelos supermercados portugueses praticaram preços médios de venda de combustíveis ao público quase 10 cêntimos mais baixos do que as petrolíferas, durante o primeiro trimestre de 2009, indica o relatório de acompanhamento do sector divulgado pela Autoridade de Concorrência (AdC). Os postos explorados pelos supermercados portugueses praticaram preços médios de venda de combustíveis ao público quase 10 cêntimos mais baixos do que as petrolíferas, durante o primeiro trimestre de 2009, indica o relatório de acompanhamento do sector hoje divulgado pela Autoridade de Concorrência (AdC).»

2º) «Relatório da Autoridade da Concorrência
Em Portugal, os preços dos combustíveis continuam a ser dos mais altos entre os 27 Estados-membros da União Europeia (UE-27), quer nos preços sem impostos, quer nos com os impostos.
A Autoridade da Concorrência divulgou um relatório onde coloca Portugal entre os países com o combustível mais caro dos 27 Estados-membros.
O relatório de acompanhamento dos mercados de combustíveis, do primeiro trimestre deste ano, revela que Portugal ocupa a sétima posição com o preço médio da gasolina 95 octanas mais alto entre os 27 da UE.
Quando se avaliam os preços sem os impostos (IVA e ISP), Portugal encontra-se em nono lugar com o preço mais alto da gasolina 95 octanas.
No caso do gasóleo, os preços praticados em Portugal posicionam o país no nono lugar, quando excluídos os impostos torna-se o país com o sexto preço do gasóleo mais alto.
O relatório da Autoridade da Concorrência revela também que os preços médios do litro dos combustíveis em Portugal sofreram uma redução de mais de 25 cêntimos no primeiro trimestre de 2009, face ao período homólogo.
O preço da gasolina em Portugal diminuiu 18,3% (25,3 cêntimos por litro) no primeiro trimestre deste ano, em comparação com os três primeiros meses de 2008.
No caso do gasóleo, a descida do preço foi de 21,1% (25,5 cêntimos por litro) no primeiro trimestre de 2009, em comparação homóloga.
http://economico.sapo.pt/noticias/precos-dos-combustiveis-cairam-mais-de-25-centimos-num-ano_67494.html

3º) Curiosamente, a 4 de Janeiro de 2008 o petróleo rondava USD 98 e a 7 de Março USD 102.
A 2 de Janeiro de 2009 rondava USD 34 e a 6 de Março USD 44.
Ora, pelas contas da AdC só dá 25 Cêntimos de diferença?
http://tonto.eia.doe.gov/dnav/pet/hist/wepcbrentw.htm

4º) A 09 Ago - Vai haver mais petróleo disponível em 2010
http://economico.sapo.pt/noticias/vai-haver-mais-petroleo-disponivel-em-2010_67241.html

5º) A 06 Ago - A reconhecida futurologia da GALP:
Galp prevê que combustíveis não desçam
http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Economia/Interior.aspx?content_id=1327021

Em suma, para além da especulação mundial que tem forçado o preço desta matéria-prima, não podemos esquecer a brutal especulação dos cartéis nacionais e mais propriamente a Gestão de topo da Galp.
cumpr.
De MC a 21 de Agosto de 2009 às 12:25
anape,
óptimo, eu adoro que discordem de mim construtivamente!

1) Nada diz sobre os preços em Portugal vs resto da Europa. Apenas espelham uma estratégia comercial de atracção de clientes dos hipers

2) Os jornais escolhem as estatísticas que lhes apetece, eu sugiro sempre ir às fontes. Mais, comprar períodos pequenos não tem significado estatítico nenhum. Por isso aqui vai: ultimo relatório da DG de Transportes da Comissão Europeia:

http://ec.europa.eu/transport/publications/statistics/doc/2009_energy_transport_figures.pdf

Preços do Diesel em Portugal (na UE25) nos 3 últimos anos disponíveis (só há valores de 2005 a 2007):
0.834 (0.948)
1.196(1.094) ????????
1.019 (1.052)

Da gasolina 95
0.996(1.034)
1.196(1.192)
1.239(1.150)

Pus os ???? porque aquele preço está completamente fora do resto e por uma coincidência enorme é igual ao da gasolina, e nunca me lembro do gasóleo ter o preço da gasolina. Suponho que seja erro de copypaste
Nos restantes 5 números, Portugal está 4 vezes abaixo da média.

3) não percebi o 3º ponto. Do que me recordo do relatório da AC, os preços eram sempre em euros. Nos últimos anos tem havido uma enorme variação do câmbio

4) também não percebi :(

5) também não :(

Fiquei sem perceber a ligação do parágrafo final com o resto. O argumento da especulação não colhe, porque os especuladores compram "opções de compra", não compram petróleo para guardar no gabinete. Logo tanto especulam para cima como para baixo. O que está a acontecer é que a produção mundial de petróelo já está a diminuir nos últimos anos, e como a procura é inelástica, os preços explodem.
Especulação da GALP? Mas as petrolíferas são livres de comprar em Espanha...
De MC a 21 de Agosto de 2009 às 13:31
Ok, no Eurostat os dados estão correctos.
O tal valor com os ??? é na realidade 0,981. Assim dos 6 valores existentes, Portugal está abaixo da média em 5 deles.
De anape a 23 de Agosto de 2009 às 05:12
O assunto é bastante complexo e envolve muitas variantes, pelo que tentei pesquisar por informação útil de forma a bem fundamentar uma contra-argumentação e, infelizmente pouco encontrei nos media nacionais e até na própria GALP|AdC. Ou seja, comparam-se percentagens de quedas (crude|PVP combustíveis) e pouco ou nada de esclarecimentos, antes pelo contrário muita deturpação. Porém, lembrei-me dum sítio óptimo para este tipo de consultas, ei-lo -> GALP/combustiveis - Desmontando o mito (analise semanal): http://caldeiraodebolsa.jornaldenegocios.pt/viewtopic.php?t=63993&postdays=0&postorder=asc&start=0
Efectivamente, caro MC, fui induzida em erro pelas sensacionalistas notícias nos media nacionais.
Em suma, apesar de estarmos hoje um pouco mais afastados da média europeia [(2/3 cêntimos acima) que se devem a maiores margens de lucro e inflação], estamos (para mim foi uma surpresa!) perfeitamente alinhados com os preços da vizinha Espanha. Eis os números verdadeiros e que realmente importam:
2008
Europa 0.783
Portugal 0.806 (+0.023)

2009
Europa 0.451
Portugal 0.479 (+0.028)

É evidente que a carga fiscal em Portugal faz toda a diferença: PVP = Preço Base + Impostos (68% do PVP no caso da gasolina e 50% no diesel!), ou seja a componente fixa (c/actualização anual de acordo com inflação) conhecida por ISP que é de 0.583 euro/litro na gasolina e 0.364 euro/litro no gasóleo (em Espanha o valor do ISP é muito próximo para ambos os produtos) e no final aplicado sobre soma do PB (preço base) +ISP, surge o IVA, + 20%.

Quanto a:
«O que está a acontecer é que a produção mundial de petróleo já está a diminuir nos últimos anos, e como a procura é inelástica, os preços explodem.»
Muito se tem especulado sobre as reservas de petróleo no mundo e até quando elas irão resistir, no entanto pelo que tenho lido acredito que dependerá muito do ritmo (retracção) de consumo e/ou de descobertas de novas reservas, bem como da progressão e transição para novas fontes alternativas. É bem possível que esta transição seja progressiva e que o consumo comece mesmo a abrandar, ou até a regredir, pelo que se poderá dar o caso de não darmos por grandes "explosões" de preços. Além do mais já se regista uma pequena queda do consumo na ordem dos 6%, pelo que não será difícil antever uma maior retracção.
De MC a 24 de Agosto de 2009 às 11:26
Anape,
não sei se ficou claro, os preços que dei eram já preços finais com a carga fiscal. Obviamente que a nossa é maior do que a Espanha, mas é a Espanha que é a excepção na Europa, não Portugal.
E como tenho defendido, a carga fiscal continua ridícula face aos custos totais do meio rodoviário. É um sector da economia que é financiado pelos outros.

Extracção de petróleo. O que acontece é que a extracção já está a diminuir.
Novas reservas: desde os anos 60 que a descoberta de novas reservas está em queda. E seguindo os padrões de descobertas de reservas de outros recursos naturais, não é previsível que haja algum aumento no petróleo.
http://menos1carro.blogs.sapo.pt/68426.html

Consumo: esses 6% são a queda do consumo global ou consumo per capita (com a população a crescer...)? Reporta-se a que anos?

Ainda não percebi os pontos 3, 4 e 5
De anape a 25 de Agosto de 2009 às 02:29
Segundo a AdC: «Não é Portugal que tem preços mais altos nem maiores impostos, é a Espanha que tem preços mais baixos e impostos mais baixos que a Europa», explicou o presidente, acrescentando que, depois de impostos, os preços em Portugal, face a Espanha, são cerca de 25 cêntimos superiores. http://diario.iol.pt/economia/combustiveis-concorrencia-portugal-adc-gasolineiras/958699-1730.html

Quanto aos pontos:
3) É evidente que sim, praticamente toda a matéria-prima tem a mesma origem, sendo o preço base em USD e depois convertido para euros (Europa), conforme a análise do “caldeirão da bolsa”. Basta conferir.

4) O facto de haver mais petróleo disponível invalida tendência do preço em baixa e se a retracção se mantiver (menos procura), logo será previsível uma tendência de baixa nos preços na origem. E a confiar nas notícias…aqui: http://economico.sapo.pt/noticias/petroleo-cai-para-os-70-dolares-com-quebra-da-procura_67627.html
e aqui: http://economico.sapo.pt/noticias/petroliferas-fazem-promocoes-para-estimular-o-consumo-de-gasolina_66758.html

5) Neste caso e após os esclarecimentos obtidos no sítio referido não é de estranhar que os preços se mantenham, sem grandes descidas, dado que a componente impostos é bem superior. Claro que também é óbvio que a GALP aproveitará este período de baixa no petróleo para criar uma espécie de “almofada” (margem de lucro) caso haja uma eventual nova alta.
Quanto à minha crítica na gestão da GALP, tem a ver com isto -> “IDP: nota sobre a GALP” (secção comunicados) http://www.democraciaportuguesa.org/
De MC a 26 de Agosto de 2009 às 10:16
anape,
eu percebi os pontos 3, 4 e 5. Só não percebi onde queria chegar. Peço desculpa por não ter sido mais explícito antes.

Quanto ao 4)
- eu estava a falar de uma tendência de médio prazo. Subir ou descer em 2010 pouco diz sobre o que vai acontecer nos próximos 5 a 10 anos. E não contraria o que lhe disse, o ritmo de extracção do petróleo já tem uma tendência decrescente e desde os anos 60 que as descobertas de novo petróleo estão a diminuir.
- haver mais oferta esporádica, não implica baixa dos preços. Quem pode armazenar petróleo para vender depois, fa-lo-á. Esse padrão de tendência subida de preços à medida que os recursos diminuem, já foi observado em muitíssimos outros tipos de recursos, o petróleo não será diferente.
De anape a 30 de Agosto de 2009 às 02:41
Já não se trata apenas da minha opinião/convicção:
«E, para além das reservas existentes, há a questão da possível evolução da tecnologia de extracção que, presentemente, apenas é capaz de extrair cerca de 30% do petróleo existente.
Mas, em segundo lugar e quiçá com muito maior impacto, há o efeito que terá uma redução da procura, motivada pelo aumento da eficiência no seu consumo! Não é precisa uma eliminação da procura; basta uma redução consistente, para que os pressupostos quanto ao futuro em que se baseia a especulação possam ficar subvertidos e a bolha rebente, como as outras!»
http://a-ciencia-nao-e-neutra.blogspot.com/2009/08/alta-do-petroleo-regulacao-e-energia.html
De MC a 2 de Setembro de 2009 às 14:38
anape,

1) 30%
A tecnologia pode melhorar mas há um grande erro nesse tipo de raciocínio. Grande parte do petróleo está em localizações tõa dificeis que será sempre preciso gastar mais energia para retirá-lo do que a energia que ele contem. Aqui há limites que a física nos impõe, a tecnologia não pode evitar isso.

2) o aumento da eficiência não implica redução do consumo. A eficiência tem vindo a subir desde que há automóveis, mas o consumo de petróleo para automóveis não para de subir. mesmo em termos per capita

3) como lhe disse a extração de petróleo já está numa tendência de diminuição (se 2010 ou 2011 vão ter uma subda, não contrariam esta tendência)
De CAV a 13 de Agosto de 2009 às 10:25
Este tipo de estudo em Portugal é queimado e as cinzas lançadas ao mar. Prejudicar o lobby do carro e do petróleo é algo a nunca considerar
De MC a 17 de Agosto de 2009 às 17:12
o nível de subsídio dos transportes públicos em Lisboa e Porto é bastante alto.
aliás, o estudo diz exactamente que tanto nos EUA como reino unido, os subsídios são demasiado baixos... ou seja também foi atirado às urtigas :)
De PJ a 16 de Agosto de 2009 às 23:35
creio q uma das questões q mais potenciou o meu interesse por este tema da mobilidade terá sido um artigo sobre "levar os filhos à escola". a lógica nele apresentada era algo como "vias públicas são pouco seguras -> então os pais levam as crianças de carro -> então a quantidade de automóveis aumenta -> então a insegurança aumenta também".
podemos ainda acrescentar aqui o factor "pais apressados", ou stressados ou seja o q for, o q piora o cenário.
não tenho filhos mas sou filho. andei em três escolas diferentes. usava bicicleta ou autocarro. não, não era o único; o mesmo acontecia com os meus colegas. não, não percebo porque será hoje em dia diferente.

..não será isto mimar em excesso as criancinhas?

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quanto ao subsídio, não tenho uma opinião muito sólida, q admito q não percebo muito (mas já tou a aprender :p)
vi uma vez um artigo sobre o subsídio nos bilhetes/ viagens comparando a realidade do metro de lisboa e do porto. alguém já viu este artigo?.. saberá por onde anda na internet?..

cumprimentos,
De MC a 17 de Agosto de 2009 às 17:17
PJ,

o principal problema na mobilidade é exactamente as pessoas não se aperceberem que fazer parte do problema, exigindo soluções sem notar a incongruência.
o caso das crianças levadas para a escola é isso mesmo.

não sei desse estudo, mas julgo que o metro do porto recebe menos dinheiro do estado. de qualquer modo, eu sou totalmente contra os subsídios pagos pelo estado. temos o país inteiro a financiar os lisboetas e portuenses. tal como os autores dizem o que é necessário é taxar o automóvel nas cidades. com o dinheiro cobrado poderia-se apoiar os transportes públicos e baixar os impostos a quem mora fora das cidades

cumps
De PJ a 17 de Agosto de 2009 às 22:22
mmmm...
suponho então q o melhor modelo fosse subsidiar os transportes públicos e taxar, simultaneamente, o automóvel pela sua circulação na cidade - no fundo, um pouco como acontece em (algumas) auto-estradas.

mas, será q as assimetrias - q existem e são bem palpáveis - entre lisboa, porto, ou resto do país podem servir de argumento para não taxar o automóvel?

até q ponto será realista, prejudicial ou benéfico, o argumento de Rui Rio «não vou taxar os automóveis porque não existe por exemplo metro até gondomar porque o Mário Lino bloqueou todo o processo de construção para se dedicar a tempo inteiro a Otas e TGVs»? porque «o Norte está a 70% do PIB nacional»?

q dizer sobre este tipo de argumentos?

cumprimentos,
De MC a 21 de Agosto de 2009 às 11:51
Eu acho é que assimetrias são um argumento fortíssimo para taxar o automóvel EM VEZ de subsidiar os transportes públicos. Taxar o automóvel significa cobrar (e uma cobrança justa, já que o automóvel não está a pagar os custos que acarreta) aos habitantes das grandes cidades e puder baixar os impostos aos outros.
Subsidiar os transportes públicos significa subir impostos do interior para dar a quem vive nas grandes cidades.

Quanto aos 70%, não será certamente a região do Grande Porto... Mesmo que fosse, redistribuir das regiões ricas para as pobres não deve ser feito a pontapé. Esse argumento implica dar dinheiro a quem anda de carro no Porto, que não será obviamente a população mais pobre do país!
De anape a 18 de Agosto de 2009 às 06:02
«temos o país inteiro a financiar os lisboetas e portuenses.»

Efectivamente nunca se descentralizou (excepto no que diz respeito a alcatrão/AE) e daí temos o país que temos amontoado no litoral, com um interior praticamente deserto.
A mesma, ou maior incongruência - o país todo a financiar uma parte - reside nos "elefantes brancos" AE; TGV e outros modelos de despesismo sem efeitos práticos na melhoria ambiental e /ou de competitividade das empresas e /ou mobilidade dos cidadãos e mercadorias.

Eu, normalmente sou contra os subsídios estatais, pois todos nós já pagamos impostos demais sem real retorno. Contudo, os TP deveriam, a meu ver, ser substancialmente subsidiados e dinamizados de forma a serem uma verdadeira alternativa, quer em termos ambientais, quer em termos sociais e económicos.
De outro modo, jamais o serão, mesmo em tempos de crise, dada a forte componente sócio-cultural recém instalada (automóvel=status).

A acrescentar ainda que as zonas suburbanas são hoje densamente povoadas, os chamados "dormitórios" e consequentemente a rotina diária de centenas de pessoas se resume à deslocação, no mesmo horário, para as cidades para os seus empregos e/ou escolas. Ao fim do dia dá-se a debandada no sentido contrário.
Ao se utilizar maioritariamente o automóvel porque este reduz o custo da deslocação familiar no TP, aumenta significativamente o número de veículos em fila com todos os inconvenientes que escuso enumerar. Também é certo que existem muitos veículos automóveis que transportam apenas 1 única pessoa - o condutor. Contudo, a maioria justifica que não tem TP adequado, ou horário adequado e o preço do passe mensal (quando existe) não compensa. Por experiência própria confirmo quee facilmente trocaria o automóvel pelo TP se tivesse alternativa viável.
Relembro também o transporte de mercadorias por veículos +/- pesados, dada a falta de resposta por parte da CP/Refer.

De salientar também que ao se subsidiar todos os TP, todos os utentes seriam beneficiados sem excepção, (embora junto à fronteira com Espanha exista o usufruto dos preços dos combustíveis espanhóis), logo não seria um benefício exclusivo dos principais centros urbanos.
cumpr.

De PJ a 18 de Agosto de 2009 às 22:45
acho q concordo com bastantes dos pontos enumerados.
temos um recente post q fala de 4.500€ gastos por metro de autoestrada. e se, em vez de ter sido gasto numa autoestrada, este valor tivesse sido apostado em sistemas de transportes públicos?
também acho que a centralização tem sido um travão à dinamização de cada região neste aspecto dos TP, sua integração, fluidez e qualidade.

no entanto dificilmente concordo com o argumento de que andar de carro fica mais barato, porque isso é de quem nunca fez as contas, muito menos fez as contas incluindo "custos ambientais"..
De MC a 21 de Agosto de 2009 às 12:30
Mais uma vez, eu prefiro baixar os impostos (ou usa-los de outro modo) a subsidiar os TP, porque o subsídio reverte para zonas mais favorecidas.
Para atingir o desejado diferencial entre carro e TP, deve é taxar-se o automóvel.
De MC a 21 de Agosto de 2009 às 12:27
Subsidiar os TP só beneficia quem os tem. O interior não os tem.
Subsidiar os TP como é feito actualmente é tirar ao interior para dar às cidades.
De anape a 23 de Agosto de 2009 às 05:54
Se o interior os não tem, julgo que muito se deve às autarquias que nada fazem para dar maior conforto às populações. Possivelmente uns mini-bus em horários regulares, resolveriam o problema de transporte nas pequenas cidades e povoações. Dou o exemplo da zona que adoptei para viver (Torres Vedras), onde usufruímos de uns mini-bus que interligam toda a cidade (incluindo terminais da CP e Rodoviária). Em intervalos de 15 minutos (excepto à hora de almoço) estes veículos resultaram numa significativa diminuição de veículos e, consequentemente, aliviaram a pressão do parqueamento no centro histórico.

Por outro lado, depois da pesquisa que referi, creio que já não se coloca a questão de o Estado subsidiar ou não os TP. Bastava que não arrecadasse, ou isentasse, uma boa parte da carga fiscal com que onera os combustíveis e as viaturas necessárias aos TP das regiões do interior e não só.
Posso, evidentemente, estar errada... até porque não conheço o sector mas, penso que esta seria uma boa solução.

Quanto a onerar ainda mais as viaturas automóveis, não concordo, pois elas já sofrem uma pesada carga fiscal e assim irá continuar mesmo que só existam apenas veículos "amigos" do ambiente, sobretudo quando os TP não estão devidamente implementados.
De MC a 24 de Agosto de 2009 às 11:47
Quando disse "interior" deveria ter dito "aldeias". Mesmo comparando cidades grandes e pequenas, as segundas nunca terão infra-estruturas caras com Lisboa e Porto, logo o subsídio de Lx e Pt pelos restantes mantém-se.

Depois há outra razão pela qual eu (e diga-se que é consensual entre os economistas de transportes) sou pela taxação do automóvel e contra subsídios dos TP.
A taxação da rodovia pode parecer elevada, mas não cobre os custos do sector (http://menos1carro.blogs.sapo.pt/18511.html)
Ou seja, tornar tudo mais barato nos transportes equivale a ter um sector financiado pelos impostos. Quem anda de mais é financiado pelos restantes. Vejo muitíssimos sectores onde isto deveria acontecer antes dos transportes.
De anape a 25 de Agosto de 2009 às 02:47
Continuo a discordar pelo simples facto de que todos os automobilistas já pagam demasiados impostos directos e indirectos (combustíveis; viaturas; IUC; etc...) e como não existem TP suficientes para quem mora fora das grandes cidades/capital; com maior e melhor frequência (normalmente os bus são de hora a hora nas chamadas horas de ponta e fora desses períodos são de 2 em 2 horas, na melhor das hipóteses); cumprimento de horários; confortáveis e a preços razoáveis.
Dou um exemplo -> Linha do OESTE (com uma única linha) há muito que deveriam ter sido feitos investimentos no sentido de dotar esta grande zona (Fig. Foz/Caldas/Lisboa) com uma boa resposta por parte da CP. Resposta esta a nível de transporte de passageiros e mercadorias. Porém, é a mais vergonhosa linha suburbana onde o cumprimento de horários é coisa rara, o número de comboios é hilariante (se não fosse caso sério) e o conforto, então... nem se fala. Preços inconcebíveis 1 passe para um jovem universitário (sem direito a desconto por ser jovem ou estudante) custava de T.Vedras -> Caldas em 2007/8 - aprox. 90,00€!
Resultado, para quem mora a pouco mais de 25/30 km de Lisboa - zona Oeste - tem forçosamente de ter carro, pois de outro modo não chega a horas a lado nenhum e tem de regressar até às 19.30H... se se atrasar volta de táxi, ou pede boleia a alguém, porque pura e simplesmente não existem TP.
Com todos estes inconvenientes ainda teremos de ser mais taxados? Fica a pergunta.
De MC a 26 de Agosto de 2009 às 10:19
anape,
1) o seu problema é o número de impostos, se são 1, 2 ou 3, ou o preço deles? é que não percebi.
2) pouco ou muito taxados. bom, isto é óbvio mas é preciso sublinhar que os subsídios não caem do céu. Para haver subsídios é necessário haver cobrança de impostos. O argumento de "já somos muito taxados" de pouco serve se não oferece alternativas.
De anape a 27 de Agosto de 2009 às 03:11
Fazendo minhas as palavras de Bastiat: «L'État, cette grande fiction à travers laquelle tout le monde s'efforce de vivre aux dépens de tout le monde.»

Caro MC, não é o "meu" problema em exclusivo, é o problema de todos nós portugueses, ou pelo menos daqueles que sentem ódio à contínua extorsão de que são vítimas.
O flagelo - impostos e subsídio dependência - ataca apenas e só os que não estão dependentes da cleptocracia e dos interesses por ela alimentados, logo, que pensar de um documento (programa eleitoral) de 120 páginas, em que a palavra “apoio” aparece 136 vezes, em contraste com a palavra/conceito “despesa”, que surge apenas oito? -> http://www.ionline.pt/conteudo/16045-choque-social-mas-onde-vem-o-dinheiro-tudo

E o que dizer ou pensar acerca disto? «Mais de metade do Porto é subsidiado» -> http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Nacional/Interior.aspx?content_id=1343822

Ou disto: Quatro bancos nacionais lucraram 760,7 milhões de euros este semestre -> http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Economia/Interior.aspx?content_id=1320693

Ou ainda, no mesmo país que perdeu nos últimos 4 anos 450000 empresas e 150000 empresários, deparamo-nos com esta inacreditável notícia: Dispara dinheiro em paraísos fiscais -> http://www.correiomanha.pt/noticia.aspx?channelid=00000011-0000-0000-0000-000000000011&contentid=F859472F-4144-4040-A2C6-CDEADC83D292

E se espreitarmos aleatoriamente os ajustes directos, verificamos, por exemplo, pérolas deste tipo: um país pobre que renova licenças de software proprietário, em vez de apostar no open source e nos jovens académicos que o desenvolvem, avolumando assim a despesa pública e a dependência em mais 16 milhões de euros -> http://transparencia-pt.org/?search_str=Microsoft

Caro MC, como é que não nos havemos de sentir espoliados? Eu sinto-me!

O que é que esses 16 milhões não poderiam fazer pelos TP nacionais?!

Fico-me por aqui, reiterando o meu crónico não a mais impostos e taxas sobre os combustíveis e/ou sobre os veículos automóveis, sabendo de antemão quais são as prioridades neste país e enquanto os TP não forem, como já deveriam ter sido há muito, amplamente dinamizados, desenvolvidos e modernizados de forma a serem uma verdadeira alternativa de mobilidade.
Só após esse investimento de todos (Estado) é que se poderá eventualmente impor penalizações no uso do transporte particular nas cidades. Contudo, antes dessas penalizações há que oferecer verdadeiras alternativas de deslocação aos cidadãos. Para tal, basta que haja mais vontade política e menos "negociatas", compadrios, ou o que se lhe quiser chamar. Afinal, quem paga é o contribuinte e este (falo por mim) está mais que saturado.
Saudações
De anape a 29 de Agosto de 2009 às 23:24
«Transportes públicos eficientes reduzem a poluição drasticamente, bem como a utilização de veículos
de emissão zero, movidos a hidrogénio ou a energia solar, os quais estão já em desenvolvimento ou
em uso. Em pequena escala, na Suiça ou nos Estados Unidos da América, o ciclismo é claramente a
opção energética mais eficiente. O automóvel utiliza 1 162 calorias por passageiro.km, o autocarro
575, o caminho-de-ferro 553, caminhar 62 e a bicicleta apenas 22. Manter os automóveis fora dos
centros das cidades, libertando espaço para as áreas de lazer públicas, áreas verdes, produção
alimentar e habitação, constitui pois um princípio importante.»
Ambiente e Construção sustentável: http://www.lidera.info/resources/ACS_Manuel_Pinheiro.pdf

Saudações e bfs!
De MC a 2 de Setembro de 2009 às 14:33
anape,

eu fico sem saber o que fazer quando escreve textos enormes sem responder ao que lhe escrevi.

Perguntei

1) se o seu problema é haver uma grande quantidade de impostos, ou haver impostos altos

2) software proprietário: eu sou um fã do opensource (nem windows uso no emprego por iniciativa minha), mas sejamos justos. 16 milhões pouco ou nada servem para os TPs. São migalhas comparados com os subsídios que são dados.

Repito, se quer subsídios aos TPs e não quer taxar automóveis, vai pôr quem nunca terá TP a pagar (quem mora em aldeias) a pagar por quem vive nas cidades?
De anape a 25 de Agosto de 2009 às 03:22
Esqueci de sublinhar o facto que estou a falar de T.V. porque há outras zonas urbanas com alguma dimensão (Arruda dos Vinhos Sobral de Mte. Agraço) que não usam o comboio por ser de todo inviável ou com complemento da viatura própria.
E mais, somente 2 bus que ligam Lisboa a estas localidades (distam aprox. 25 km de Lisboa) nas chamadas horas de ponta (manhã e noite) usam as AE (8 e 10). Tudo o mais é um autêntico martírio de "visita às capelinhas"!
É também evidente que quem (como eu e família) há mais de 15 anos optou por viver fora de Lisboa na esperança da prometida descentralização foi deveras enganado, porque Portugal continua a ser Lisboa e Porto, o resto é paisagem!

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