Sexta-feira, 7 de Agosto de 2009

Quanto espaço ocupa um automóvel? II

Mais uma situação bastante simpática (do ponto de vista do automóvel) para avaliar quanto ocupa um carro na cidade, uma situação de trânsito bastante intenso na metade de baixo. Em 206m por 12m há 60 automóveis. Cada carro ocupa 41m2.

Na metade de cima, uma situação de tráfego fluído, mas ainda assim uma via-rápida movimentada. Há 17 carros. Cada carro ocupa 145m2.

Estes dados monstram a monopolização de espaço urbano necessária para uma cidade como Lisboa receber quase meio milhão de carros por dia (a somar aos aos milhares dos Lisboetas). Aliás basta passear na cidade, para ver que para lá da habitação, alcatrão e parques de estacionamento pouco sobra para a tornar numa cidade agradável. Mostram também a estupidez de basear um sistema de transportes, em que cada pessoa ocupada tanto espaço, criando tanto congestionamentos e perdas de tempo e ao mesmo tempo tendo enormes custos em infra-estruturas. Isto quando dentro de um autocarro cabem confortavelmente 50 pessoas ou quando a mesma rua permite o transporte de 18 vezes mais pessoas se elas forem de bicicleta ou a pé (ou autocarro).

publicado por MC às 14:56
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10 comentários:
De TMC a 7 de Agosto de 2009 às 16:17
E se alguém comentasse que o espaço exigido pelo automóvel é justificado pelas trocas económicas que ele possibilita?
De PJ a 8 de Agosto de 2009 às 13:02
trocas económicas possibilitadas pelo automóvel? claro q existem.
requerem no entanto, todas elas, necessariamente de automóvel? não creio.
amesterdão, estocolmo ou liubliana (n falo de copenhaga porque não conheço) são cidades de reduzidas trocas económicas por ser tão massiva a utilização de transportes alternativos? diria até "antes pelo contrário".
e finalmente, já reflectiu se se a (qualidade de) vida se mede e resume apenas a "trocas económicas"?
De MC a 9 de Agosto de 2009 às 13:54
Uma loja também possibilita trocas comerciais, mas não deixa de pagar renda por isso. Todas as actividades económicas têm que pagar pelo seu custo. Produzir trigo possibilita 1001 actividades económicas, mas tem que se pagar para o produzir.

No caso do automóvel está-se a escolher o modo mais estúpido de transportar pessoas, que tem um enorme impacto negativo nas actividades económicas dos outros. Produzir trigo não diminui a produção do vizinho, mas ocupar 50m2 de estrada diminui a qualidade de transporte do vizinho. Ocupar 5m2 num autocarro seria muito diferente
De Iletrado a 7 de Agosto de 2009 às 16:31
Caro MC
Não quero entrar em guerra de números, mas pelo que tenho lido por aí, nomeadamente a especialistas de trânsito, em jornais, nas rádios, em alguns canais de televisão e num ou outro colóquio sobre mobilidade, o cenário que traças é bem mais negro, porque a cidade recebe diariamente à volta de 400 mil carros por dia. Não creio que a cidade possa receber um milhão de carros por dia. Mas seria interessante se um dia destes um milhão de pessoas tentassem entrar de carro em Lisboa, cada uma entrincheirada nos seus 8 metros quadrados. Seria interessante ver os índices de produtividade nessa situação, caso isso sucedesse.
Boas pedaladas.
De MC a 9 de Agosto de 2009 às 14:04
Tens toda a razão. Eu também tinha esse número na cabeça, mas mais recentemente ouvi um milhão em algum lado.. e foi desse que me lembrei quando escrevi.

Aqui há um gráfico com essa informação:
http://osverdesemlisboa.blogspot.com/2009/03/entrada-de-veiculos-em-lisboa.html
De Iletrado a 7 de Agosto de 2009 às 16:36
Caro MC
Se me permites, também quero partilhar aqui uma peça notável da revista ABC, de 1926, que por acaso descobri neste endereço:
http://www.motorclassico.pt/conversa-da-garagem/945-pequena-historia-do-automovel-em-portugal.html. Procurem o título "O Drama da viação na cidade de Lisboa".
Penso que será útil para a discussão saber que já em 1926 havia um MC preocupado com o futuro...
Boas pedaladas.
De MC a 9 de Agosto de 2009 às 14:23
Delicioso!
Obrigado
De João P. Ferreira a 29 de Dezembro de 2016 às 18:56
Boas Miguel
Não julgo que esses cálculos sejam os mais carretos, pois como demonstras vai sempre depender das velocidades (que determina o espaço entre os carros), da largura das vias e das faixas (incluindo via de emergência e faixa central), e do tráfego, etc.
Diria que em abstrato o mais correto seria, caso fosse possível, calcular toda a área de alcatrão da cidade para locomoção, e dividir pelo número de carros que tem a cidade em hora de ponta.
abraços
De MC a 2 de Janeiro de 2017 às 18:04
Sim, admito que esta comparação não é tão preto e branco como a do espaço para estacionar, pela sua natureza... dinâmica :)
Mas o teu exemplo é mais "quanto ocupa o sistema automóvel", e não tanto um automóvel em concreto. Repara que o PSD Lisboa poderia usar a tua lógica, calculando o número de bicicletas por m^2 de ciclovia, e concluiria que a bicicleta ocupa mais que o carro :P
De JOAO P FERREIRA a 2 de Janeiro de 2017 às 18:12
Mesmo usando a minha lógica jamais as bicicletas ocupariam mais que os carros :) Pelas minhas contas e processamento de imagem a várias locais de Lisboa, o automóvel para locomoção e estacionamento, ocupa cerca de 2/3 de todo o espaço público na cidade de Lisboa.

Mas concordo, a natureza dinâmica do tráfego torna os cálculos difíceis de realizar.

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