Segunda-feira, 3 de Agosto de 2009

A "necessidade" de andar de carro e os portugueses

Nos dois períodos que vivi no estrangeiro, ambos integrado num ambiente internacional, os portugueses destacavam-se sempre por serem aqueles que tinham carro. Vivendo exactamente no mesmo local, com as mesmas necessidades de mobilidade e com a mesma oferta de transportes públicos, os portugueses tinham que trazer o carro da terrinha. Acabavam por ser mais os portugueses com carro do que os locais!

Num comentário há umas semanas um leitor contava que "trabalhava numa agência internacional com pessoas de todas as nacionalidades. Da dezena de portugueses lá, havia dois que não tinham carro. Apesar de ser mais complicado naquela zona ter carro do que não ter."

Se isto não prova que o argumento - repetido até ao enjoo - do "mas eu preciso mesmo do carro" que se ouve tanto por cá, é um enorme relativismo cultural, não sei o que provará.

 

Isto a propósito de um conversa com uma amiga alemã, que obviamente não vive no sul da Europa. Ao referir-se a um rapaz italiano, comentava que ele era "estudante com 22 anos e vê lá que já tem um carro dele!". Eu desatei-me a rir, obviamente. Alguém se espantaria com tal coisa, aqui no sul novo-rico e obcecado em não dar aparência de pobre?

 


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publicado por MC às 12:03
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8 comentários:
De Iletrado a 3 de Agosto de 2009 às 17:03
Caro MC
Tens conhecimento de um comunicado do ACP contra os eléctricos rápidos? Além da incongruência do acto (o que têm em comum o ACP e os eléctricos para o obeso presidente considerar que deve emitir comunicados sobre os restantes transportes?), repara num dos argumentos do dito gordo: os eléctricos rápidos são "um modelo utilizado internacionalmente para cidades pobres, como Bogotá." Aí está o estatuto. O que é preciso é não parecer pobre! Não conheço Bogotá, mas conheço Barcelona. Cidade que, a acreditar neste anafado, é uma cidade pobre de um país pobre, pois possui eléctricos rápidos...
Boas pedaladas.
De MC a 5 de Agosto de 2009 às 11:42
:)
Eu vi isso em algum lado, mas eu não gosto de dar tempo de antena a imbecis por aqui. Concordo a 100%
Boas pedaladas
De Iletrado a 3 de Agosto de 2009 às 17:14
Caro MC
Embora tenha de admitir que já há quem pretenda inverter este estado de coisas e atribuir a posse de um carro a quem é pobre. Santana Lopes disse na SIC mais ou menos isto: “Eu também não quero governar para os carros, quero governar para as pessoas. Mas são as pessoas que têm menos posses, que não têm outra forma de se deslocarem sem ser de carro, que precisam dele para levar os filhos às creches”. Quem sabe, se calhar não virá longe o tempo em que ter bicicleta será sinónimo de riqueza. E aí será um verdadeiro martírio fazer o IC19 de Mem Martins até Lisboa, completamente entupido de bicicletas topo de gama... Parece que já estou a imaginar os programas de trânsito nas rádios: "grande acidente na ponte 25 de Abril, colisão aparatosa na faixa da esquerda, entre um riquexó e uma bmx. Só metade da faixa da esquerda está disponível para passar, o que está a complicar a fluidez dos restantes velocípedes"...
Boas pedaladas.
De André a 5 de Agosto de 2009 às 03:39
Boas!

Belo blog! Fiz uma viagem recentemente à Bélgica e fiquei fascinado com a cultura das bicicletas que por lá existe. isto sem falar em Copenhaga (que não tinha ideia que era como é em relação a bicicletas) e sem falar na Holanda, mas aí eu já fazia ideia dessa cultura lá.

Tenho 18 anos e para já não vejo a minima necessidade de ter carro. Incrivel como muitos amigos e conhecidos só falavam em tirar a carta. E estamos a falar numa cidade como Barcelos! Ok se calhar serve, e até calha bem, para voltar para casa à noite de um concerto/whatever que vamos ver a outra cidade. Mas acho que a maioria das pessoas deviam fazer uma viagem ao centro/norte da Europa para ficar com uma ideia do que é mobilidade no centro de uma cidade. Essa frase da tua amiga é brilhante! xD

Bem, quanto a mim vou fazer a diferença aqui...nem que seja o único. Estou reticente mas isso passa.

Abraço.
De MC a 5 de Agosto de 2009 às 11:47
Viva André,
obrigado!

Pelo que conheço do ambiente jovem em Barcelos, estou a imaginar o tipo de conversas. Mas o mesmo se aplica a Lisboa.

Quanto a saídas e deslocações mais longe, e descontando as opções que há em Lisboa e não em Barcelos (muitas alternativas no centro & autocarros nocturnos). Eu já sai muitas vezes à noite em Lisboa, e cada vez há mais gente a fazê-lo. Para distâncias mesmo longas. há sempre o taxi. Claro que é caríssimo, custa dar uns 20 ou 30€ por uma viagenzeca, mas sai muito mais barato do que ter um carro. E pode se beber à vontade.

Ab
De André a 6 de Agosto de 2009 às 02:09
Lá está...há o belo do táxi ou como estamos em Portugal há o belo do amigo que tem carro.

E um táxi, se der para dividir a despesa...perfeito! Em vez de dares 20€ por semana para a gasolina (fora manutenção que um carro possa precisar/seguros/etc) não custa nada dar para o táxi.

Só hoje num pequeno percurso que fiz aqui (demorou cerca de 15 minutos) vi 4 pessoas de bicicleta. Febre da Volta a Portugal? Ando a reparar demasiado em bicicletas? Talvez...mas foram 4...e isto é Barcelos...e andei só em meia dúzia de ruas!

Gostei xD

Abraço :)
De PJ a 8 de Agosto de 2009 às 13:13
viva,

apenas como apontamento de curiosidade, há tempos fui a barcelos de bicicleta (vindo do porto). rolámos um pouco pelo centro da cidade, e realmente reparei em bastantes biciletas, para os poucos quilómetros q fizemos na cidade. tudo parece bem amigável para a bicicleta, com artérias fechadas aos automóveis e ao comportamento pouco stressado destes.. existem algumas subidas íngremes, mas não deixes q te inibam! é q se para lá é a subir, para cá é a descer! ;)
De André a 9 de Agosto de 2009 às 23:16
Viva!

Não havendo nenhuma ciclovia não me posso queixar do "espaço" que há para a bicicleta nesta cidade. As ruas estão remodeladas e na maior parte das vezes elas têm a largura de um carro...ou seja tens passeios enormes (que sabendo que a bicicleta não pode/deve andar lá) ainda assim existe espaço para uma boa convivência entre peões e bicicletas. Ainda assim mesmo na própria via não é dificil circular.

É uma não andar com a máquina fotográfica comigo porque já tinha arranjado umas belas cycle chic photos de Barcelos :D

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