Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

A poluição automóvel e a saúde de crianças e idosos

Notícia do DN já com um mês (versão completa aqui):

 

Urgências enchem-se de crianças com picos de poluição

 

(...)

Os picos de poluição em Lisboa fazem disparar o número de crianças com problemas respiratórios e também aumentar o risco de mortalidade, sobretudo na população idosa. É no eixo central da cidade, que corre do Lumiar para o castelo, que se incluem as zonas mais poluídas e o tráfego automóvel demonstrou ser o factor mais importante para a concentração excessiva de partículas no ar que os lisboetas respiram.

(...)

Os dados mostram, pela primeira vez, que, na sequência de picos de poluição (três a cinco dias depois), a afluência às urgências pediátricas do Hospital D. Estefânia por infecções respiratórias tem um aumento significativo. Isto, apesar de, habitualmente, estas doenças já representarem um terço dos atendimentos na unidade, sobretudo por infecções agudas, asma e pneumonia.

(...)

A equipa avaliou todas as faixas etárias e concluiu que há uma subida do risco de morte em 0,66% com um ligeiro aumento da poluição, que se situa em dez microgramas por metro cúbico (um micrograma é a milésima parte do miligrama). Mas para a população idosa, com mais de 75 anos, "esse risco é aumentado, sobretudo para as pessoas que sofrem de doenças respiratórias e do aparelho circulatório", explica.

(...)

"Lisboa tem em algumas zonas concentrações de partículas no ar muito acima dos valores-limite estabelecidos pela UE, com base nas recomendações da Organização Mundial de Saúde, e por isso decidimos fazer um estudo que caracterizasse essa poluição", conta Francisco Ferreira.

(...)

De acordo com a directiva europeia para a qualidade do ar, a concentração de partículas PM10, por exemplo, não pode ser superior a 50 microgramas por metro cúbico em mais de 35 dias ao longo do ano. Mas, à excepção de 2002, Lisboa tem excedido todos os anos esse limite.

 

Por curiosidade, segundo o qualar.org, hoje às 13h (uma hora com pouco trânsito, num dia em que já há muita gente de férias, num dia algo ventoso 30km/h segundo o Yahoo Weather) havia 43µg/m3 na "avenida" da Liberdade... pouco abaixo dos 50 máximos.

 


A ler, com especial dedicação ao Paulo Lourenço do JN: In Amsterdam, more trips now by bike than by car

publicado por MC às 17:49
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6 comentários:
De Creditos Por Telefone a 14 de Julho de 2009 às 00:34
Interessante este blog. Já á algum tempo que também procuro alternativas ecológicas e economicamente acessíveis para transporte pessoal. Infelizmente, vivo numa cidade onde a rede de transportes públicos apenas existe em teoria e ainda não me consegui livrar do automóvel no meu dia a dia. Tenho esperança que os carros eléctricos venham tornar-nos mais independentes do petróleo.
De PJ a 15 de Julho de 2009 às 02:48
viva,

a sua ecoconsciência é bem-vinda, mas atenção, há que ser crítico com o que nos é impigido (no caso, pela indústria automóvel).
carros eléctricos jamais o tornarão independente do petróleo.
existe demasiada energia dispendida no seu projecto, produção, comercialização, distribuição, funcionamento/ manutenção, e até abate, para não falar do custo ambiental de estradas para automóveis e sua manutenção.
quando todos estes factores enumerados forem materializados com base em energias renováveis, então ter-se-á atingido uma matura independência do petróleo.
até lá, existem estes paleativos, que são um truque da industria automóvel, que apela à ecoconsciência como um discurso político, i.e., com argumentos que, com pouca atenção, neles caímos.

a resposta está na simplicidade (andar a pé, de bicicleta) e no uso comunitário (transportes públicos), na alteração dos hábitos e rearranjo da vida em função disso.

acredite que conheço muito bem por dentro a indústria automóvel, já trabalhei 2 anos em 2 empresas líderes da indústria em portugal, sei bem como esta gente faz as coisas e do que é capaz.. :p
De MC a 15 de Julho de 2009 às 14:41
PJ,
exacto!
De Creditos Por Telefone a 23 de Julho de 2009 às 00:55
Realmente não tinha pensado dessa forma, mas vivo numa cidade (Marinha Grande) onde praticamente não existem transportes publicos, e preciso de fazer cerca de 18 KM diários. Não me estou a ver fazer 18 Km diarios de bicicleta nem a pé para ir trabalhar. Não tenho grandes alternativas ao automovel individual, por isso considero que se mudar para uma viatura electrica, sempre prejudicarei um pouco menos o ambiente.
Gostava de ter aqui uma rede transportes publicos como existe em Lx ou Porto, mas infelizmente, não tenho.
De AC a 23 de Julho de 2009 às 09:47
Fazer 18km, não é de facto fácil numa base diária, para ir e voltar para o trabalho. Mas alternativas mais eficientes que usar 1 automóvel só para 1 indivíduo há muitas. Uma pequena moto, bicicletas eléctricas, partilhar a viagem de carro que faça o mesmo percurso (carpooling). Etc, etc, etc...
De PJ a 23 de Julho de 2009 às 19:01
viva,

18kms é sem dúvida já uma distância considerável, mas nada impossível, desde q reunidas as condições, q se resumem à possibilidade de tomar um duche à chegada no local de trabalho!
há muitas empresas q n têm balneáreos, mas esse é precisamente um incentivo/ condição q cabe às empresas efectivar.

já agora, partilho a minha experiência:
- de minha casa ao local de emprego são 22kms de automóvel (35 mins no mínimo, 1h quando o transito aperta mais);
- se fizer bicicleta + metro demoro cerca de 50 mins, dos quais 10 ou nem isso a pedalar (aqui é onde o papel dos transportes públicos entra em acção!);
- se fizer apenas bicicleta são 16kms (!) cerca de 40 mins, num percurso até com alguma dificuldade - chego à empresa e tomo duche.

como se pode ver aqui, para andar de bicicleta e/ ou transporte público houve que reunir três vontades:
- da rede de transportes públicos por criar condições;
- da empresa onde trabalho por criar condições;
- minha, no caso, pois tenho carro e ele passa semanas encostado.

mesmo se a condição física não for a melhor, basta treiná-la fazendo o percurso até ao local de trabalho!! foi assim q eu fiz..

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