Segunda-feira, 4 de Maio de 2009

Pagar pelo que é público? Parquímetros e portagens...

Há muitas razões pelas quais eu compreendo que se possa discordar dos parquímetros e das portagens urbanas, mas há uma que é constantemente repetida que eu não entendo. Os parquímetros/portagens são vistos com uma taxa que temos que pagar para usufruir de algo que deveria pertencer a todos, uma mercantilização de algo que não pertence a quem colhe os lucros.

 

1. Há aqui uma falácia neste raciocínio. Eu quando respiro o ar, não estou a impedir ninguém de o fazer também. Quando eu ocupo o espaço público ele deixa de ser público e passa a ser exclusivamente meu, mais ninguém o pode usar. O estacionamento na via pública é uma privatização do espaço público.

 

2. Ao contrário de outras "mercantilizações", o lucro destes pagamentos não reverte para um privado, mas para todos. São lucros públicos da privatizção do que é público.

 

3. O espaço público é pago (e bem) em milhentas situações. Um contentor de entulho (esse sim, não tem a possibilidade de ser colocado a umas centenas de metros mais longe) paga 7,83€ por m² por mês em Lisboa. Um lugar de estacionamento tem sensivelmente 10m², ou seja pagaria 78,3€ por mês. Um quiosque paga 22,8€ e uma esplanada aberta entre 19€ e 22€ - 190€ a 220€ para os 10m². Mas uma melhor comparação com um carro estacionado (em termos de impacto visual e qualidade do ambiente urbano) será uma esplanada fechada, e mesmo esta pode ser disfrutada por todos e não monopolizada por quem nem se encontra no local! Ela paga 136€ a 156€ por mês, 1360€ a 1560€ para o espaço do carro. Nunca ouvi ninguém a revoltar-se contra a existência destas taxas.

 

Independentemente destes pontos, o pagamento pelo uso do espaço urbano é uma excelente ferramenta na gestão da mobilidade urbana, que não tem alternativas à altura (assumindo que não queremos acabar com a possibilidade da sua ocupação).

 


A ler: podemos ser lisboetas de fernanda câncio no jugular.

A atitude imperial dos detentores de automóvel, que reagem com selvajaria a qualquer acção que encarem como limitadora dos seus “direitos naturais”, foi notória na recente limitação do tráfego na zona da Baixa, devido às obras na Praça do Comércio, e promete ser ainda mais retumbante quando se efectivar a prometida limitação permanente do trânsito nessa zona. O Automóvel Club de Portugal até já prometeu acções em tribunal para combater a restrição...

publicado por MC às 21:31
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