Terça-feira, 21 de Abril de 2009

O automóvel é o meio de transporte urbano mais estúpido que existe I

Ontem houve um abatimento de terras na "Avenida" de Berna em Lisboa, tendo a circulação sido reduzida de 4 para 1 faixa em cada sentido. Esta simples alteração causou um congestionamento gigantesco, afectando zonas a vários kms de distância. No Areeiro, a 2km de distância, o trânsito estava praticamente parado!

Isto nunca aconteceria numa cidade onde a mobilidade fosse baseada em peões, ou bicicletas,  ou motas, ou autocarros, pura e simplesmente porque estes não necessitam de um espaço enorme para transportar uma pessoa. (Não se pode comparar com o comboio/metro porque estes não têm vias paralelas)

Claro que esta é uma situação excepcional e rapidamente resolvida, mas mostra aquilo que não vemos no dia-a-dia. É necessária uma estrutura viária imensa, caríssima e monopolizadora do espaço urbano para que o carro funcione minimamente. E mesmo assim, depois de dezenas de auto-estradas, túneis, vias-rápidas, e diminuição de passeios continuamos com pessoas que perdem várias horas diariamente em congestionamentos.

 


A não perder: o politólogo Pedro Magalhães defende hoje no Público mudanças radicais anti-automóvel em Lisboa, dando como exemplo o caso de Londres. Fala ainda no círculo virtuoso (Mohring Effect de seu nome técnico) que eu tantas vezes menciono: menos carros significa autocarros mais rápidos, frequentes e eficientes, o que significa menos carros, o que significa etc.

Um cheirinho: candidato que não proponha uma maneira séria e radical de impedir a entrada de carros na nossa cidade não merece um único dos nossos votos.

publicado por MC às 22:15
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4 comentários:
De Nuno a 22 de Abril de 2009 às 13:18
Petição contra a nova IC6, que ultrapassa a barreira da inutilidade para entrar no domínio do destrutivo (neste caso REN e RAN) e financeiramente insustentável:

http://www.peticao.com.pt/assinar-peticao.html?peticao=589

Agradecemos a divulgação
De Luís Vieags a 22 de Abril de 2009 às 15:40
Caro MC. Percebo o que quero dizer e nalguns casos até concordo. Só acho que é radical demais dizer-se que o automóvel é o meio de transporte mais estúpido na cidade. Eu diria que depende das circunstâncias e da utilização, ou seja do nosso perfil de mobilidade. Não existe meio de transporte nenhum que tenha uma flexibilidade/segurança/conforto como o automóvel. Pode é criar-se mecanismos (serviços) que funcionem que tornem pública a utilização de viaturas partilhadas - carsharing. Penso que é na complementaridade dos diversos meios de transportes, assegurando capilaridade suficiente ao utilizador, que está a solução.
De MC a 22 de Abril de 2009 às 23:53
Caro Luís,
Primeiro, não quero que hajas dúvidas. Em lado algum defendi a interdição do automóvel na cidade, e acho que a complementaridade é importante.

O que eu quis dizer foi, que do ponto de vista global, de solução geral da mobilidade (e não individual), um paradigma baseado no automóvel é o mais estúpido de todos. Talvez a palavra seja forte, mas ele é realmente o mais ineficiente em vários níveis.
Para o indivíduo pode ser mais simpático, mas isso é porque ele não acarreta com os custos totais da sua escolha. Para a sociedade, o automóvel como base da solução é um erro.

Cumps
De Armenio a 18 de Agosto de 2009 às 10:55
Muito bem colocado. Quem tiver essas informações vai pensar antes de pegar o automóvel.
Continuem assim.Um Abraço. Armenio.

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