Terça-feira, 31 de Março de 2009

Portugal, o país do alcatrão... a ver os comboios passarem

Contra todos os discursos ambientais bonitos, contra a eficiência energética, contra a eficiência de mobilidade, contra a tendência mundial, Portugal investiu o ano passado 18 vezes mais em rodovia do que em ferrovia, noticia hoje o Público.

A parte mais divertida da notícia é quando nos apercebemos que parte do ridículo investimento em ferrovia é na realidade para passagens de nível! Ou seja para facilitar a rodovia e não a ferrovia. Só a própria ideia de serem os carris desviarem-se do alcatrão - e não o contrário - já é em si, ridícula. Mas é à REFER e não às Estradas de Portugal que cabe essa tarefa.

 

(O destaque do Público contem ainda um pequeno comentário sobre o facto da ferrovia ser constantemente questionada, mas o rodovia não, em que todo ele parece ser feito a partir de posts aqui do blogue... pessoalmente até ficaria contente se foi o caso).


Outra notícia a ler: a estação principal de comboios em Coimbra vai ser afastada (ainda) mais 500m do centro da cidade, para garantir que Portugal continua a ser uma aberração destacada em termos europeus em termos de afastar as gares das populações.

publicado por MC às 01:23
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4 comentários:
De CRS a 31 de Março de 2009 às 12:29
Olá.

Gostaria de acrescentar alguns pontos sobre esta questão, como utilizadora do comboio em Coimbra: Coimbra é servida por 2 estações de comboio, ligadas entre si ("Coimbra" e "Coimbra-B"). Há ainda uma outra estação, junto ao estádio, que faz o transporte para a Lousã, mas que não será aqui abordada.

Relativamente à estação de Coimbra-B, esta fica numa ponta da cidade, junto ao Rio Mondego e ao Choupal. É nesta estação que passam os alfas, inter-cidades e regionais que vêm de Lisboa, Porto, Guarda, ...

A estação de "Coimbra", fica junto à baixa da cidade e são algo frequentes os comboios que fazem a ligação de Coimbra-B para Coimbra e vice-versa. Junto à estação de Coimbra há maior diversidade de autocarros, para os mais diversos pontos da cidade. Há no entanto 2 dificuldades que identifico:
- em raros casos, o tempo de espera para a ligação excede a meia-hora, o que até já aconteceu com pessoas que vieram de Alfa até Coimbra. Se estivermos pouco carregados, o percurso a pé até ao autocarro que melhor nos sirva será rápido [em relação às distâncias em Lisboa], não excedendo a meia-hora (note-se que este é o tempo que demoraria a pé até à estação de "Coimbra"); No entanto, estes raros casos também acontecem à noite, em que a frequência de autocarros é baixa e, para quem conhece, a rua a percorrer não é muito convidativa para caminhadas nocturnas ou para esperas prolongadas numa paragem de autocarro.
- os transportes junto a Coimbra-B não servem para todo o lado, muito menos à noite; claro que há sempre a possibilidade de apanhar 1 táxi e a estação tem 1 parque de estacionamento gratuito, para quem opte por lá deixar o carro. Mas para quem queira servir-se de transportes públicos colectivos, podia estar melhor servido.

Julgo que pedir 1 tempo de espera entre comboios que façam a ligação para o centro da cidade, que não exceda os 10-15 mins é razoável. Mais do que isso é desmotivante recorrer aos comboios para percursos cuja saída seja em Coimbra(-B) e seja necessário apanhar a ligação até Coimbra.

Até porque a estação dos autocarros fica perto da dos comboios (entre as duas estações) e a viagem, pelo menos de Lisboa a Coimbra, é mais barata de autocarro do que de intercidades e dura sensivelmente o mesmo tempo. Mas isto são opções que se vão tomando, para quem tenha conhecimento das várias alternativas de que dispõe.

Para decisores políticos que não utilizam estes transportes nem se deparam com estas vicissitudes, acaba por ser difícil compreenderem e preverem as mudanças de comportamento dos cidadãos, por alterações que à primeira vista possam parecer pequenas.

Para incentivar maior uso de transportes colectivos, há que cuidar dos seus utilizadores, há que investir em maior comodidade dos mesmos, maior frequência e inter-modalidade.

Até porque são estes utilizadores que permitem evitar mais carros nas rodovias (e consequentemente mais poluição atmosférica, mais trânsito, mais stress, mais danos em edifícios, na saúde das populações, etc.), acabando por prestar um excelente serviço à sociedade.
De MC a 31 de Março de 2009 às 15:12
Cátia,

obrigado pelo comentário.



Eu nem me tinha lembrado dessa terceira estação para os lados do estádio! É mais um detalhe a somar ao absurdo, já que é impossível (apenas um de madrugada) ir de comboio de Coimbra-B para Coimbra-Parque!
Os passageiros que se amanhem.

Bom, mas eu discordo quando dizes que "Julgo que pedir 1 tempo de espera entre comboios que façam a ligação para o centro da cidade, que não exceda os 10-15 mins é razoável". Eu percebo que o digas, mas isso apenas é razoável porque aceitamos que não haja investimento em ferrovia. São raríssimas as cidades europeias. onde os comboios de longa distância não param no centro, obrigando os passageiros a mudarem de comboio para lá chegar. Em Portugal isso acontece em Coimbra, Porto, em parte em Lisboa, já para não referir todas as outras que nem estação no centro têm.
Sempre que oiço alguém a dizer, a propósito do Metro ou comboio, "se fosse directo", "mas tenho que mudar uma vez", imagino a quantidade de gente que deixa de usar comboio em Portugal por se achar que essa espera e mudança extra é razoável.

Ou seja, nós estamos de acordo. Mas eu acho que te estás a contentar com muito pouco.
Bjs
De G a 31 de Março de 2009 às 17:28
Por mais que concorde com o teor do texto, há certas coisas esquecidas. Por exemplo, daqui a poucos anos Coimbra B - Serpins estarão ligados por metro. Segundo, a nova estação terá os autocarros, metros, ferrovia convencional e Alta Velocidade, pelo que imagino que a estação dos autocarros será deslocalizada para lá. Tens de perceber, MC, que a Alta Velocidade sem a ferrovia convencional vale pouco, e que é difícil juntar as duas no centro, ainda para mais numa altura em que muita ferrovia, muitas das vezes no centro das cidades, é substituída por metros ligeiros de superfície. É óbvio que concordo contigo que as estações deverão estar o mais próximo possível do centro, mas vendo que a ferrovia convencional está cada vez mais afastada do centro e esta tem de se relacionar com a AV/VE, é oneroso e complicado fazê-lo.

Quanto às passagens de nível, não poderia discordar mais. Tirando troços recentes de metros, como o do Porto (em que o metro sobe e desce para evitar cruzamentos), quando se elimina uma passagem de nível numa linha de comboio existente faz-se um viaduto ou um túnel para os carros. Para os carros, caro MC, não para os comboios.

Abraço
De MC a 1 de Abril de 2009 às 01:05
Viva,

"a Alta Velocidade sem a ferrovia convencional vale pouco, e que é difícil juntar as duas no centro, ainda para mais numa altura em que muita ferrovia"
Exactamente! É isso mesmo. Os sistemas todos AV, comboio convencional,autocarros, metro têm que estar todos muito bem interligados. E se não estão, a sua vantagem é muito menor. Aqui poupar, sai caro.
Claro que é oneroso, mas a questão é essa! Para obras complicadas e desnecessárias de rodovia há sempre fundos, para isto não. E o que eu dizia era que em toda a Europa (inclusivé países mais pobres), percebeu-se que esse custo extra era necessário. Que não articular os transportes, e não metê-los no centro eram um desperdício... menos por cá.

Passagens de nível, a minha frase era metafórica :) "desviar-se" no sentido de os custos financeiros caberem a que faz os carris e não a quem faz a estrada.

Ab

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