Quarta-feira, 4 de Março de 2009

Espaço para automóvel vs crianças

O vídeo (1min) que deixei neste post antigo dá que pensar nas restrições à alegria e crescimento emocional das crianças, que são causadas pela monopolização do espaço público por parte do automóvel.

Uma notícia recente da BBC quantifica este problema. De 1973 para 2006, a proporção de crianças inglesas que brinca na rua caiu de 75% para 15% (o meu exemplo pessoal aqui). Isto causou uma epidemia de obesidade infantil, e segundo um especialista consultado, esta alteração contribui para a baixa auto-estima, má condição física e emocional, e falta de sentido de inclusão das crianças.

Curiosamente umas das fotografias preferidas de J.H. Crawford, especialista em urbanismo livre de automóveis e responsável pelo Carfree Times, tem duas crianças a jogar à bola numa rua no Bairro Alto, um dos poucos bairros onde isso ainda é possível fazer em Lisboa:

 


Medidas radicais por esse mundo:

Cidade do México obriga os alunos a irem para a escola de autocarro. Um projecto piloto reduziu a poluição e o congestionamento na zona da escola.

Os funcionários camarários de Jakarta vão ser obrigados a deslocar-se de bicicleta quando em serviço.

 

Não estou a defender medidas semelhantes, apenas a querer enquadrar as reacções paranóicas que há em Portugal sempre que se fala em  ninharias como multar carros no passeio, colocar pilaretes, reduzir estacionamento, controlar velocidades, etc.

publicado por MC às 00:16
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2 comentários:
De CM a 4 de Março de 2009 às 10:59
Não se pense que o urbanismo (ou falta dele) é o único responsável pela diminuição de actividades outdoor das crianças... É um dos factores, mas não o principal, acho.

Para mim, o estilo de vida que os pais têm (juntamente com o grande medo de rapto) impede que as crianças vivam mais a rua.

É mais fácil ficarem em casa na sala a ver televisão ou a jogar na consola, é mais fácil enfiá-los numa actividade empacotada, é mais fácil ir passear para o Colombo e ainda se compram umas coisitas.

Este assunto não é simples. Há N factores.

Quem nunca viu pais a passearem crianças com 4 e mais anos sentadinhas num carrinho de bebé?? Parecem doentes e no fundo vão ser afectada para a vida.

Eu vivo em Telheiras (zona antiga/central), bairro já referido, ainda com algumas condições urbanísticas e posso falar do que vejo e do que não vejo.
Vejo quase todos os miúdos a chegar à escola de pópó. Eu quase sempre vou a pé e volto para casa para buscar o carro para ir para fora de Lisboa. Perco mais tempo, mas aqueles minutos que vou a pé vou a conversar, vou a educar, etc.
Vejo poucos miúdos na rua, vejo alguns, mas sei que há muitos (que conheço) em casa. Eu saio com os meus a pé desde que começaram a andar, sem carrinhos de bebé. Hoje andam kms se for preciso e gostam de o fazer! A televisão é para entreter em pequenos períodos de meia-hora e de vez em quando há filmes ou jogos de consola.

O último exemplo. Este fim de semana, por insistência da minha mulher fomos a uma sessão experimental do LitleGym. Acedi pois as mulheres tem aquela capacidade de persuasão :D (insistência até aceitarmos). Era só experimentar....
O que eu vi lá? Pais que saem de carro das suas casas, enfiam-se naquele espaço fechado e têm um professor a dizer-lhe para brincarem com os filhos fazendo cambalhotas, pendurando-os suspensos em barras, etc, etc. Tirando o lado social, aquilo é o que os pais podem fazer num qualquer parque, ou até em casa no colchão de casal.
Mas não, hoje paga-se 54€ para 1x por semana ir ali executar o script mecanicamente.
É melhor do que ficar em casa, mas diz muito acerca da nossa sociedade. É tudo empacotado!!!!

Já me alonguei muito, mas este assunto deixa-me assim :)
De MC a 8 de Março de 2009 às 19:23
Atenção que não é só o urbanismo a que me refiro. O aumento de tráfego também é um problema! Como mostra a própria fotografia. No bairro onde cresci, os miúdos agora já não podem jogar à bola na rua onde dantes se jogava, por causa do aumento do trânsito. O alcatrão é cada vez mais um exclusivo do automóvel... Uma exclusividade que aceita como banal, mas que é uma coisa muito recente.

Claro que há muitos factores, não quis dizer o contrário (aliás estou totalmente de acordo com o comentário). Mas a questão do automóvel é uma causa exterior. Esse sentimento de insegurança no exterior é causado por haver cada vez menos gente na rua, que leva a mais sentimento de insegurança. É o problema que se auto-alimenta. E ele é principalmente alimentado pela cultura do automóvel.

Essa história do ginásio lembra-me quem vai de carro para o ginásio (conheço que fazia 1km numa zona segura de carro para ir ao ginásio)... e a fotografia do health club americano que têm umas escadas rolantes à entrada.

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