Terça-feira, 3 de Fevereiro de 2009

Alergia ao comboio II

O Manuel Margarido Tão mencionava aqui (segundo comentário) uma coisa simples mas curiosa, que eu nunca tinha pensado. O argumento mais banal contra a (re)construção de ferrovia para cidades e regiões mais "periféricas" em Portugal é a suposta falta de procura que o comboio teria. Mas quando o assunto é auto-estrada (já nem falo de simples IPs!!), por artes mágicas, este argumento já não se aplica. Bragança, ou outra qualquer cidade, passa de repente de aldeia perdida para uma metrópole ávida de alcatrão para crescer.

Há uns tempos dei-me ao trabalho de mostrar que, descontando a Bélgica, todos os países da Europa tinham cidades sem auto-estrada maiores que Beja ou Bragança. Ou seja, Portugal é um caso patológico ao estar alcatifado com auto-estradas.

Fazer o mesmo para o comboio dava muito trabalho, mas rapidamente se pode verificar quais as cidades dessa lista que têm comboio. Infelizmente, o resultado não me surpreendeu. Descontando duas (Stadskanaal e Ioannina) todas têm ferrovia. Mais uma vez, Portugal é um caso patológico: ao contrário da Europa é frequente as cidades terem auto-estrada mas não terem linha férrea.

 

E o mais grave é que ambas as patologias têm tendência a agravar-se, enterrando o país sempre mais e mais dinheiro no meio de transporte mais ineficiente em termos de espaço, sinistralidade, custo, ambiente e energia.

 


A ler no CarFree France: La crise automobile est structurelle, a defender uma ideia que eu tinha levantado neste post e na discussão sobre ele. Os problemas da indústria automóvel não são causados pela actual crise económica, mas já vêm de trás. Há portanto largos milhões do nosso bolso que estão a ser usados para remediar um problema que é inerente à indústria.

publicado por MC às 19:37
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6 comentários:
De susana Rodrigues a 4 de Fevereiro de 2009 às 01:19
e faço da leitura deste espaço um espaço de informação.
su
De MC a 5 de Fevereiro de 2009 às 12:52
obrigado :)
De CM a 4 de Fevereiro de 2009 às 10:22
Este facto é tratado como um não-assunto em Portugal.
Não há procura... Não há é oferta!!, ou querem que os potenciais clientes entrem em na estação de Stª Apolónia à procura de viagens para cidades sem linha de comboio?? Vão à Mundial de Turismo, claro!!

Pessoalmente, sempre que tenho viagens maiores, nunca vou sozinho num carro, a não ser que precise mesmo (tipo trazer a família de volta, etc ).
Acontece que para onde me desloco normalmente desta forma, o comboio nunca é opção. Ou não existe ligação, ou existe e é completamente ineficaz, como, por exemplo, Lisboa- gt;Portimão ou Lisboa- gt;Alcobaça...
No caso de Alcobaça, a 100km de Lisboa, o autocarro passa por N localidades tornando a viagem um tormento!!

É ridículo como nesta altura não se fala nas auto-estradas (algumas paralelas a vias muito boas) nas notícias a não se como (bom) investimento. E investir no rede ferroviária não cria emprego???

De Catarina a 4 de Fevereiro de 2009 às 23:02
É uma realidade impressionante do nosso país e ao mesmo tempo que impressiona entristess. Com que direito se fala em falta de procura se nem se quer dão oportunidade de haver a falta. Penso na quantidade de vezes que tinha preferido ir viajar de comboio por essas terras lusas em vez de me fechar numa camioneta, em vez de me meter num carro com lotação limitada.
Assim nos afastamos da Europa e dos Portugueses... Assim se constrói Portugal...

Catarina
De Nuno a 4 de Fevereiro de 2009 às 23:11
Uma trivialidade: hoje o Fê Quê Pê foi de comboio jogar a Lisboa.

Não sei o motivo mas tomara que apareçam cada vez mais exemplos.
De Catarina a 7 de Fevereiro de 2009 às 00:38
Really Cool (:

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