Quinta-feira, 29 de Janeiro de 2009

Já cá faltavam os comerciantes velhos do Restelo

Depois da excelente e arrojada proposta da CML de impedir o trânsito de atravessamento da Baixa (atenção que também há aspectos negativos, mas isso fica para um post futuro), eram de esperar as reacções e o medo à mudança dos comerciantes da Baixa. Não deixa de ser irónico que a Baixa esteja a morrer, mas haja ao mesmo tempo tanta gente a querer agarrar-se ao seu actual estado.

Tenho pena de não ser possível enviar os comerciantes lisboetas a uma visitinha às cidades europeias onde o trânsito é altamente condicionado no centro (a larga maioria), e onde há muita vida, movimento e consumidores. À inenarrável reacção do ACP, apenas aconselho a leitura deste post, mas ao comerciantes que estão preocupados com o seu negócio recomendo:

O que aconteceu ao Bairro Alto depois de ser fechado ao trânsito

A diferença entre as "baixas" das cidades europeias e as "baixas" americanas

Comércio ficou a ganhar com as portagens em Londres

Comércio ficou a ganhar com interdição radical do trânsito automóvel no centro de Bogotá

Ruas fechadas ao trânsito levam a recordes de vendas em Londres

mas acima de tudo este

Equívocos dos comerciantes austríacos e ingleses quanto à mobilidade dos seus clientes (fim do post)

 

Acho que o receio dos comerciantes se resume ao velho problema de se achar que "quem não anda de carro não é gente"...

 


Fica aqui a minha homenagem à Márcia Regina Prado, activista pró-bicicleta de São Paulo, que eu obviamente não conhecia mas que foi atropelada mortalmente por um condutor que não respeitou a distância de segurança quando ela circulava de bicicleta.

Que sociedade estúpida é esta em que uma pessoa tem medo de fazer um coisa tão inocente como andar de bicicleta?

Homenagens no Panóptico e no Apocalipse Motorizado

publicado por MC às 00:17
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5 comentários:
De beatriz a 29 de Janeiro de 2009 às 19:20
Não conheço a proposta de fio a pavio, mas aplaudo a ideia e anseio por poder percorrer a Baixa sem carros, ou com menos destes veículos!

Trabalhei na Baixa e posso dizer que o trânsito não faz lá falta, pois as pessoas que lá compram e consomem serviços deslocam-se de transportes públicos, mesmo os turistas.

Quem usa, ou tenta usar o carro na Baixa, ou está de passagem para outro ponto da cidade, e nem visita a Baixa, ou só olha para o seu umbigo, e desespera por um lugar à porta do local onde se tem que dirigir, daí o caos de estacionamento que nem os parques pagos resolve!
Venha daí o Império Pedonal!
De MC a 31 de Janeiro de 2009 às 15:50
Obrigado pelas palavras de quem conhece o comércio da Baixa muito melhor do que eu!
(Já agora, eu não queria generalizar a minha crítica a TODOS os comerciantes!)
De Isaac Kojima a 30 de Janeiro de 2009 às 05:24
O mesmo problema enfretamos aqui em SP, na rua Augusta, que não teve o tráfego proibido, mas apenas o estacionamento. Aqui também os comerciantes não param de chiar. Mais sobre o tema aqui.
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080812/not_imp221878,0.php
De MC a 5 de Fevereiro de 2009 às 12:51
Claro que os dados são dos comerciantes, mas preocupa-me que as vendas tenham descido (o que por si só não é de modo nenhum um argumento para voltar atrás).

De qualquer modo é necessário haver sempre um período de adaptação, os novos hábitos demoram a aparecer, e há a experiência de centenas de cidades por todo o mundo que mostram que vale a pena.
De a presença das formigas a 4 de Fevereiro de 2009 às 18:03
Mais um link:
Como fechar ruas ao trânsito, remover sinalização luminosa, e reduzir espaços de estacionamento, pode melhorar o tráfego duma cidade. (http://apresencadasformigas.blogspot.com/2009/02/como-fechar-ruas-ao-transito-remover.html)

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