Domingo, 23 de Novembro de 2008

Fritz Lang

Si vous voulez faire de la mise en scène, n'achetez pas d'auto. Prenez le métro, l'autobus, ou allez à pied. Observez de près les gens qui vous entouren.

 

(Descobri a frase em português: Se quiserem realizar filmes, não comprem carro. Apanhem o metro, o autocarro ou andem a pé. Observem perto as pessoas que os rodeiam. Uma busca rápida na internet deu-me a entender que a original seria em francês).

 

 


Passo em frente e passos atrás em Lisboa: o novo plano para a "Avenida" da Liberdade prevê o fim do estacionamento à superfície! Lisboa abandonaria a sua ridícula condição de ser provavelmente a única capital europeia com estacionamento na sua avenida mais emblemática. E não são meia dúzia de lugares. Nem é uma fila, nem duas, nem três mas QUATRO filas de estacionamento ao longo de TODA a "avenida". E a acrescentar temos parques de estacionamento que interrompem ridiculamente o passeio e o jardim. Isto torna rá a "avenida" mais agradável, mais bonita, com mais espaço para os peões e esplanadas, aumentará a segurança das bicicletas (carros estacionados é do pior que há), e até melhorará o congestionamento, o ruído e a poluição (a entrada e saída de carros estacionados é uma principais causas de congestionamento).

O plano prevê contudo estacionamento subterrâneo, o que não me choca assim tanto. Acaba efectivamente com o estacionamento gratuito (os parquímetros são uma farsa, como sabemos), e permite uma discriminação positiva para os residentes.

O que me mais me assusta é esta frase: "a autarquia pretende ainda criar atravessamentos pedonais sob a Avenida", o que significa que ela continuará a ser uma via-rápida de onde os peões devem ser afastados. Não é assim que se faz uma cidade humana e agradável.

publicado por MC às 15:25
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11 comentários:
De prf32 a 23 de Novembro de 2008 às 18:01
Sou um rapaz de meia idade, ciclista de todo o terreno e não só, e durante 20 anos fui diariamente a Lisboa, ia de comboio, assisti ás primeiras batalhas da cidade contra o automóvel, vi fechar parques de estacionamento como o Terreiro do Paço, e outros. Vi a introdução dos parquímetros pela cidade, não vi acabarem com os autocarros poluentes, vi com agrado a rede de "metro" crescer.
Vi também, habitantes e empresas preferiram deixar a cidade ao automóvel.
Não é de todo uma cidade com características para o ciclismo urbano, para além de ter acentuados desníveis, durante 3,5 meses é muito quente!
Ir dos Restauradores ao campo pequeno em Junho é tarefa para poucos, e mesmo assim quando chegarem ao destino certamente não vão estar apresentáveis para coisa nenhuma, a não ser um duche!
Na guerra Lisboa/Automóvel, Lisboa ganhou algumas batalhas mas sem duvida está a perder a guerra!
Muito provavelmente vai ser, o terceiro ou quarto concelho em numero de habitantes, no próximo "Census". O numero de empresas que transferiram as suas sedes para fora do concelho, é no mínimo alarmante, para a cidade. Com o terminar da Cril e com a ida do aeroporto para Alcochete, Lisboa ainda vai perder mais pessoas.Mas mesmo com menos pessoas e automóveis continua a não ser uma cidade fácil de usar e viver.Vêm ai os automóveis 100% eléctricos, com zero de emissões,amigos do ambiente, julgo que será uma boa altura para Lisboa se tornar amiga do automóvel e dos seus habitantes.
Com este plano na Av da Liberdade, ou muito me engano ou vai perder a já pouca "vida" que tem! Com os parques subterrâneos talvez !!
a forma como o automóvel é tratado será sempre um ponto onde qualquer decisão requer muito, mas mesmo muito cuidado!

De pedalofilo a 24 de Novembro de 2008 às 00:15
Viaje. Vá ver como outras cidades e capitais funcionam. Experimente o clima de Inverno e de Verão das outras cidades onde há sempre mais ciclistas que até agora em Lisboa. Repare nos declives doutras "cidades de 7 colinas". Leia mais, e.g. este blog, para saber como os carros eléctricos NÃO são "amigos do ambiente".
Depois, tente então explicar como seria essa "vida" mantida com parques subterrâneos.
Se falar do cuidado a ter com a forma de tratar o automóvel com os barões de Detroit talvez tenha mais amigos e "vida". Aqui não será muito feliz ...
De Anónimo a 24 de Novembro de 2008 às 08:33
É verdade que não sou muito viajado!
Sim...quais são as cidades e capitais com características como as de Lisboa?
Não encontrei o dito ponto onde se fala de carros 100% eléctricos.
Não tenho amigos em Detroit, mas sim nos concelhos de Sintra, Cascais , Oeiras, Almada .....
De Tárique a 24 de Novembro de 2008 às 19:08
Tem amigos no Barreiro?

Um amigo meu que durante cinco anos chegava ao terreiro do paºo de barco tinha que se deslocar até ao chiado ou cais do sodré de manhã e vice versa â noite.

se nessa altura pudesse trazer uma bicicleta no barco, ou estivesse em funcionamento um sistema de bicicletas de uso público semelhante a paris ele poderia ter poupado muito tempo.

há muitas situações em que dá jeito andar de bicicleta em lisboa.

eu moro em xabregas e trabalho na expo, nenhum outro transporte me leva mais rápido do trabalho até casa. quando quero ir ao centro da cidade demoro 10 minutos de bicicleta. há muitas situações.


cidades inclinadas com muita prevalência da bicicleta são por exemplo São Francisco, o norte de Manhatan (man hatan significa Many Hills), e Roma (que é chamada a cidade das 7 colinas também)

um abraço ciclista :)
De Nuno a 24 de Novembro de 2008 às 20:23
O programa de bike-sharing de Trondheim também é famoso. O relevo desta cidade norueguesa é tudo menos plano.

O programa "ciclovia" da cidade colombiana de Bogotá é um sucesso estrondoso muito copiado em todo o mundo. Bogotá fica encaixada numa cordilheira montanhosa.

Mas isto é acessório- em Lisboa os percursos de trabalho mais relevantes não se dirigem para a Alfama nem passam pela Glória.

E se os "blues" são de quem vem dos subúrbios... porque haverão os habitantes de Lisboa pagar para acomodar os habitantes de outros municípios?

De Nuno a 24 de Novembro de 2008 às 20:25
prf32:

Os automóveis eléctricos, apesar de silenciosos e sem gases no escape, são alimentados essencialmente pela queima de combustíveis fósseis e perpetuam a dependência das mega infraestruturas de apoio ao carro e os problemas espaciais que causam.
Se 100 pessoas viajarem de carro eléctrico sozinhas (a maioria dos condutores quotidianos) são muito menos eficientes energeticamente do que dois autocarros a diesel cheios ou se viajassem de comboio\metro e a pé bicicleta.

Os carros são menos eficientes enquanto meio de transporte (em todos os sentidos) quando circulam nas cidades- porquê perpetuar este hábito ílógico?
De prf32 a 25 de Novembro de 2008 às 09:48
Bem... !Há já alguns anos que uso a bicicleta como meio de transporte , voltas com os amigos ao fim de semana rapidamente passam os 60 km, sou o "louco" que aparece no escritório de bicicleta.
Subir e descer... bem basta dar uma volta na serra de Sintra e tudo em Lisboa é plano! Mas isso é para mim e alguns como eu.
Irei estar mais atento a alguns dos planos de ciclovias aqui falados.
Tenho algumas duvidas se a grande maioria vai aceitar trocar o automóvel pelo transporte publico ou mesmo a bicicleta.
O que eu sei é que Lisboa precisa de se tornar atractiva para a grande maioria, e de momento não me parece que o esteja a conseguir.
A semana passada andei na Baixa e vi muitos espaços comerciais vazios, muito poucas pessoas na rua.
E isso é triste para mim.
Quando digo que tenho amigos aqui e ali menos em Lisboa, é por que na realidade tenho visto a grande maioria a sair da cidade!
Quando digo que vi preferirem deixar Lisboa e não o automóvel isso tem acontecido!
Nuno julgo que fala das centrais termo eléctricas, penso que mais uns anos, e a maioria dos "watts" serão limpos. Vento, sol, marés.
Se for a este site vai ver que o carro já tem painéis solares, não chega para tudo mas é um bom inicio.
http:/ www.pininfarina.it index storiaModelli B0.html , o projecto é interessante.
Acima de tudo, assusta-me a ideia de Lisboa estar a perder capacidade de captar habitantes e Empresas.





De Tárique a 27 de Novembro de 2008 às 19:37
Uma das razões porque Lisboa perde essa capacidade é por ser mal servida de transportes e ter uma mobilidade mal gerida.

Repare por exemplo no centro da cidade de Lisboa: que outra cidade europeia tem um centro tão aberto à circulação e estacionamento automóvel?

Quando as pessoas estão às compras, por exemplo, querem estar sem medos, ir facilmente de uma loja à outra do outro lado da Rua, mas na Baixa lisboeta têm que se arriscar a ser atropeladas, ou perder tempo nas passadeiras.

Ora como no centro da cidade não há essas condições, as pessoas vão para centros comerciais, que são construídos em zonas periféricas porque é mais barato.

De MC a 30 de Dezembro de 2008 às 00:23
Caro prf32

primeiro deixe-me só perguntar porque começou a falar de bicicletas num post sobre estacionamento à superfície.... é que eu não entendo esta ligação automática que muita gente faz "se quer menos automóveis é porque quer mais bicicletas". Um passo lógico que sinceramente não compreendo.

Diz que está alarmado com a esvaziamento da cidade, não podia concordar mais. Agora dê uma olhada nos seguintes posts
http://www.google.com/search?hl=en&client=firefox-a&rls=com.ubuntu:en-US:unofficial&hs=RdS&q=+site:menos1carro.blogs.sapo.pt+menos1carro+%22menos+carros+%3D+menos+pessoas%22
e perceberá que por esse mundo fora acontece exactamente o oposto ao que vaticina. São as cidades que mais permitem a circulação automóvel no seu centro, a terem um centro mais morto de comércio e habitantes. Quando a grande maioria da população anda de automóvel, por mais que se tente o centro da cidade nunca chega a ser uma auto-estrada, logo as pessoas e os negócios procuram a periferia. Quando a mobilidade depende dos transportes públicos e dos peões, as pessoas e os negócios procuram o centro.

Quanto aos carros eléctricos, só uma coisa. Se as coisas eléctricas não poluem, por que é que há por aí milhares de campanhas de poupança de electricidade? Pense nisso.

Cumps
De Nuno a 28 de Novembro de 2008 às 18:32
" Agarrada pelos cabelos depois de quase atropelada"

JN: http://jn.sapo.pt/paginainicial/pais/concelho.aspx?Distrito=Porto&Concelho=Matosinhos&Option=Interior&content_id=1050962

O nível a que isto está a chegar uma vez que os peões e ciclistas (que também conduzem) toleram cada vez menos agressões ao seu espaço.
De MC a 30 de Dezembro de 2008 às 00:25
impressionante!

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