Domingo, 9 de Novembro de 2008

Corridas Intermodais

Muitas vezes quem defende a vantagem do automóvel em termos de velocidade na cidade, esquece-se de três coisas:

  • Andar de carro (em vez de ir a pé, bicicleta ou mota) obriga a caminhar do ponto de partida até ao local onde o carro está estacionado, a procurar um lugar para estacionar no ponto de chegada (o que por vezes dura e dura), e caminhar até ao ponto de chegada.
  • O carro não pode muitas vezes fazer o mesmo percurso que um peão, uma bicicleta, ou o transporte público sendo obrigado a dar uma volta maior.
  • O carro fica preso no trânsito, mas a bicicleta, o peão, a mota e o metro não!

aqui referi que em média a bicicleta é o meio de transporte mais rápido dentro da cidade até aos 5km (o peão é ainda mais rápido para distâncias muito curtas), e aqui que grande parte das deslocações de carro na cidade são muito pequenas. Mas melhor do que palavras, é experimentar mesmo.

Numa experiência feita pelo GAIA no Porto há umas semanas, o 1º desafio intermodal no Porto, a bicicleta foi a primeira a chegar num percurso de 5km (a mota perdeu-se). De seguida chegou quem foi a pé+metro. O carro, que teve que procurar lugar para estacionar, chegou apenas em quinto. Bem sei que parte do percurso era a descer, mas o resultado é claramente diferente do que muitos carro-dependentes portuenses esperariam.

N'A Corunha, uma corrida semelhante teve como vencedores a mota e a bicicleta, seguidos pelo taxi. Em último, o carro... que em termos de preço é apenas batido pelo taxi. Um post a ler no bicis.info (na variante galega da nossa língua).

 

 


A ver: publicidade do Friends of the Earth para nos lembrar que a poluição automóvel está em todo o lado.

obrigado Tiago

publicado por MC às 20:33
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7 comentários:
De MC a 9 de Novembro de 2008 às 20:48
se o link do GAIA estiver em baixo, o texto está disponível no BioTerra:
http://bioterra.blogspot.com/2008/10/resultados-do-1-desafio-intermodal-no.html
De Tárique a 10 de Novembro de 2008 às 10:41
A Corunha é praticamente plana mas ainda assim está chagada da ditadura automóvel. Muitos carros, filas, maus estacionamentos.

MAS:

há uma enorme zona comercial + uma zona histórica completamente fechadas ao trânsito

há uma ciclovia longa (que serve mais para passeios até ao farol do que para outra coisa)
De G a 10 de Novembro de 2008 às 15:12
Li, concordo com tudo. É bem verdade que eu, enquanto utilizador de bicicleta, sou mais inteligente que os outros todos. ;)

Entretanto, a forma correta é dizer que algo se passa "na Corunha" e não "n'A Corunha", ou dizer "na Guarda" em vez de "n'A Guarda". O que escreveste é o mesmo que um espanhol escrever "en l'O Porto" ou "en lo Oporto", se o meu espanhol não me engana.

E a "variante galega da nossa língua" não é essa. O galego oficial, a que te referiste, não é considerado por quem o criou como "português" ou como variante do português. Eles consideraram-no uma língua própria, separada. O que está errado, mas foi o que eles decidiram. Questões políticas.Textos na "variante galega da nossa língua", podes encontrá-los aqui: http://www.pglingua.org/.

um abraço
De MC a 30 de Dezembro de 2008 às 00:41
Tinha perdido este comentário..

Corunha: Ok. Como o nome oficial da cidade em galego/português é A Corunha, julguei que o "A" deveria ser mantido com maiúscula.
De qualquer modo, não sei se faz sentido a comparação com o Porto, porque o nome oficial é apenas "Porto" e não "O Porto".

Variante: quando disse variante da nossa língua, referia-me à língua propriamente dita, não à sua ortografia. Eu conheço bem a "guerra" RAG vs AGAL, mas que saiba é apenas uma guerra de ortografias (e de políticas). Os defensores de ambas as normas falam a mesma língua.

abraço
De G a 30 de Dezembro de 2008 às 11:46
Em galego-português é 'Corunha' (ou então 'Crnha', como é grafado por algumas pessoas). O 'A' é uma reminiscência do 'La' castelhano. O que eu disse em relação ao Porto é, caso os espanhóis mandassem, poderiam ter inventado, como fizeram na Galiza, que o nome original português fosse 'O Porto' e assim inventar um 'Lo Porto'. São pessoas muito industriosas, os castelhanos. Basta ver o que fizeram à toponímia galega (e às mentes deles).

Mais uma vez, discordo. Enquanto que a AGAL defende que a língua dos galegos é o galego-português, e consequentemente a universalidade do idioma, a RAG, Junta da Galiza e afins defendem que o galego é uma língua independente. Como podes ver, a diferença é substancial.

fica bem
De MC a 30 de Dezembro de 2008 às 14:05
Sim, claro.
Mas essa distinção (língua comum vs língua independente) não é apenas política?
Há algum caso de palavras, formas verbais, regras gramaticais, sintaxes, etc. que seja válido em RAG mas não seja em AGAL (ou vice-versa)? Eu tenho a (vaga) ideia que não, daí eu referir-me às duas como a mesma língua com ortografias diferentes.

(Já agora, dentro da Xunta até tem havido quem a queira transformar em Junta, já foi usado o Z em vez do CI em situações oficiais)
De G a 30 de Dezembro de 2008 às 14:36
Como dizia o Carvalho Calero, o galego ou é galego-português ou galego-espanhol. Hoje em dia o galego oficial é galego-espanhol. Quando eles tiveram de decidir em casos específicos, ou viraram-se para o espanhol (quase sempre) ou inventaram, e é por isso que por vezes são chamados de isolacionistas. Só para veres o ridículo da situação, antes da reforma de 2002 o plural de 'animal' era 'animales'. Agora é normal: 'animais'. Mas pouco mais se normalizou. Só para veres: antes de 2002, estava instituído que 'animales' era galego.

É óbvio que inventaram o galego nos anos 80 por questões políticas. Fazia algum sentido para um estado tão homogeneizador como o espanhol assumir que uma das línguas co-oficiais era também falado fora do estado? Outro caso político, alimentado claramente por Madrid, é o de assumirem que o que se fala em Valência não é catalão. Qualquer estudioso isento te diz o contrário, mas o executivo de Valência é muito ligado ao poder central.

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