Terça-feira, 28 de Outubro de 2008

'Tadinho do (alegado) homicida

A RTP passa hoje nos telejornais uma reportagem de 2 minutos sobre um português que matou 6 pessoas - todas da mesma família - por negligência em Inglaterra, e que vai obviamente ser levado a tribunal por esse acto. A reportagem passa alguns depoimentos dos colegas, que mostram a sua compaixão, e fala das várias tentativas por parte dos advogados de evitar que o (alegado) homicida fosse levado a julgamento.... sempre com um tom de injustiça e de perdão.

Soa estranho, não soa? Talvez deixe de soar quando eu acrescentar que o (alegado) homicida tinha um volante na mão na altura do crime. Quando é que se percebe que conduzir uma caixa de uma tonelada (várias neste caso) a alta velocidade, não pode ser encarado de ânimo leve?

 


Notícia recomendada: Maior avenida de Copenhaga fechada a automóveis durante 3 meses, para teste. No CidadaniaLx, FJorge junta sarcasticamente a esta notícia uma fotografia da Avenida de Liberdade em Lisboa... Alguém imagina o mesmo por cá?

A Catarina junta a esta notícia este video da tal avenida, ainda com carros. Vale a pena ver e comparar com as nossas: passeios largos, não há estacionamento à superfície (quem quer andar de carro que arranje lugar para ele, em vez de abusar do que é público), praticamente só há autocarros a circular.

publicado por MC às 22:12
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16 comentários:
De G a 29 de Outubro de 2008 às 21:55
Afinal era aqui. O que eu queria dizer era que o homem ainda não foi a julgamento, por isso chamar-lhe assassino não é correto. Ele era o condutor do camião, etc, mas não é por isso que 'assassinou' as pessoas. E mesmo que seja condenado, será condenado por 'homicídio por negligência'. Um assassino, desculpem-me, é alguém que quer matar. E não é por alguém conduzir um camião, que é uma profissão como qualquer outra e faz muita falta à sociedade, que se torna um 'assassino' quando tem um acidente e as coisas correm mal.

cumprimentos a todos
De Iletrado a 30 de Outubro de 2008 às 14:46
Caro G
Isso que tu afirmas de "um acidente" e "quando as coisas correm mal" é pura e simplesmente uma falácia. A realidade é que qualquer português que vista a armadura motorizada de quatro rodas e mil quilos de peso se comporta como se fosse o dono do universo, não tem de prestar contas aos outros e está-se a borrifar para todos, principalmente para aqueles que, coitados ou estúpidos, não podem ou recusam-se a utilizar tal armadura. Não é negligência, é maldade pura e simples. Confronto-me com isto todos os dias quando me desloco para o trabalho na minha bicicleta.
Depois de quatro anos a deslocar-me a Lisboa de bicicleta, tive, infelizmente, de utilizar o automóvel em Lisboa a semana passada. Convém referir que vou a Lisboa, em média, 5 ou 6 vezes por ano. Pois bem, mal me sentei no carro tomei logo consciência que era mais um potencial assassino na estrada, e tentei a todo o custo evitar tal cenário: para começar não bebo bebidas alcoólicas (segundo li em tudo aquilo a que tenho acesso em 90% dos atropelamentos o condutor vai bêbado), não conduzo em excesso de velocidade (25 m/s = 90 Km/H), não estaciono em cima dos passeios, dou primazia aos pedestres nas passadeiras (paro mesmo, não deixo o carro deslizar), assinalo as minhas manobras com antecedência e evito ficar parado no meio dos cruzamentos. Isto tudo a propósito do que afirmas: fui constantemente buzinado por toda a restante cambada de condutores lisboetas, principalmente quando parava antes dos cruzamentos mesmo com o semáforo verde, e especialmente quando parava para deixar passar algum pedestre. Um caso: passando em frente ao Liceu Maria Amália pretendia virar à direita e, tendo sinalizado a manobra, parei para deixar passar um grupo de alunos daquela escola, que atravessavam a rua na passadeira. Pois atrás de mim surgiu um assassino que, além de buzinar desalmadamente, conseguiu ultrapassar-me pela direita, não me respeitando a mim nem aos alunos, que só não foram atropelados porque pararam. Se fossem atropelados, na tua opinião, tinha sido um atropelamento por negligência? Na tua opinião, as coisas correram bem? E que dizer do taxista que, antes, se fartou de buzinar porque eu parei para deixar passar um pedestre que, devidos a obras no passeio, se viu forçado a seguir pela estrada? Ou passava eu ou passava o pedestre. Na tua opinião, se as coisas corressem bem, passávamos os dois? E se eu o atropelasse, era azar? E antes ainda, na subida para as Amoreiras, fui o único condutor a parar na rotunda do Marquês para deixar passar os pedestres, pois o sinal, espantosamente, estava verde para estes e amarelo intermitente para os automóveis. Pois, apesar disso, foi com um sentimento de revolta que assisti às gincanas que os pedestres tinham de fazer para não serem atropelados pelos outros condutores que, obviamente, estavam com pressa e não podiam parar. Um ou dois ainda me buzinaram, acho que é o som de marca da cidade, a buzina. Ninguém foi atropelado, as coisas não correram mal, não te parece?
Não, caro G, tenho de afirmar que estás errado, mesmo que asseveres o contrário. Pegas num equipamento potencialmente mortífero, és responsável pela sua utilização. Tal como um míssil ou uma pistola. Ele assassinou impiedosamente 6 pessoas, tem de pagar por isso. O que é triste é que isso só acontece lá fora. Aqui as pessoas não ligam, é azar. Até que o azar lhes bate à porta, quando eles ficam paraplégicos ou um filho morre atropelado. Aí passam a fazer parte de alguma comissão de cidadãos automobilizados.
Peço desculpa aos donos desta página pelo longo desabafo.
Boas pedaladas.
De Tiago Mesquita Carvalho a 30 de Outubro de 2008 às 15:42
Caro Iletrado, caro G:

Os leitores, os restantes autores do blogue eu eu próprio concordamos com a descrição do Iletrado sobre um dia banal na cidade de Lisboa. Também ando de bicicleta todos os dias e quando raro, conduzo, pratico uma condução segura.

Várias vezes reparo no comportamento selvagem dos automobilistas e na timidez inerente aos peões. Agora, o que me parece de todo exagerado são os seus parágrafos finais, bem como o título dado pelo MC à respectiva posta. O que é apenas uma profunda injustiça, demonstrando a atitude provinciana dos portugueses ao volante, a sua completa falta de cidadania e noção de bem comum, transformou-se, no vosso caso, numa cruzada contra o motorista do camião. Parece-me que mais do que justiça, pretendem ver a sua condenação. Como sublinhou e bem G, ele não foi condenado. Está em julgamento, isto é óbvio e ambos foram demasiado precipitados. Não é para menos, porque em Lisboa, cidade onde moro, a presença do automóvel é ultrajante. Mas calma recomenda-se.

O que acho exemplar é que a justiça foi bastante lesta a agir e, para mais, não hesitou em sentar no banco dos réus, com uma acusação grave de homicídio, um condutor. Isso é que é digno de nota e isso é o comportamento a adoptar. Relembro este caso: 120km/h no Terreiro do Paço, as investigações prosseguem, a motorista (e forte suspeita, mas não, ainda, assassina), já fez vários tratamentos psicológicos.

Passou um ano.

http://dn.sapo.pt/2008/10/30/cidades/atropelamento_terreiro_paco_a_kmh.html
De G a 30 de Outubro de 2008 às 15:50
Caro Tiago.

De facto, essa do Terreiro do Paço ainda me está atravessada na garganta. Muito mau, muito mau.

Caro Iletrado.

Se és obrigado a utilizar uma caminoeta num percurso em que não possas utilizar um comboio, e a camioneta tem um acidente por óleo na estrada, e por resultado desse acidente morre alguém, dentro ou fora da camioneta, o condutor da camioneta é um assassino? E tu tornas-te cúmplice por estares a utilizar o serviço? Cúmplice de homicídio?
De Iletrado a 31 de Outubro de 2008 às 17:15
Caros TMC e G
Tenho a opinião que em Portugal não há mais acidentes e atropelamentos por acaso. Um dia, se tiverem tempo, (coisa rara nestes dias, eu sei) sentem-se calmamente num local que vos possibilite uma boa visibilidade sobre uma rotunda de alto volume de tráfico automóvel, tipo Marquês de Pombal ou aqui perto nas Portas da Cidade do Montijo, que dá acesso ao fórum Montijo. Basta uma hora de observação mais distraída para confirmar a minha afirmação. A falta de respeito (civismo? educação?) é uma constante, e quando aparece alguém (de automóvel) a tentar ser cordial e responsável é logo insultado, buzinado e em algumas situações agredido (já senti isso na pele). As situações de "foi quase" são uma constante. "Foi quase" um acidente. "Foi quase" um atropelamento. A rotunda do Marquês tem a particularidade de ser atravessada diariamente por milhares de pedestres, é um milagre que não haja mais atropelamentos, tal a impaciência assassina dos condutores de automóvel. Mas permitam-me que refira o facto de isto não acontecer só com os condutores particulares. Já tive alguns dissabores com camionistas, tanto de transportes públicos como de privados – não é tranquilizante andar de bicicleta e ter um camião colado atrás a buzinar, que não nos pode passar porque a rua ou o tráfico não o permite naquele momento.
Esta introdução para referir que estes dois casos concretos (o do camionista em Inglaterra e o da condutora no Terreiro do Paço) infelizmente não são casos pontuais. Simplesmente foram casos de azar, com diz o G. Afinal, aquela senhora que matou três seguia a uma velocidade dentro dos limites - aquela via é uma AE, certo? Se não é, parece. E quem liga a isso? Se acaso aquela senhora não tivesse morto três pessoas alguém se importaria que ela conduzisse a 120 Km/H numa via em que a mais de 40 já é um exagero? Ela não sabia ANTES que ali não se passa a 120? Quantos passam por lá a velocidade superior? Mas como são condutores mais seguros a 150 Km/H que eu a 40, deixem-nos passar. Até que um dia atropelam alguém e necessitam de apoio psicológico. E depois? Voltam para a estrada e volta tudo ao mesmo, até atropelarem outros ou terem um acidente que os vitima.
Eles são tão assassinos como a maior parte dos condutores automóveis. Um condutor é um assassino em potência, é responsável por uma arma mortífera. Quando eu me sento no automóvel e o conduzo sou um assassino em potência. Tal como um caçador. Empunhar uma arma de fogo torna-o um potencial assassino. Por isso ele sabe que tem de ser cuidadoso e responsável no seu manuseio. Se não o fôr é um assassino. E a esmagadora maioria recusa-se a perceber isso. São todos grandes condutores, tipo Ayrton Senna (esse morreu num acidente de automóvel, parece-me). Confundem a utilização diária do carro (o meio) com as provas de automóveis (o fim) (a propósito, alguém percebe o motivo de chamarem desporto às corridas de carros? Não haverá também aqui uma instigação directa aos hábitos de condução da maior parte de nós?) Neste dois casos concretos, os assassinos em potência tornaram-se em assassinos de facto, tudo porque não tiveram atitudes responsáveis. São os únicos? Claro que não, TMC. O GNR morto no Fundão. O casal de Lisboa que foi morrer a Vila Real. Aquele idoso de bicicleta que motivou um protesto invulgar, aqui referido por vós. E tantos outros. Mas temos de pegar nestes casos concretos para tentar modificar as mentalidades. E isto não vai lá com falinhas mansas. Falinhas mansas é afirmar que foram "azares".
Para terminar, G, esse exemplo é cretino, na melhor das hipóteses. Alguém será responsável pelo acidente (porque razão apareceu ali óleo na estrada?), mas seguramente não são nem o condutor nem os passageiros. (Porque referes a ausência de comboios para dares esse exemplo? Também há acidentes de comboio.)
Boas pedaladas.
De G a 31 de Outubro de 2008 às 18:13
Congratulo-me por alguém com um nível de argumentação tão baixo considere o meu exemplo cretino. É bom sinal.

MC, as palavras na internet têm um peso diferente que as de uma conversa ao vivo. Porque dás a ideia de pessoa alheada da realidade. Eu considero-me fundamentalista nas questões rodoviárias, e prefiro não conduzir o carro quando tenho essa opção, porque sei que mais cedo ou mais tarde irei copiar os erros dos outros.

Agora, se queres manter esta discussão sê sério, e não cites errado. Eu não falei de azar em relação ao caso do Terreiro do Paço. Aliás, eu não disse nada. A condutora, essa sim, e se o que veio nos jornais é mesmo verdade, é mesmo uma assassina. Sem mais. No caso do País de Gales, não sei pormenores. Não sei se foi apenas azar (porque se não queres ter azares, a única maneira é não saíres de casa), incúria do condutor, ou, num caso extremo (mas que tu adoras reafirmar), um caso de fúria psicótica. Seja como for, faltam-me os pormenores (assim como a ti, já agora).

E o meu exemplo é cretino porquê? E se o condutor no País de Gales encontrou uma mancha de óleo? Ou se os travões falharam? Sabes se alguma destas coisas aconteceu? Não sabes, pois não? Então porque falas?

E, por favor, não ponhas palavras na minha boca.

saudações, abraços, beijos a todos
De Helder a 26 de Janeiro de 2011 às 11:53
Para os que morreram tambem correu mal...

Será homicio por negligência, e terá corrido mal, ok, e alguns termos por vezes são excessivos, mas e complacência portuguesa sobre tal? Há 7/8 anos, a um condutor, em Coimbra, correu mal uma travagem em cima de uma passadeira...das duas pessoas que tiveram o azar, correu mal, de lá estarem, uma morreu e a outra ficou ferida com gravidade, entretanto não sei o que lhe aconteceu...correu mal. Pena suspensa para o condutor, ainda bem que correu bem.
Já agora, nos ultimos 3 dias ía sendo atropelado 6 vezes em passadeiras em Lisboa e não, não me atirei, 3 dos condutores até levantaram a mão, do genero, épa não te vi, desculpa lá...tenho 1.86m e apenas 1 destas situações foi à noite...e a passadeira é bem iluminada, correu bem...
De Nuno a 2 de Novembro de 2008 às 14:01
Julgo que toda a gente em Portugal tem uma opinião muito forte sobre o assunto da segurança rodoviária mas é preciso , acima de tudo, manter a serenidade para que se possam ter discussões com significado.

O condutor do camião não foi de facto (ainda)responsabilizado formalmente mas o que se pode dizer com certeza é isto:

1. As estradas são palco de uma guerra com milhares de vítimas anuais

2.A esmagadora maioria dos acidentes podia ser evitado ( especialmente se o condutor do camião estava embriagado, se trabalhava demais ou se a estrada estava em mau estado).

3. A maior parte dos automobilistas usa o carro frequentemente quando e onde não necessita dele e\ou tem comportamentos abusivos quando o utiliza, seja para com peões e ciclistas, seja com outros automobilistas.

4. Existem pessoas responsáveis e irresponsáveis a pé e de carro porém apenas uma delas tem um veículo de 2 toneladas.

Julgo que no fundo todos concordam, apesar das diferenças aparentes, que tudo terá que mudar na atitude dos portugueses (e não só) na estrada e nas ruas mas para que isso aconteça é importante gerar consensos que envolvam todo uma variedade de perspectivas.


De anabela a 2 de Novembro de 2008 às 16:35
Sexta feira, 31 de outubro, 08h30, estou a atravessar a rua, na passadeira, com o meu filho de 5 anos pela mão para o levar à escola, aproxima-se um camião devagar, faz-me sinal de luzes para eu atravessar, não vejo mais veículo nenhum a aproximar-se, a partir do momento em que o camião se imobiliza começo a atravessar já perante o olhar de impaciência do condutor que, suponho, achava que eu já tinha tido tempo de atravessar, avanço , chego a meio da passadeira paro para espreitar, nem tive tempo porque fiquei petrificada, naquele momento passa a centimetros dos meus pés um carro a alta velocidade conduzido por uma mulher, que não me matou a mim e ao meu filho, na passadeira, por acaso, não foi por sorte, foi por acaso porque eu fui prudente. E se o meu filho me tivesse largado a mão e tivesse corrido na passadeira? e se eu não tivesse parado? Teria sido azar? Questionar-se-ía se aquela mulher era uma assassina? Provávelmente também é uma mãe de familia, vai à missa aos domingos, ajuda o próximo, tem bons sentimentos, blá , blá, blá...... de certeza que não pensou "deixa-me cá acelerar na passadeira, tá ali um camião parado, deve ir um peão a atravessar, vamos lá ver se lhe acerto" de certeza que não premeditou tal coisa, mas também não pensou: "estou a travessar uma zona residencial, cheia de passadeiras sem semáforos e perto duma escola, vou conduzir com prudencia"; e é aqui que reside o problema, aquela senhora não congeminou matar-me a mim e ao meu filho, mas esteve a um segundo de o concretizar, não chegou a vias de facto porque fui duplamente prudente, teve sorte? ou será que fui eu que tive sorte? Não foi sorte ou azar foi o acaso, é uma assassina em potencial assim como são muitos, porque esta situação acontece-me montes de vezes porque ando muito a pé, e só quem não anda a pé é que não dá por ela. A grande maioria dos condutores são arrogantes, imprudentes, irresponsáveis, agressivos e escudam-se na impunidade e na velha máxima que um azar pode acontecer a qualquer um, agora, na minha óptica, o que muitos definem como azar é na verdade crime, resultante da incúria, mas não deixa de ser crime, mesmo que seja praticado por gente com melhores sentimentos que os meus a quem a sociedade não tenha nada a apontar.
De Iletrado a 3 de Novembro de 2008 às 18:29
Caro G
"Um assassino é alguém que quer matar". Foi o que tu escreveste. Esse teu comentário foi baseado no texto aqui escrito por MC. Significou isso, para mim, que tentavas desculpar o sucedido. Porque esse teu comentário foi baseado numa situação concreta, o acidente em Inglaterra. MC, ao escrever este artigo, focou aqui o que se passa por estes dias, que se reflecte também no elevado número de pedestres mortos nas nossas estradas: a falta de responsabilidade, a falta de civismo. A culpa é do azar. A culpa nunca é nossa, pode acontecer a qualquer um por azar. Também "porque se não queres ter azares, a única maneira é não saíres de casa." Também o escreveste. Passando um pano branco por todas as atitudes irresponsáveis que se cometem nas estradas. Depois, "tadinho", teve azar.
Reconheço que chamar cretino ao teu exemplo foi infeliz da minha parte. Devia ter escrito que era um exemplo desenquadrado do artigo em questão. E da minha argumentação.
Porque dizes que me faltam os pormenores? Porque afirmas que não sei? Antes de escrever o primeiro comentário fui à procura de mais informações. O que eu sei, provavelmente à semelhança da tua pessoa, é baseado no que vem descrito na Rede, em especial na BBC e nas páginas locais de rádios e jornais de Cheshire. Esse dia parece ter sido especialmente nefasto lá para aquelas bandas. Ao contrário do que já li por aí, a polícia não prendeu só o "nosso" para servir de exemplo. Prendeu outros condutores suspeitos de práticas danosas ao volante. Um deles admitiu que ia distraído. Essa distracção custou "só" a vida a dois jovens que seguiam no automóvel em quem o "distraído" bateu. Se ele será condenado, isso já é outra história. Mas para mim não deixa de ser um assassino.
Mas vamos ao caso concreto do "nosso" homem. Muito experiente, disse o patrão dele, (como a esmagadora maioria dos nossos condutores) conduzia dentro dos limites. Teve azar, foi o que disse o seu patrão. Tinha havido outro acidente antes, a estrada estava atulhada de carros, não teve tempo de reagir. Palavras do patrão do homem. Então, se assim é, como é que uma viatura bate noutra, fica por cima desta e provoca o seu incendiamento? Segundo os relatos a que tive acesso, aquela mesma AE tinha sido palco de um outro acidente e estava saturada de trânsito, confirmando uma parte das declarações do patrão do homem. Então, explica-me, como é que um camião fica em cima de um automóvel de tal maneira que provoca o incendiamento deste?
De G a 3 de Novembro de 2008 às 23:22
assassino
adjetivo
1. que assassina; mortífero
2. figurado que destrói
nome masculino
1. pessoa que mata outra ou outras premeditadamente
2. figurado destruidor
(Do ár. hassasî, «bebedor de haxixe», pelo it. assassino, «id.»)


Certamente que estarão a bater no ceguinho errado. Não tenho paciência para jogos de citações manipuladoras, e de certeza que não me conhecem nem aquilo o que defendo, senão não me atacariam assim.

Agora eu sou o defensor dos condutores que não sabem conduzir? Por favor, para isto não há paciência. Se me atacam a mim, quem não atacarão?
De Iletrado a 3 de Novembro de 2008 às 18:30
É aqui que entra a tal responsabilização. Se o tráfico é intenso deve diminuir-se a velocidade. O limite máximo de velocidade é isso mesmo: um limite máximo a partir do qual, sob circunstância alguma, não se devia circular. No entanto as pessoas esquecem-se, lêem "obrigatório seguir a 90" quando deviam ler "máximo 90". Mas há circunstâncias que aconselham a circulação a velocidades muito mais baixas que o limite. Era seguramente o caso nessa AE. Tal como em Portugal, o condutor, só porque seguia dentro dos limites, decidiu não diminuir a velocidade, apesar do estado do trânsito. Não passou os limites, isso é que importa. Depois, claro, bateu, não teve tempo de reagir. É especulação da minha parte? Claro que é. Neste caso concreto até posso estar enganado, pode haver de facto uma explicação para o sucedido que iliba o condutor. Limito-me a tirar conclusões sobre o que li e depois sobre o que observo por cá: chuva ou trânsito intenso ou trânsito citadino ou ruas cheias de gente, a velocidade é para manter. (E quando se quer parar estaciona-se em cima do passeio) No meio dos pedestres, tal como referi no exemplo da subida para as Amoreiras, quase ninguém conduz devagar. É a pressa, sempre muita pressa. O exemplo da anabela é uma gota no meio do oceano de atrocidades que se cometem todos os dias ao volante. Mas tu achas que estou a exagerar. Achas que o homem não é um assassino. As coisas correram mal, foi o que tu escreveste. Pois é. Foi também o que aconteceu com a condutora do Terreiro do Paço. As coisas correram mal. Se ela não tem atropelado aquelas pessoas alguém notaria que ela passou a 120 na Baixa? Ficaste com esse caso atravessado na garganta por ela ter atropelado as pessoas ou por conduzir a essa velocidade? Quantas vezes passou ela por ali àquela velocidade? E tu sabes se ela não passou por cima de óleo? Se o pneu do carro não terá rebentado? Se ela não teve um qualquer problema de saúde, tipo um desmaio, que fez com que ela tenha carregado no acelerador? Se ela foi encadeada pelas luzes de algum outro carro que vinha de frente e não se apercebeu dos pedestres? O discurso da desculpa poderia servir se todos fossem responsáveis, conscientes que têm uma arma na mão. Quando isso acontecer será mais fácil perceber que o condutor não teve culpa no acidente. Até lá, da maneira como agimos na estrada, seremos assassinos. Sem premeditação, como afirma a anabela, mas com dolo.
Peço aos donos da página que me desculpem pela usurpação do espaço.
Boas pedaladas.
De G a 3 de Novembro de 2008 às 23:33
"Mas tu achas que estou a exagerar. Achas que o homem não é um assassino. As coisas correram mal, foi o que tu escreveste."

"Ficaste com esse caso atravessado na garganta por ela ter atropelado as pessoas ou por conduzir a essa velocidade?"

Obviamente estão a usar-me para articularem as vossas ideias. Se quiserem eu explico de novo: qualquer sistema juducial assenta no princípio da presunção da inocência. Também gostariam de ver nas páginas dos jornais a presunção da vossa culpabilidade em algum caso, como fizeram a esse senhor? Eu não sei o que aconteceu, a polícia britânica está a investigar. Eu não falei que o senhor teve azar e coitadinho e sei lá o quê - eu disse que, como vocês, não sei o que aconteceu.

Quanto ao caso do Terreiro do Paço. Parece-me que neste blogue, quanto mais se escreve mais se é mal citado. Eu explico a minha opinião sobre o caso. Fiquei horrorizado com as velocidades verificadas naquela via e fiquei ainda mais horrorizado com o comportamento da comunicação social, desculpando o acidente com 'obras na zona' e uma 'passadeira e zona entre passadeiras mal desenhada'. Não estou a citar diretamente mas foi a impressão que me deu. Ou seja, Anabela, Iletrado e MC, se me querem citar, citem direito. Não inventem coisas que não escrevi.
De MC a 4 de Novembro de 2008 às 00:00
G,

da minha parte, citei apenas citei um parágrafo teu completo. Mais nada. Do teu lado recebi já recebi duas acusações por algo que não fiz. Repara quem escreveu o quê antes de atirares acusações para o ar.

Cumps
De anabela a 4 de Novembro de 2008 às 15:12
G,
Não se amofine por minha causa porque eu não o citei e nem sequer pensei em si(?) enquanto opinei. O meu comentário limitou-se a ser o relato de uma situação que me tinha acontecido, igual a tantas, e desenrolou-se comigo a dar uns bitaites sobre o assunto e a única pessoa visada e eventualmente atacada, foi a quase-futura-presumivel-assassina da minha pessoa e o do meu querido filhote, ambos tão jovens e belos para morrermos esborrachados no alcatrão por culpa de uma parva qualquer, foi só isto. Qualquer coisa ,mais que isto, que se retire daqui é dar ás minhas palavras uma importância que elas não têm.
De MC a 3 de Novembro de 2008 às 22:49
G,

tens toda a razão no primeiro comentário. Abusei na linguagem de propósito, para provar o meu ponto (que há uma estranha condescendência para com homicídios por negligência ao volante)... e parece que esse ponto te passou ao lado - o que é de si mais uma prova da condescendência generalizada!
Só para que não fiquem dúvidas, vou alterar o post de "assassino" para "alegado homicida".
Já agora (e dada a tua acusação a alguém), tu puseste palavras na boca de alguém, neste caso na minha! No comentário de 31 de Outubro de 2008 às 18:13, diriges-te a mim, mas eu não tinha feito nenhum comentário às tuas palavras!

Iletrado, os 2 comentários de 3/10 são exactamente onde eu queria chegar. A desculpabilização por causa dos "azares", de alguém que deveria saber que tem uma arma letal nas mãos. (e como sempre não usurpas espaço nenhum, pois ele é de todos!)

Anabela, como sempre adoro os seus comentários. E esse exemplo é excelente.. e muito triste.

Resumindo: porque é que quando alguém morre/adoece/fica maltratado por negligência médica, por um atraso da ambulância, por incúria da polícia, por uma má legislação, por intoxicação alimentar, etc. se levanta tanta celeuma e tantos protestos, mas quando um condutor mata 6 pessoas a sociedade desculpa-o?

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