Sábado, 18 de Outubro de 2008

Groningen Vs Lisboa

 Inspirado neste post do blog do fórum CidadaniaLx, e sobre um outro post mais antigo do mesmo blog, sobre a Universidade de Lisboa decidi repôr a verdade sobre a cidade de Groningen, uma vez que conheço bem...

 

Segundo os dados do Eurostat, em 2005 o Pib per Capita dos países baixos relativos á média europeia a 27 países, era de 131.1% enquanto o Pib per Capita Português era de 75.4%.

 

Seria injusto comparar Lisboa e Groningen uma vez que Lisboa é a Capital e Groningen é uma zona longínqua da Holanda e longe da actividade económica do Sul da Holanda. Com sorte, no mesmo relatório pode-se ver o Pib per Capita de Lisboa, zona mais rica de Portugal e também o Pib Per Capita de Groningen... Lisboa supera a média Europeia em 106.4% enquanto que Groningen apresenta um supreendente valor de 164% da média Europeia!

 

As imagens e comentários que se seguem podem ser chocantes para alguns dos alunos da Universidade de Lisboa.

 

 

 

 Em Groningen também não é fácil encontrar lugar para estacionar.

 

 

Em Groningen, obrigam os mais velhos a deslocarem-se de bicicleta, mesmo em dias chuvosos.

 

 

Em Groningen é comum ter que andar á boleia, mas sempre, no luxuoso lugar de trás.

 

 

Em Groningen, uma das duas praças centrais já chegou a ser um grande estacionamento automóvel nos anos 70, hoje em dia existe mercado 3 dias por semana, e é raro que nos outros dias não haja qualquer outra actividade ou animação na rua. Ah, e claro, os carros são proibidos de se deslocar no centro.

 

 

 Em Groningen, para se levar um carro (ou meio) para o centro é preciso ser criativo.

 

Obviamente, Groningen não é Lisboa, Groningen apesar de não ser totalmente plana, não tem os declives de Lisboa, mas em Groningen, as temperaturas baixas, o vento e a chuva são uma constante.

 

Groningen tem características únicas, mesmo na holanda, como por exemplo uma isenção de horário de fecho para os establecimentos de diversão nocturna.

 

Groningen não tem grafittis nas paredes (poucos), tem 40 mil estudantes, dos quais, cerca de 2500 são estrangeiros, dos quais cerca de 15 são Portugueses.

 

Em Groningen, as casas que não estão habitadas podem ser legalmente ocupadas ao fim de um ano.

 

É uma cidade compacta, onde vivem 180 mil pessoas, todos os espaços são aproveitados e as interacções sociais são uma constante. Uma cidade que não adia actividades ao ar livre por causa do mau tempo. Uma cidade criativa que não se queixa mas cria. A criativade faz falta a Lisboa, na forma de enfrentar os problemas, na forma de repensar os assuntos...

 

Por outro lado, existem na Holanda políticas de limitação da criacção de centros comerciais e as lojas de grande consumo e multinacionais convivem lado a lado com o comércio tradicional, tornando-se importantes âncoras para a dinamização do mesmo. Em Portugal, os centros comerciais longe dos centros urbanos proliferaram nos últimos anos. Incentiva-se e torna-se o uso do automóvel essencial. Terá mesmo de ser assim?

 

Porque não utilizar políticas de ocupação legal de casas devolutas, para combater a desertificação do centro de Lisboa?

 

Porque não limitar o estacionamento automóvel em zonas como a Cidade Universitária (ou deverei dizer 'Parque de estacionamento Universitário')?

 

Porquê insistir na criação de mais centros comerciais longe dos centro urbanos?

 

Lisboa, nunca será Groningen, mas o que faz pena é que também poderia ser uma óptima cidade para se viver!  (Visita recomendada ao blog Lisboa SOS)

 

 

publicado por António C. às 19:22
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6 comentários:
De Anónimo a 19 de Outubro de 2008 às 00:36
Para rever os principais programas da TV e rádio aconselho a visita a este site:

http://tinyurl.com/programas

Directório de Programas de TV e Rádio na Internet de Portugal

E ainda os principais canais de notícias internacionais:
CNN, Sky News, BBC World, France 24, Rai 24 horas, Euronews
De Ricardo Sequeiros Coelho a 19 de Outubro de 2008 às 17:08
Ainda há pouco estive na Holanda. Percorri grande parte do país utilizando a excelente rede de comboios (não fui a Gronigen...) e a única cidade onde vi trânsito foi Roterdão, onde as políticas de urbanismo são bem mais orientadas para o trânsito individual. Mas a questão que me assola é esta:
São muitos, mesmo muitos, os que vão a Amsterdão, a Londres ou a outra cidade onde se retiraram os carros do centro e voltam maravilhados, a dizer que Portugal é mesmo atrasado e outras coisas que tal. Mas quando na sua cidade alguém sugere expandir as faixas bus, criar ciclovias, pedonalizar ruas e praças ou qualuer outra medida que ponha em causa a circulação automóvel, são contra. Como explicar esta dissonância cognitiva?
De António C. a 19 de Outubro de 2008 às 18:02
Quem viaja com a finalidade de fazer turismo fica fascinado e surpreendido por características dos locais que visita mas não percebe o impacto que essas diferenças teriam no seu dia-a-dia.

Percepcionar uma vida sem automóvel, ou reduzindo drasticamente o seu uso, assume-se, em Portugal, como uma fatalidade que essas pequenas visitas não são suficientes para contrariar.

Resta ás pessoas com sentido crítico e criatividade suficiente mostrar através destas janelas (blogs ou outras) que não tem mesmo de ser assim...



De Anónimo a 20 de Outubro de 2008 às 17:43
Se calhar não conhecemos os mesmos "que vão a Amsterdão, a Londres ou a outra cidade onde se retiraram os carros do centro e voltam maravilhados, a dizer que Portugal é mesmo atrasado e outras coisas que tal". Os que eu conheço não se opõem a ver medidas semelhantes aplicadas nas suas ruas.
De Nuno a 20 de Outubro de 2008 às 21:10
A maioria dos nossos conterrâneos vê este post e não percebe a ironia (the horror, the horror) mas como chega cá tudo 20 anos mais tarde a esperança é a última a morrer.

Entretanto continua o slalom diário entre os carros e comportamentos egoístas.
De emprego lisboa a 10 de Março de 2011 às 11:57
Acho uma bela ideia. Mas até passar a prática é que são elas...

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