Sexta-feira, 3 de Outubro de 2008

Modernismo saloio

Não contente com os CINCO benefícios financeiros (zero de ISP, zero de IA, zero de imposto de circulação, apoio governamental ao projecto, electricidade a preços baixos) com que o Estado brinda os popós eléctricos, o governo prepara-se para um SEXTO empurrãozinho financeiro! Desta vez passa pelo abatimento em sede de IRS.

É dinheiro que todos nós vamos pagar para incentivar quem quer andar de popó eléctrico. Quando o transporte público é melhor em todos os aspectos (ambiental, custos energéticos, custos de operação, infra-estruturas necessárias, congestionamento, qualidade de vida urbana, etc...) que o carro eléctrico, quando Portugal tem um enorme potencial de crescimento em termos de utilização dos transportes públicos, quando vivemos numa época de enormes exigências em termos de eficiência energética, porquê esta insistência?

Ainda vivemos numa modernidade à anos 60, quando se pavimentavam países de auto-estradas, destruíam-se cidades com viadutos, construíam-se aglomerados de prédios com auto-estradas pelo meio como Brasília, menosprezava-se o transporte público e havia um fascínio porque tudo que era aparelho eléctrico.

 


A ver: Ride, don't drive, publicidade americana aos transportes públicos.

publicado por MC às 13:56
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12 comentários:
De Nuno a 4 de Outubro de 2008 às 17:20
Será que se poderá argumentar junto do governo para apoiar aquele outro veículo eléctrico- o comboio?

É que cumpre e excede todas as vantagens dos veículos eléctricos, não subsidia empresas multinacionais, e beneficiaria directamente sobretudo população que não dispõe de 25.000 euros para um carro destes.

E se fossem os bilhetes e passes de comboio e metro incluidos neste pacote de dedução fiscal?
De anabela a 5 de Outubro de 2008 às 19:21
O meu comentário não tem directamente a ver com o post.
Já sigo este blog há algum tempo e já aqui fiz um comentário ou outro, agora venho aqui partilhar uma coisa que me apoquenta.
Li aqui há uns tempos uma entrevista ao senhor presidente do office park da Expo em que ele defendia (creio que até exigia) a destruição da porta norte da expo (que classificava como um monte de madeira podre) assim como que se retirassem os pinos e paralelepípedos da Alameda dos Oceanos ou seja que se desbloqueasse aquela zona onde estão os vulcões de água e há jardim ao trânsito de atravessamento do Parque das Nações. Achei que era um delirio, ameaçador e perigoso, mas um delirio.
Esta semana li (noticias Do Parque) que parece que está tudo encaminhado para que isso venha a acontecer, estou estupefacta mas assustada, eu sou daquelas que acreditou na Expo e que aqui viu uma alternativa, uma maior qualidade de vida dentro da desumanização que é esta cidade, um ditio para criar os filhos, moderno, com espaços verdes, com uma boa escola pública ao pé de casa, com transportes públicos eficazes, enfim uma vida de bairrodo sec. XXI. Já me desiludi muito, mesmo assim acho que não há muito melhor e isso também é triste.
Desbloquear a Alameda dos oCeanos ao transito significa a destruição dos vulcõe s e daquele espaço ajardinado custa-me a acreditar que se destrua um espaço verde quando já se investe tão pouco nesse campo, mas a Expo é bom exemplo disso de progressiva destruição de espaços verdes em prol do alcatrão e do cimento. Não sei se se pode fazer alguma coisa, gostava que sim, isto não afecta só os moradores (alguns se calhar até acham bem, mais acessos, as pessoas têm um fetiche por acessos) afecta também os milhares de pessoas que gostam de para aqui vir passear porque, precisamente a oferta de espaços verdes nesta cidade é exígua.
Acho que isto é um problema de todos, mais uma vez vai-se destruir patrimonio que é de todos em prol de alguns.
De MC a 7 de Outubro de 2008 às 19:47
Eu gosto sempre dos seus comentários! Escreva sempre!

Isso que descreve é lamentável. Tanto que a zona tem funcionado sem a automóveis na alameda (o estacionamento na avenida paralela interior bem poderia ser mais controlado, mas enfim). Se isso acontecer vai ser a morte daquela zona... Alguém acha que haveria tanta gente a passear pelo Parque se tivesse tanto trânsito como a Avenida da Liberdade?
De Bom condutor a 7 de Outubro de 2008 às 18:18
Sobre os transportes públicos:

1. Qualquer utopia é bonita, mas vivemos em Portugal e não na Dinamarca. Até eu, na minha cruzada por melhores condutores - http://bomcondutor.blogs.sapo.pt - admito ter escassas possibilidades de êxito. Quanto mais, querer que os portugueses abdiquem dos carros.

2. Andar de transportes é giro, quando se está de férias ou a conhecer outro país, mas para o dia-a-dia, não me serve. Os transportes públicos são por natureza... públicos, e esse é o grande problema. O inferno são os outros, já dizia Sartre. E ele sabia do que falava.

Saudações,
Bom condutor
De Nuno a 11 de Outubro de 2008 às 23:08
1. Devemos conformarmo-nos face á adversidade, face a benefícios óbvios após transpor a mesma?

2.É chato partilhar espaço com outras pessoas em sociedade?
De bom condutor a 14 de Outubro de 2008 às 15:47
1. Nunca devemos conformar-nos! É por isso que tento educar os condutores portugueses, que é tão difícil como tentar ensinar o meu gato a tocar Chopin com as unhas.

2. Viver em sociedade implica partilhar espaços com os outros. Mas se há alguns que são obrigatórios - um trabalho, um mercado, um restaurante - há outros que felizmente não o são.

Além disso, eu posso escolher o restaurante que quiser, e a minha escolha afecta (em parte) as pessoas com quem o irei partilhar. No entanto, eu não posso escolher o comboio ou o autocarro que quiser, e muito menos quem o usa. Os transportes públicos são o mais obrigatório, e geralmente penoso, dos abusos que a sociedade faz sobre a nossa privacidade e sossego individual.
De Nuno a 14 de Outubro de 2008 às 22:53
Compreendo os motivos que enuncia, não me passa pela cabeça obrigar alguém a andar de transporte públicos- os benefícios destes deverão tornar natural a sua escolha. É também verdade que os transportes públicos ainda necessitam de várias melhorias e alargamentos- mas melhorar é sempre possível com alguma iniciativa.

O que pretendia dizer era:

1.Se poucos andam de transportes públicos porque a qualidade destes é insuficiente a sua qualidade só pode aumentar se mais pessoas os frequentarem!

É um impasse que muitos países bem capazes de terem carros e gastos maiores do que os nossos conseguiram ultrapassar e onde de certeza são frequentados por todo o tipo de pessoas.

2. Se se protesta pelo preço dos combustíveis que dificultam o seu dia-a-dia e não existem alternativas públicas de transporte parece-me relevante organizar um grupo que exija maior qualidade de T.P.'s

3. Viver em sociedade é natural quando não se é eremita. Obviamente que é subjectivo mas nunca tive má experiências (barulhentas sim mas nunca ninguém me fez uma barbaridade que me arriscasse a vida dentro de um autocarro).
Pessoalmente (falo apenas por mim) estar num shopping mais do que 1 hora é um ambiente mais agressivo do que ficar num comboio 2 horas.
É possível ter privacidade para trabalhar e até para ver um filme dentro de um comboio- muitos fazem-no diariamente...

Se se anda de carro não porque é um meio de transporte, rápido, económico e conveniente mas apenas porque sim então eu sinto-me impotente para contribuir para tentar melhorar a qualidade vida e ambiente urbano (e não só) e o Bom Condutor de certeza que não terá reclamações pela opção consciente que tomou para os deslocamentos diários.
De bom condutor a 15 de Outubro de 2008 às 14:31
Nuno, não pretendo passar por inconsciente ou irrealista. Os TPs são o socialismo da locomoção: colectivos, baratos, e ecológicos; pessoas como eu teimam numa opção burguesa/comodista, que é reconhecidamente insustentável a longo prazo.

Mas quem já andou num barco do Barreiro para Lisboa às 7 da manhã, ou no metro à hora de ponta, ou esperou por um autocarro cujo horário parece tão regular como os resultados do Sporting, sabe do que estou a falar.

A «maior qualidade de T.P.'s» é certamente bem-vinda, mas pelo menos para mim, será sempre passar de cavalo para burro. Levo 10 minutos de carro ao meu trabalho, se for de transportes levo mais 20 ou 30, conforme as esperas. E tenho de levar com o miúdo parvo que tira macacos do nariz a olhar para mim, a mulherzinha histérica que grita com condutor, e o zé manel que toma banho (só) aos domingos, e passa as viagens a tentar esfregar-se nas garinas.

Ou seja: melhorar os TPs não irá melhorar os portugueses, infelizmente não funciona assim. Concordo que não é só nos TPs, também não tolero centros comerciais, e é por isso que evito frequentá-los. Compreendo o seu exemplo do comboio, a ver um filme e tal, mas nem todos são assim, e além disso o comboio é um relativo luxo entre os TPs que temos.

Finalmente, nem tudo é casa-trabalho: se em todas as minhas deslocações profissionais e pessoais dependessem de TPs, estava numa grande alhada. Tenho de visitar clientes em centros industriais e outros de difícil acesso, e gosto de passear em sítios pouco frequentados. Se agora levo 1 hora e tal para chegar a um cliente algures entre Sintra e Cascais, de TPs perdia uma manhã inteira. E para ir almoçar a um sítio que fica a 2 horas... mais valia sair de casa às 8 da manhã.
De Nuno a 15 de Outubro de 2008 às 18:34
Tem toda a razão quando diz que os TP's (ainda) não servem para todas as deslocações, nem acho realista a curto-médio prazo contar que o façam para a maioria da população.

Mas a esmagadora maioria da população abusa do automóvel ( não estou a dizer que você o faça), abusa do seu estacionamento, abusa da sua velocidade, abusa da sua conveniência ao ponto de a sabotar (engarrafamentos).

Pessoas que dependem do automóvel para o seu rendimento, como o seu exemplo, são uma excepção.
A prova é, mais uma vez, que todos os países europeus com maior rendimento e qualidade de vida frequentam muito mais transportes públicos e as bicicletas do que nós, transportam mais bens de comboio, fazem mais exercício, etc. Sei por experiência de anos a viajar de comboio pela Europa que têm tantos barulhentos, chatos, crianças e malcheirosos como nós.

E se calhar os aumentos da gasolina pesam-lhes bastante menos...

Não desista dos transportes públicos quanto mais não seja porque mais pessoas nestes significam estradas menos congestionadas, menos stress ao volante nas ruas e menor procura de combustíveis (preços mais baixos).

É uma questão de senso comum.
De MC a 3 de Novembro de 2008 às 22:25
bom condutor,

"Além disso, eu posso escolher o restaurante que quiser, e a minha escolha afecta (em parte) as pessoas com quem o irei partilhar. No entanto, eu não posso escolher o comboio ou o autocarro que quiser, e muito menos quem o usa. Os transportes públicos são o mais obrigatório, e geralmente penoso, dos abusos que a sociedade faz sobre a nossa privacidade e sossego individual."

Claro que do ponto vista estritamente egoísta (sem querer dar alguma conotação negativa), o automóvel é muito melhor em muitas características, ninguém discorda. Mas o principal problema do automóvel é o enormíssimo impacto (e quase todo o blogue é sobre isto, não preciso de mais exemplos) que a escolha de um indivíduo tem nos restantes, seja em termos de sinistralidade, gastos públicos, poluição, congestionamento, abuso do espaço urbano, desumanização das cidades, etc. Esse sim é um enorme abuso que um indivíduo inflige à sociedade .

Cumps
De José M. Sousa a 8 de Outubro de 2008 às 12:03
Muito a propósito, este artigo de Monbiot

The Other Bail-Out (http://www.monbiot.com/archives/2008/10/07/the-other-bail-out/) sobre o apoio aos construtores automóveis.

Já agora sobre a Crise Financeira, recomendo este livro:
The Coming First World Debt Crisis (http://www.amazon.co.uk/Coming-First-World-Debt-Crisis/dp/0230007848)
De MC a 3 de Novembro de 2008 às 22:52
Obrigado. É interessante. Felizmente é um tema que por cá não tem grande impacto, mas na Alemanha é impressionante como o governo é "sensível" às preocupações da indústria, ao ponto destas "preocupações" estarem presentes em tudo o que é debate europeu.

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