Sexta-feira, 26 de Setembro de 2008

Ainda a semana da mobilidade em Lisboa: peões

Além das boas notícias em termos de transportes públicos, alguns corredores BUS novos, zonas 30, e bicicletas, houve ainda boas notícias para os peões. Foi aprovada a Carta de Direitos dos Peões (para que servirá não sei), aumento da frequência dos semáforos para travessia em algumas zonas, diminuição de 1,2 para 0,8m/s como velocidade mínima para a qual o semáforo verde é garantido ao peão, repintura de passadeiras de qualidade (a qualidade da "repintura" que supostamente aconteceu há um ano foi vergonhosa) e medidas de acalmia de tráfego junto às escolas (como a sinalização na foto e zonas 30).

Infelizmente os quase dois anos que este blog já leva, ensinaram-me que estas declarações muitas vezes não passam disso. Já perdi a conta à quantidade de vezes que foi anunciada tolerância zero para o estacionamento ilegal e melhoria dos semáforos para peões... Pouco aconteceu e conheço até casos em que o peão foi prejudicado recentemente. O facto da ACA-M ser um parceiro nesta mudança dá-me contudo alguma esperança... vamos a ver.

Curiosamente, e isto é mais um sinal sintomático da submissão das pessoas nas nossas cidades, o título que o JN dá a estas medidas é "Peões tornam-se os verdadeiros reis da estrada"! Se o jornalista fosse a qualquer cidade do Norte da Europa, diria que os peões são os Imperadores do Universo.

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publicado por MC às 22:28
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2 comentários:
De Iletrado a 29 de Setembro de 2008 às 11:03
Caro MC
Tive a oportunidade, 10 anos depois, de pedalar nas Serras de Montemuro e do Marão, no fim-de-semana passado. Sem pretender fazer alarde dos quilómetros percorridos, tenho no entanto de referir que fiz muitos (só em estrada) e passei por muitas localidades dessas serras, muitas delas estendendo-se ao longo da estrada principal, seguindo portanto a orografia do terreno, orografia essa que, para quem não sabe, torna qualquer subida de Lisboa um mero declive. Com alguma surpresa reparei que em muitas aldeias e pequenos lugares os velhos utilizavam bicicletas nas suas pequenas deslocações, alguns subindo verdadeiras paredes. O que achei curioso foi o facto de nenhuma dessas pessoas estar integrada num desses grupos qualquer-coisa-turismo, agora muito em voga. Não, eram pessoas que se deslocavam ou para o café da aldeia ou para a sua parcela de terreno ou para qualquer outro local específico, utilizando a bicicleta como O meio de transporte. Também achei curiosa a resposta de um desses velhos quando lhe perguntei porque utilizava a bicicleta em vez do automóvel: "Só usa carro quem não tem potência!". Não quero deixar passar em claro o facto de, na sua esmagadora maioria, só velhos e crianças utilizavam as bicicletas. Tudo o que era ser produtivo seguia de automóvel, mesmo que fosse para ir ao tal café: via-os entrar no carro, alguns ultrapassavam-me, mas paravam 400 ou 500 metros à frente... para irem ao café. Café onde, numa localidade chamada Pias (não tenho a certeza do nome), na zona de Montemuro, havia um pequeno estacionamento metálico para 3 bicicletas (!). Em Resende vi um casal de idosos a sair dum supermercado e calmamente colocarem as compras nos cestos que tinham nas gingas, pegarem nelas e irem à sua vida. Sim, eram portugueses.
Isto tudo só para reforçar o que tenho dito: não chega a conversa dos políticos, e de certeza que não chega, nem é desejável, que sejam os doutores e engenheiros a planearem como e onde devemos utilizar a bicicleta (até porque alguns desses, que duvido que utilizem bicicleta, são os mesmos que planearam algumas das péssimas estradas que temos). Têm de ser as pessoas a virem para a rua e, com a sua presença pouco discreta, a forçarem os responsáveis a mudarem algo, as regras do Código, p.ex., para que não seja necessário criar mais sorvedouros de dinheiro público com as tretas das ciclovias que afinal são caminhos pedestres que também servem para andar de bicicleta. Quem quer mudar que venha para a rua com a sua bicicleta. Como alguém disse, "não perguntes o que o teu país pode fazer por ti, pergunta antes o que tu podes fazer pelo teu país." Nesta questão das bicicletas não há frase mais apropriada. Durante anos eu ía de minha casa na Amadora para as praias da Costa de Caparica de bicicleta, passando o rio por Cacilhas, no "ferry" da Transtejo (nesse tempo não se podia utilizar a bicicleta nos barcos de Belém no Verão. Felizmente isso está a mudar). Ou ía para as praias da linha de Cascais, até ao Guincho ou até à Ericeira. Durante esses anos não via mais pessoas a fazer o mesmo. Os outros, aqueles que o podiam fazer, não o faziam porque, já naquele tempo, era perigoso.
Resta-me colocar-te a questão: como encorajar as pessoas que querem de facto mudar o paradigma mas têm medo? Elas estão à espera que algo mude, mas as coisas não vão mudar a não ser que sejam elas a tomar a iniciativa.
De MC a 7 de Outubro de 2008 às 19:39
Não podia estar mais de acordo.
O facto de haver tanta terra onde só se vêem os idosos a andar de bicicleta, deita abaixo todos os disparates que se ouvem por aí sobre a dificuldade de andar de bicicleta em Portugal. O problema é mesmo o "parecer mal"/"bicicleta ser coisa de pobre" e a falta de hábito.

Exactamente. Há muito (bem antes das bicicletadas) também cheguei a essa conclusão. O melhor que tinha a fazer pela bicicleta, era ser visto a usá-la... Cheguei a escolher percursos de modo a ser mais visto (escolhendo avenidas em vez de ruas)... felizmente agora já não preciso de o fazer.

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