Domingo, 20 de Julho de 2008

A cidade vista do selim

A ler este interessante artigo sobre a adaptação da cidade ao tráfego de bicicletas, sugerido pelo José M. Sousa do Futuro Comprometido, apercebi-me da necessidade de pôr as autoridades e os automobilistas a conhecerem a cidade vista de um selim.

Para o automobilista a bicicleta é aquele empecilho que por vezes o atrasa durante uns segundos, e pouco mais que isso. Eu já nem me refiro ao equívoco de quem não percebe que é o automóvel que causa congestionamento e não a bicicleta, mas à total ignorância no que se refere às dificuldades que o desenho urbano, o trânsito automóvel e o comportamento dos automobilistas causam aos ciclistas. Se tivessem a mínima noção, duvido que alguém refilasse fosse o que fosse com o ciclista... aliás nunca o vi a acontecer nos países onde a bicicleta é um transporte comum.

Que tal obrigar os automobilistas, taxistas e responsáveis autárquicos a uma deslocação anual de bicicleta na cidade?

 

P.S. Agora que releio o post receio que quem nunca se deslocou de bicicleta numa cidade minimamente preparada para tal, não perceba o que eu queria dizer.

 


Notícia recomendada: já há muitas horas que o governo não anunciava mais "investimento" em "acessibilidades", já tinha saudades. Mais 23 milhões, desta vez para o Minho.

publicado por MC às 17:37
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4 comentários:
De Nuno a 21 de Julho de 2008 às 00:02
Como projectista e estando para muitos municípios na altura da revisão obrigatória dos PDM devo dizer que é desencorajador que nas discussões dos mesmos os espaços reservados a velocípedes nos perfis das ruas sejam apenas abordados quando associados ás imediações de um equipamento desportivo ou de lazer. Enquanto que existe uma espécie de reconhecimento do potencial e da benevolência das bicis para a cidade o seu uso é raramente encarado como uma ferramenta verosímil do dia-a-dia mas apenas como um divertimento ou desporto pontual. Sem necessidade.
O nosso país precisa de criar planos para a a circulação de velocípedes para as cidades e integrá-los com o resto do planeamento. Portanto sugeria a que estivessem atentos aos periodos de discussão publkica e apresentação dos PDM do municipio em que residem para dar um contributo para a mudança de mentalidade de quem projecta e dirige.
De MC a 21 de Julho de 2008 às 11:56
Eu não posso quando eu falo em bicicleta como transporte na cidade, e me falam em ciclovias recreativas.
Fico fulo.
De Nuno a 21 de Julho de 2008 às 12:15
Idem, é difícil manter a serenidade por vezes e procurar explicar de um modo que apele ao senso comum. O resultado final é que por vezes acabo a soar um pouco paternalista...
Um vez indicaram-me mesmo limitações orçamentais (!!?) para justificar um perfil de rua com a hierarquia do custume (3\4 auto, 1\4 peão nicles bici) quando se pretendia revitalizar uma área de comércio de rua, que qualquer pessoa se apercebe que depende da circulação pedonal!
Resultado final: as pessoas passam a ver montras de carro a 10 km\h, respira-se mal, as esplanadas não passam para os passeios, os ciclistas dão uma volta ao quarteirão, etc.
Qual é a necessidade? A minha esperança é que é relativamente fácil e económico fazer um "retrofit" destas situações para algo com lógica.
O plano do BE desilude por não ser mais agressivo na proposta de criação de PCV 's (Planos de Circulação de Velocípedes) para as área urbanas.
Ver http://www.bike2015plan.org/.
De MC a 17 de Agosto de 2008 às 20:32
Gostei do comentários das montas a 10km/h... acho que é necessário fazer ver que em Bogotá e Londres menos carros significou mais comécio.


Plano interessante de Chicago. Curioso como há muitas cidades americanas (NY, S Francisco, Portland,...) que estão a querer encarar este problema de frente contra a longa tradição americana.

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