Sábado, 19 de Julho de 2008

Carro beneficiado face ao transporte público!

Já depois de ter escrito o post sobre a obsessão do primeiro-ministro pelos automóveis eléctricos, o governo veio emitir um comunicado a corrigir as palavras do primeiro-ministro. Afinal os automóveis eléctricos não estão apenas isentos de 70% do Imposto Automóvel, estão sim totalmente isentos.

Pior, também estão isentos do imposto de circulação (o antigo imposto municipal)!

Pior ainda, por andar a electricidade, também estão a ser financiados indirectamente porque a electricidade em Portugal está abaixo do seu valor normal de mercado (lembram-se das confusões com a ERS?).

 

São assim três vantagens financeiras dadas pelos Estado ao automóvel eléctrico, mas que o mesmo Estado não dá a quem anda de transporte público (autocarro)! E isto apesar de um passageiro de um autocarro a gasóleo ter um impacto ambiental e energético claramente menor do que um automobilista num carro eléctrico, apesar de causar menos sinistralidade, necessitar de menos infra-estruturas, ocupar menos espaço urbano, promover um estilo de vida mais saudável, dar mais vida humana à cidade, causa menos congestionamento, e poupar em tantos outros custos que o transporte privado tem.

O sistema de incentivos económicos sobre as externalidades destes dois meios de transporte estão claramente invertidos.

 


Notícia recomendada: o Bloco de Esquerda apresentou algumas propostas de alteração ao código da estrada em benefício do peão e da bicicleta. Como já aqui tantas vezes escrevi, o nosso código tem um tratamento discriminatório sobre o peão e o ciclistas que não existe na maioria dos códigos europeus.

Projecto de Lei disponível aqui.

publicado por MC às 20:49
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14 comentários:
De José M. Sousa a 20 de Julho de 2008 às 09:35
O problema destes nossos governantes é que ainda não perceberam bem a natureza da crise que está pela nossa frente. Agora que o combustível está caro, o carro eléctrico é a salvação. O problema é que a escassez não se limita à energia. Richard Heinberg fala em "Pico de Tudo". Um exemplo esclarecedor (retirado de Plan B 3.0 de Lester Brown): se os chineses em 2030 tivessem o mesmo rácio de automóveis por habitante que os EUA, necessitariam de pavimentar uma área equivalente a toda a área cultivada com arroz nos dias de hoje! Ou seja, se o modelo que vier a ser seguido pela China, ìndia e Brasil, entre outros, fôr o nosso, não há espaço nem matérias primas que cheguem para alimentar tanta gente nem materiais para produzir tantos automóveis. Portanto seria mais inteligente apostar de facto no transporte colectivo.
De MC a 20 de Julho de 2008 às 13:04
Eu acabei não referir isso no post, porque já o tinha escrito antes.
Mas se calhar o principal absurdo desta aposta está exactamente aí, perceber que o objectivo número 1 (e o número 2, 3 e 4) que devemos seguir é maximizar a eficiência energética, e este é dos piores caminhos.
E é não perceber que a energia barata acabou.
De José M. Sousa a 20 de Julho de 2008 às 10:31
um interessante artigo sobre bicicletas na cidade:

http://www.worldchanging.com/archives/008234.html
De Nuno a 20 de Julho de 2008 às 12:13
Os carros eléctricos estão a nos-luz da eficiencia desse outro veiculo eléctrico que é o comboio e cujo preço subiu outra vez esta semana...
Se calhar também lhe davam jeito uns incentivos.
Como peão que sabe que os carros estão para ficar (a maior parte da população prefere viver fora dos centros urbanos) os VE agradam-me porque não emitem gases ou ruído e são mais eficientes no seu consumo de energia, que pode ser de origem renovável mas não é por isso que deixam de ser apenas 25% da solução do problema da mobilidade sustentável. Mas estou confiante na mudança (lenta) das mentalidades.
De anabananasplit a 20 de Julho de 2008 às 13:03
Ermm... Miguel, tu chegaste a ler bem a proposta do BE?...
De MC a 20 de Julho de 2008 às 13:29
ha! ha! fui apanhado!
só tinha lido o post no blog do BE-Lisboa. Depois de publicar este post fui ler as propostas...
Percebo-te perfeitamente... sabe a muito pouco e lá vem a absurda ideia do capacete...
(E mesmo assim perdi-me nos artigos revogados.. e acabei por só ler as novas propostas... ou seja se calhar ainda é pior do que o que eu fiquei a pensar)

Tu que sabes bem mais do CE, não queres escrever sobre a proposta? Gostava de saber a tua opinião... ;)
De anabananasplit a 20 de Julho de 2008 às 15:22
Pois, vou ver se consigo arranjar tempo para escrever alguma coisa quanto a isto. O que eu acho estranho, e aqui se calhar é a minha ignorância cívica a falar, é que a proposta não parece ter associada nenhum documento em que seja explicada a razão por trás de cada proposta de alteração (ponto a ponto). É pró que lhes dá no dia em que escrevem? Para propôr uma nova lei ou a alteração de uma lei existente não é obrigatório (pelo menos parece-me lógico...) apresentar argumentos, dados, números, estudos, para a sustentar?...
De MC a 20 de Julho de 2008 às 16:55
Não leves a mal, mas acho que é mesmo falha tua :P
Já vi propostas de lei menos sólida que aquela.
De qualquer modo é uma proposta da oposição (as propostas do governo são mais cuidadas, porque há mais meios e a probabilidade de passarem a lei é maior). Mesmo que fosse aprovada ainda seria discutida na especialidade, na comissão parlamentar apropriada.
De José M. Sousa a 20 de Julho de 2008 às 21:13
No caso dos veículos eléctricos, há ainda a questão das reservas de lítio, elemento importante para as baterias. Ainda que haja incerteza sobre as reservas, elas são finitas e serão também disputadas pelos gigantes asiáticos.

http://www.autobloggreen.com/2007/01/30/beyond-peak-oil-are-we-facing-peak-lithium/
http://www.evworld.com/article.cfm?storyid=1472
De MC a 17 de Agosto de 2008 às 20:28
Ficamos à espera da abertura de telejornais com a notícia de que o lítio subiu 50% desde o início do ano, e que o governo vai pedir à autoridade da concorrência para controlar os preços das baterias...
Há falta de planeamento, mas o "mercado" mais cedo ou mais tarde lembrar-nos-á dos limites
De G a 20 de Julho de 2008 às 23:54
podes crer. achei exatamente o mesmo quando li a noticia. a parte cómica foi o Sócrates apregoar um imposto mais baixo para os veículos elétricos quando eles já não pagam impostos. parece que, felizmente, corrigiu a bacorada. mas tens toda a razão. para além da dependência energética que já temos, apostar em carros não me parece grande ideia. qualquer dia propõe o nuclear ou mais uma geração de barragens para os carrinhos elétricos que tão inocentemente nos oferecem agora.

abraço ao blogue
De Gonçalo Pais a 21 de Julho de 2008 às 11:05
Boas.....retirando a questão óbvia dos recursos energéticos, injustiça em relação a outros tipos de transportes....vocês já imaginaram a triste realidade que se vê nas nossas estradas mas com veículos mais silenciosos??
Refiro-me aos acidentes, atropelamentos e demais atropelos ao bom senso dos condutores do dia-a-dia!
Medo...muito medo.
(é mesmo obrigatório que toda a gente tenha a sua versão da cidade vista de um selim!)
De Nuno a 22 de Julho de 2008 às 00:44
Como habitante de um centro urbano, condição importante para garantir o meu conforto enquanto peão\ciclista não compreendi bem essa perspectiva utilitária do ruído automóvel que me impede por vezes de estar descansado em casa ou na cidade.
Se calhar os donos dos VE's podiam baixar os vidros e passar Da Weasel aos berros dentro do carro para nós que atravessamos sem olhar e que precisamos daquele ronrom de um motor de combustão no nosso dia-adia...
De nitai bezerra a 9 de Dezembro de 2008 às 21:11
Transporte público, uma solução comum que favorece a maioria. Vejam o que estão fazendo para melhorar o nosso sistema de transporte público. www.onibusrecife.com.br

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