Sábado, 21 de Junho de 2008

Na costa oeste nada de novo

Apesar da economia crescer a passo de caracol, o forte endividamento da famílias e a subida dos combustíveis, os portugueses não desiludem a indústria automóvel. Segundo a nota de ontem do Banco de Portugal "no período de três meses terminado em Maio, as vendas de veículos ligeiros de passageiros, incluindo todo o terreno, aumentaram 7.7 por cento, em termos homólogos" E no primeiro trimestre já tinha havido um crescimento de 11.7 por cento.

 

Com o fim da era da energia barata (e digo energia, não digo apenas crude) e com o apertar das exigências em termos de eficiência energética devido ao Protocolo de Quioto (e pós-Quioto), o primeiro-ministro português também não desilude. Aponta o carro eléctrico como solução do futuro. Seja lá qual forem as melhorias tecnológicas, o automóvel será sempre o modo de transporte menos eficiente do ponto de vista energético (e logo mais poluidor). Já agora, alguém ouviu alguma palavra sobre a aposta em transportes públicos como solução de futuro? Eu não.

 

A linha ferroviária em Santarém vai ser alterada. Julgava eu que seria uma oportunidade para contrariar a nossa mania de afastar as gares dos centros das cidades, problema que quase mata à partida a possibilidade de o comboio ser uma forte alternativa ao automóvel. Seria uma oportunidade de arrepiar caminho e fazer o que se faz em todos os países europeus (pobres ou ricos), colocar o comboio na cidade. O governo não desiludiu as expectativas, vai colocar a estação a 4 ou 5km do centro da cidade. (Tenho a ideia de ter lido que os autarcas ainda queria a linha mais longe, para lá da auto-estrada).

 

 


Video recomendado: O programa Sociedade Civil há duas semanas foi sobre transportes e ambiente, com o Mário Alves, Francisco Ferreira da Quercus e o presidente do Metro de Lisboa. Para ver na página da Massa Crítica.

publicado por MC às 13:19
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8 comentários:
De Nuno a 22 de Junho de 2008 às 01:38
Mas ainda tens dúvidas que este é um país de burros e imbecis....Pior só mesmo o terceiro mundo.
Desde que haja futebol, tv e um carrinho à porta ninguém se preocupa com o futuro.
Que se lixe se geração após geração destruímos o urbanismo e o património arqquitectónico, se poluímos cada vez mais ou se a humanidade está em riso, desde que se receba o cheque ao fim do mês....
De PG a 23 de Junho de 2008 às 11:41
É uma facto e uma pena o longe que as pessoas estão em Portugal de entender que o carro é ineficiente por natureza. transportar uma tonelada ou mais de ferro para mover 70 - 80 kg (um passageiro) é uma anormalidade. O que se tem feito na linha férrea é uma disparate, desde o fecho de ramais às (sub)ligações dentro das cidades. Para não falar da má integração com a infraestrutura de alta velocidade.
De Iletrado a 26 de Junho de 2008 às 11:24
Comparar a eficiência do meio utilizado com aquilo que se transporta não é boa política: quanto pesa uma composição do comboio, e quantas pessoas transporta? Quanto pesa um autocarro? Nesse ponto de vista, só há um transporte eficiente: a bicicleta. Mas será que todos podem pedalar uma bicicleta? Não, PG, nem todos podem. Só os bons e os muito bons. Os outros têm de se contentar com o automóvel.
De MC a 26 de Junho de 2008 às 13:23
Caro (I)letrado
compare o que quiser. Peso por passageiro, gasto energético por passageiro, espaço necessráio por passageiro.. vai sempre chegar à mesma conclusão.
O automóvel é a pior solução. E estou a comparar o autocarro ou o comboio, não venha com as historizinhas da bicicleta.

De Iletrado a 27 de Junho de 2008 às 02:37
Caro MC
Suponho que não és deficiente, senão terias outra visão do transporte público e da circulação pedestre em Portugal. Mesmo que não sejas deficiente motor, experimenta andar numa cadeira de rodas entre Lisboa e um qualquer local dos subúrbios, num qualquer transporte público: o comboio, o autocarro da Carris ou da RN, o metro ou o barco da TT. Depois fala-me de transporte público.
Também suponho que és e moras em Lisboa ou nos arredores. Desse modo é fácil teres essa opinião. És bem servido de transportes. Mas se viajares um pouco para o interior do País, para Trás-Os-Montes, por exemplo, e se reparares nas coisas com atenção, verificas que ainda há muitos sítios onde há UM autocarro à Segunda para um determinado local (é a ida) e há outro à Sexta para voltar. Porreiro, pá. E o interior do Alentejo, conheces? E a Beira Baixa, conheces? E a Beira Litoral? Para ajudar à festa, os teus queridos comboios foram sendo extintos no interior: fecharam estações com o argumento que não tinham passageiros, depois fecharam os ramais porque não existiam estações que os justificassem. Porreiro, pá. E porque é que não tinham passageiros? Porque as estações eram a quilómetros das povoações que serviam (algumas têm o nome da povoação, mas ficam a mais de 10 Km da dita) e o único transporte rodoviário disponível eram os táxis. Se passaste por isto compreenderás porque razão tanta gente foi optando pelo carro.
Mas não é preciso ir tão longe de Lisboa para ver que os transportes em Portugal são ineficazes: no deserto da Margem Sul, se quiseres ir de Benavente para Almada de transportes públicos vês-te na cor do car****. O mesmo se passa do Montijo para Corroios, ou da Moita para a Costa de Caparica. Só te safas se um dos teus destinos (ou a ida ou a volta) fôr a cidade grande. Se não tens carro perdes no mínimo mais de três horas ida para fazeres um daqueles trajectos. Verifica os horários, se tens dúvidas. A lista de transbordos é tanta que, se não tens carro, fazes tudo para o ter.
A política em Portugal tudo fez e faz para liquidar o transporte público, e para forçar as pessoas a utilizarem o carro. Só não tem quem não pode.
Sabias que em 1950 a General Motors pressionou com sucesso o governador de Los Angeles para encerrar todas as linhas de transporte público dessa cidade? Porreiro, pá. E mesmo hoje em dia o transporte público por lá é incipiente. Também não deves desconhecer que a indústria automóvel em Portugal também "mexe". Sendo assim, consideras que a culpa da utilização do carro é das pessoas comuns, que para se deslocarem para os seus locais de trabalho precisam de vencer grandes distâncias? Não batas no cidadão que não mora na cidade grande e não tem alternativas credíveis para se deslocar, e não consegue controlar a política de transportes. Bate antes nessa cambada de chulos que se governa em nosso nome, que nos rouba e que não nos respeita nem se respeita.
Para terminar, que isto vai longo: não desdenhes da bicicleta. Na cidade grande não há autocarro nem comboio que se lhe compare. Mas é só para quem pode, não para quem quer.
De MC a 27 de Junho de 2008 às 09:40
Caro (I)literado

Tenho pena de ter sido mal entendido ou de me ter explicado mal.
Concordamos em quase tudo, e é exactamente essa aposta absurda no automóvel que foi feita durante décadas pelas autoridades, que eu crítico ali no post. 2º e 3º parágrafo.
Claro que os transportes são maus, e este blog está cheio cheio, de posts sobre isso.

Deficientes motores: concordamos, basta ler o blog.
Bicicletas: eu não desdenhei a bicicleta!! Eu uso a bicicleta há 15 anos em Lisboa.

Só discordamos numa coisa, que parte da culpa não passa pelo cidadão comum. 1. Os governos gastam milhões e mlhões em estradas, porque é isso que o povo quer. É isso que o povo gosta. Já vi tantas manifestações, apelos, opiniões por melhores condições para o automóvel (seja mais estradas, mais estacionamento, menos portagens), mas nunca se vê nada disso pelos transportes públicos.
2. Conheço muito boa gente, que usa o automóvel quando tem excelentes alternativas (pé, transportes, bicicleta) por uma questão de status. Muitos fazem sacrifícios financeiros para o fazer. Outros perdem mais tempo de automóvel do que no transporte. Mas ninguém deixa o automóvel. 3. Somos o país europeu onde menos se anda a pé! Eu não preciso de apoios do governo para andar a pé.
E a lista não tem fim

Cumps
De MC a 27 de Junho de 2008 às 10:17
Três coisas que me esqueci

Dado o problema da carro-dependência do país (tanto do lado das autoridades, como do "povo"), é necessário arrepiar caminho. Deixar as auto-estradas e começar a apostar em transportes públicos. Dizer que "toda a gente" anda de carro, por isso vamos continuar a incentivar o carro, é só reforçar o problema.

Bicicletas: só fiz um comentário jocoso, porque pareceu-me que estava a desdenhar a bicicleta.. quando disse que era só para os bons. Há certamente gente que não pode andar de bicicleta, mas uns 80% bem o poderia fazer para percursos curtos.

Deficientes motores: acho que devem ser um regime totalmente à parte em termos de direitos de andar de automóvel.
De Luis Correia a 6 de Agosto de 2008 às 17:33
Boa tarde,

Outro mau exemplo é a localização prevista para a futura estação de alta velocidade de Aveiro a cerca de 20 km(!), mais concretamente perto do Nó IP1/IP5 e da Área de Serviço de Antuã. Uma das potencialidades que a Rave subscreve para este local é "potencia(r) uma área maior área de desenvolvimento urbano na zona envolvente". Esta decisão é a pior possível em termos de ordenamento. Basta lembrar que num raio de 3km em torno do centro de Aveiro vivem 100 mil habitantes.

A documentação encontra-se disponível em:

http://www.rave.pt/LinkClick.aspx?fileticket=%2fuPHhLn5Jzw%3d&tabid=180&mid=1326&forcedownload=true

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