Sábado, 14 de Junho de 2008

O que o país precisa é de mais auto-estradas paralelas

O Governo lançou há dias mais uma auto-estrada, desta vez trata-se da conversão do IP4 de Amarante a Bragança em auto-estrada (a laranja no mapa, no seguimento da A4). Segundo o primeiro-ministro «estamos a dar a dar às pessoas de Trás-os-Montes as mesmas condições e as mesmas oportunidades que todo o território nacional que já tem auto-estradas», tratando-se por isso de «um acto de justiça e solidariedade».

O que Sócrates parece não saber é que Trás-os-Montes já tem duas auto-estradas! Uma (A7) que liga a região ao Grande Porto, Braga e Minho, e outra (A24) que a liga ao Centro e a Lisboa! Parece não saber que Chaves e Vila Real já estão "servidas" de auto-estradas, e que Mirandela, Macedo e Bragança são "servidas" pelo IP4, uma via-rápida sem cruzamentos de nível e com duas faixas em vários pontos.

A primeira fase, Amarante-Vila Real, implica a construção de um túnel (o maior túnel rodoviário da península, nisto somos sempre muita bons) que vai trazer mais trânsito para a Serra do Marão, uma zona verde frágil que deveria ser protegida. Trata-se aliás de construir, ao bom estilo português,  mais uma auto-estrada paralela a outra, neste caso à A7 que está a pouco mais de 20km a Norte. A brincadeira vai custar-nos 850 000 000 de euros mas, como sabemos, dinheiro para investimentos dignos desse nome, é coisa que não falta ao país.

 

A cereja no topo do bolo vem do Mário Lino que orgulhosamente refere "que desde 2005 foram lançados 1200 km de novas estradas, enquanto nos três anos anteriores foram apenas 360, o que significa que temos três vezes e meia mais".

 

Como sempre convido o primeiro-ministro a ir explicar aos irlandeses que eles, apesar de terem passado de país pobre ao um dos mais ricos do mundo, andam a tomar as decisões erradas em termos de desenvolvimento. Em vez de auto-estradas paralelas como nós, nem uma auto-estrada têm entre as duas maiores cidades...

publicado por MC às 16:35
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26 comentários:
De José M. Sousa a 14 de Junho de 2008 às 22:11
Eu gostava de saber o que anda a fazer Ferro Rodrigues como embaixador de Portugal na OCDE. Isto porque a Agência Internacional de Energia é uma agência da OCDE da qual Portugal faz parte. Estará ele a reportar ao Governo Português o que tem andado a dizer o economista-chefe da AIE? Se tem, o governo parece ignorar. Já terão ouvido falar do Pico Petrolífero.? A continuarmos assim, a nossa economia caminha para o abismo!

De MC a 14 de Junho de 2008 às 23:20
É ao arrepio de tudo o que há de bom-senso. Contra a eficiência energética, contra a resolução da dependência energética, contra a segurança face a choques exteriores, contra o ambiente, contra a sustentabilidade, contra a resolução do défice comercial...
De Anon a 14 de Junho de 2008 às 22:57
E que dizer então do triste espectáculo destas duas auto-estradas praticamente paralelas (A1 e A29), que durante muitos quilómetros seguem muito juntinhas uma à outra, chegando a estar a uns míseros 500 metros uma da outra? (ver mapa (http://maps.google.com/maps?f=q&hl=pt-PT&geocode=&q=Aveiro,+Portugal&ie=UTF8&ll=40.875363,-8.537407&spn=0.181459,0.300751&z=12))
De MC a 14 de Junho de 2008 às 23:16
Já o tinha mostrado em:
http://menos1carro.blogs.sapo.pt/83363.html

;)

mas a coisa é bem pior! É que há uma terceira paralela prevista!!
De José M. Sousa a 15 de Junho de 2008 às 08:01
Será que não há um partido político que ache isto uma loucura?
De Corredor a 15 de Junho de 2008 às 13:29
Sigo este blog há já vários meses e tenho concordado com a maioria dos posts . Este fez-me torcer o nariz. Passo a explicar:

Em relação ao troço Amarante - Vila Real, acredito q talvez o maior túnel da península ibérica será um exagero de construção, mas quem conhece o actual traçado, percebe que a A7 não é bem alternativa para quem vai de Amarante para vila real.
Para Bragança talvez...
O problema do IP4 é precisamente a 'escalada' do Marão, 'barreira' natural a todo o Trás-os-Montes.

No entanto, uma ligação interessante seria a melhoria do traçado Amarante - Régua que actualmente obriga a passar por Mesão Frio, subindo e descendo um monte cheio de curvas.
Esta zona do vale do Douro, pelo menos para crescer ecomicamente , precisa de melhores acessibilidades, pelo menos para quem vem do Porto. Quem vem de Sul já tem a A24 .
De MC a 16 de Junho de 2008 às 09:29
Viva!
eu conheço muito bem o traçado, e obviamente que a A/ não é alternativa para esse troço específico.

A minha questão será mais, o país tem que construir uma auto-estrada para cada troço entre duas cidades? Eu claramente acho que não.
Estamos a falar de um caso com 3 agravantes: o troço já tem uma IP, Amarante é uma cidade pequena (que nem pertence ao distrito de Vila Real), há de facto uma barreira natural.
Deveremos "vencer" todas as barreiras naturais com alcatrão?
Se respondermos sim a estas perguntas (o que mais nenhum país europeu faz), só nos resta cobrir o país de alcatrão de lés a lés.

Quanto à necessidade das acessibilidades para o crescimento económico... eu ainda não percebi esse argumento. Se me explicarem porque é que o país que mais apostou em auto-estradas nas últimas décadas em toda a Europa (Portugal) tem tido crescimentos baixíssimos, e o país que fez a aposta contrária (Irlanda) tem tido crescimentos altíssimos, eu talvez perceba.
(Bem sei que há outros factores, mas então mais valerá olhar para eles)
De Dario Silva a 17 de Junho de 2008 às 02:49
Viva o Caminho de Ferro.
De matchotransmontano a 15 de Junho de 2008 às 23:36
acho mal construírem uma auto-estrada para esses atrasados do cú de judas... o que eles devem fazer é produzirem produtos agrícolas a baixo preço, e ficarem enfiados atrás do marão para todo o sempre... ps: já agora que continuem a pagar todas as auto-estradas sem portagem do país e que não chateiem...) inté...
De Corredor a 16 de Junho de 2008 às 12:02
Este último comentário: realmente construtivo ...
Enfim...

O nosso problema é sermos bastante dependentes dos transportes rodoviários (notou-se isso a semana passada) e sermos principalmente um país de serviços e não de produtos.
Quantos de vós n deverão conhecer pelo menos um 'comercial' que percorre o país de lés-a-lés nessas estradas e mesmo assim se queixa delas?

Eu faço o percurso Porto - Régua desde que me conheço e percebo o sentido de 'isolamento' daquela malta.
A tal estrada Amarante-Régua não digo que seja má, mas é perigosa.
O seu traçado até é interessante, turisticamente falando, mas quando o volume de tráfego é alto, torna-se perigosa...
De m&m a 18 de Junho de 2008 às 00:27
a 1ª coisa que o sócrates fez após o levantamento do bloqueio dos camionistas foi... anunciar mais uma autoestrada na Beira Interior. Sintomático.
Entretanto a electrificação do troço ferroviário Castelo Branco/Covilhã, que já deveria ter terminado em 2007 segue dentro de momentos.
De Batatinhas a 18 de Junho de 2008 às 16:09
Ambientalismo? Sim mas com responsabilidade. O que é que querem vcs? Enterrar os trans-Montanos ainda mais? É por gajos Nerds como vcs que o pais não anda, por causa de umas figurinhas de merda em foz côa que apenas no 1º ano tiveram interesse deixou-se de construir uma barragem que serviria as populações locais... tudo a bem do ambiente. Se tivesse sifo afectado por esta decisão, arranjava um Bote, um Martelo e destruia aquela aberração. Cromos!
De MC a 18 de Junho de 2008 às 16:29
Meu amigo, vá explicar isso aos irlandeses.. e leia o post como deve de ser
De José M. Sousa a 18 de Junho de 2008 às 19:37
Meu caro
Suspeito que usa alguns termos sem saber a que se referem exactamente. Eu pela minha parte não me considero ambientalista. Nem sei bem o que isso é!
Mas convinha talvez ter algumas dúvidas, e sobretudo estudar alguma coisa, antes de fazer afirmações tão definitivas. O que é o ambiente para si? Você come o quê? Não bebe água? Sem solo arável e água potável (isso é ambiente) não pode, em última análise, comer e beber!
Construir barragens à toa pode - não estou a dizer que seria o caso de Foz Côa - ter efeitos muito adversos. Já ouviu falar da salinização dos solos por causa de Alqueva?

Perdoe-me está observação, mas quando vejo desprezar o "Ambiente" como se fosse abstracto e dele não necessitarmos causa-me uma certa impressão
De aduanev a 27 de Junho de 2008 às 10:33
???? foi você que falou em nerds?

Saia mais uma autoestrada para eu poder fugir daqui mais depressa!
De PG a 23 de Junho de 2008 às 11:46
De facto o PM devia comprara uma mapa ou um GPS antes de inaugurar estradas. já quando inaugurou a ponte do carregado (sobre o Tejo) disse que era muito boa porque quem viesse do porto para o Algarve já nao tinha que passar em Lisboa. esqueceu-se que existe uma ligação por AE em Santarém desde há uns anos -- ver http://maps.google.com/maps?f=d&hl=en&geocode=&saddr=Oporto,+Portugal&daddr=39.134321,-8.624268+to:faro,+portugal&mra=dpe&mrcr=0&mrsp=1&sz=9&via=1&sll=38.698372,-9.052734&sspn=1.506888,2.276917&ie=UTF8&ll=38.849334,-8.65036&spn=0.751863,1.138458&z=10). Os jornais / televisão papaguearam a frase e nem se lembraram de a por em causa.
De MC a 23 de Junho de 2008 às 11:58
Exactamente!
Um dia destes faço aqui a lista das auto-estradas paralelas que existem no país. Esse exemplo é particularmente mau, porque a auto-estrada paralela, a A13 passa numa zona onde não há uma única cidade.
De ARPires a 23 de Junho de 2008 às 13:59
Alguns destes comentários só podem ser de pessoas que já estão servidas... os outros contam pouco e se forem longe de Lisboa então, contam quase nada.
Felizmente que até temos um Primeiro Ministro que tem as suas raízes em Trás-os-Montes e melhor que ninguém percebe o que significa estar longe do Terreiro do Paço, (perdão eu queria dizer da Quinta da Marinha) e por razões de justiça anunciou a construção da auto-estrada transmontana que no meu entender deveria ter sido construída aquando do IP4 .
Como Bragança fica mais longe do poder central e o seu poder reivindicativo é menor, pois os seus habitantes já estão instalados nos Cacéns " que rodeiam Lisboa, então pode ficar para último que não vai haver grande problema.
No entender de alguns comentadores se não fosse construída ainda seria melhor, pois manter-se-ia como R E S E R V A de "indígenas".
É por gente desta que está sempre contra tudo e contra todos, que pese embora os métodos do Dr. João Jardim tem o meu apoio, e, no meu entender são precisos mais.
Se em Trás-os-Montes houvesse pelo menos um com a fibra do Sr. da Madeira, talvez esta região já estivesse toda ela servida com este tipo de vias há muito tempo.
De Nuno a 24 de Setembro de 2008 às 00:07
Caro ARPires,

Todas as regiões têm o direito de se desenvolver economicamente, mas mais uma vez existem amplas provas que as auto-estradas não são o factor determinante nesse aspecto, não têm propriedades mágicas. São um fetish político que já não soa tão bem como no Cavaquismo.

Como também vivo no Norte interior sei do que está falar quando fala da chocante deslocalização do investimento mas também sofremos na pele com estas obras faraónicos e redundantes que aniquilam os nossos orçamentos e ambiente.

O mundo inteiro anda á procura de soluções para deixar de usar os carros e nós a "carpetearmo-nos" com asfalto.
Somos a banda de cordas do Titanic...
De Anónimo a 24 de Setembro de 2008 às 00:09
Para falar de auto-estradas paralelas mais valia ter ciclovias em faixas paralelas a todas as auto-estradas- dêem-nos um metro apenas!

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