Segunda-feira, 9 de Junho de 2008

Baixar os impostos sobre os combustíveis é ajudar os ricos

Já o aqui tinha defendido, e agora repito-o com números.

Segundo jornal OJE de sexta, há um estudo do FMI feito em 5 países em vias de desenvolvimento que indica que as famílias 20% mais ricas beneficiam de 42% dos subsídios aos combustíveis enquanto as 20% mais pobres apenas de 10%.

A situação não a mesma que em Portugal, mas não vejo razão para que os números se invertam.

 

Sobre este assunto, o Marcelo Rebelo de Sousa dizia há uns dias que, havendo uma larga maioria de adultos portugueses com automóvel (70% segundo as contas da cabeça dele), não era verdade que baixar o ISP apenas beneficiaria uma minoria. "Esqueceu-se" de dizer que a grande maioria dos mais pobres e dos idosos estão nos outros 30%... Aliás aqueles 70% até são mais um argumento para não se baixar artificialmente os custos dos combustíveis, só mostram a irracionalidade e o desperdício da mobilidade em Portugal, que devem ser desincentivados.

 

 


Post recomendado: o Paulo dos 100 dias de bicicleta em Lisboa pôs uns estrangeiros a pedalar por Lisboa. A desculpa das sete colinas não pegou.

publicado por MC às 11:11
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4 comentários:
De Cátia a 9 de Junho de 2008 às 12:36
Baixar o ISP é irracional por diversos motivos. O

Primeiro desses motivos é o facto de o petróleo ser um recurso escasso com fim á vista, um bem desse calibre tem necessariamente de ter um custo elevado, caso contrário rapidamente alcança a extinção.

O segundo desses motivos é o facto de ser necessário um bem ser caro para que se procure criar ou encontrar um bem sucedânceo, caso contrário continuar-se-á a usar aquele bem enquanto o preço for acessível.

O terceiro motivo tem a ver com o caso português. Vivemos anos e anos em que a energia (incluindo a conseguida à base de petróleo) esteve baratuxa (não apenas em Portugal), demasiado baratuxa veio-se agora a saber, pois apenas se esperava que só se chegasse ao ponto atual de escassez daqui a 30/40 anos. Ora, o povo português habituou-se à energia barata e o povo português costuma desperdiçar o que é barato (veja-se a ASAE que deita no lixo produtos só porque não cumprem requisitos elevados de qualidade, quando há portugueses que passam fome).

Provou-se agora que os limites de desperdício do povo português são amplos. Uma vez que, apesar de os combustíveis aumentarem inúmeras vezes, continuam cidades atulhadas de veículos, continua a conbução pouco económica e continua a esperança tosca de que os combustíveis baixem por obra do divino espírito santo (leia-se Governo). Entretanto vão desfilando desculpas acerca do não uso de transportes públicos.

Transportes públicos esses que são de má qualidade em quase todo o país porque em quase todo o país apenas crianças, jovens, idosos e algumas mulheres os usam e, enquanto uma parte desses utilizadores só pensa no momento em que terá o seu próprio veículo (crianças, jovens e algumas mulheres), outros já estão demasiado habituados e/ou cansados para reclamar (algumas mulheres e idosos) e alguns apenas têm como motivo de queixa os horários e sobre isso não podem argumentar, uma vez que se há pouca gente a usar os transportes públicos é natural que os horários sejam maus.

Os subsídios não têm necessariamente efietos bons, é sabido. Noc aso dos combustíveis é moralmente incorrecto estar-se a subsidiá-los apenas para travar o mecanismo de preços, isso é por todos os cidadãos a pagar para que alguns andem por aí a usar de forma abusiva um bem que é escasso. Além de que por um travão no mecanismo de preços é asfixiar uma fonte de informação, que no caso dos combustiveis afecta todo o mercado.

Se o Estado quer não prejudicar os empresários portugueses, devido aos custos crescentes, só tem de baixar impostos que a todos (os empresários) afectam. Ora o ISP afecta não apenas os empresários, afecta todos os utilizadores de um bem escasso e poluente. Por isso há impostos mais adequados para baixar, no leque de 11/12 impostos, exemplo: IRC (Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Colectivas).
De MC a 18 de Junho de 2008 às 14:42
Cátia (Rosas?),

concordo com tudo e junto uma coisa, que para mim é a principal razão para não se baixar o ISP (aliás é um argumento para o subir, como já aqui várias vezes defendi, se bem que neste momento a subida do preço total já é tão abrupta que só posso "congelar" a minha defesa da súbida do ISP):

O preço pago por cada litro de combustível não reflecte o custo que o seu uso acarreta. Está muito a baixo deste. E isto é fundamental para distribuição racional dos recursos.
http://menos1carro.blogs.sapo.pt/18511.html


De Batatinhas a 18 de Junho de 2008 às 16:38
Existem Otarios para tudo, mesmo aqueles que defendem que o ISP deveria aumentar, quando se trata de um 2º imposto uma vez que já é cobrado IVA, ou seja é ilegal a cobrança de um 2º imposto. Ou se acaba com o IVA sobre a gota ( o que não pode acontecer ) ou com o ISP...

A parte dos Otarios é simples, gosta de pagar tudo não é? de preferência bem caro... Enfim.
De MC a 18 de Junho de 2008 às 16:50
Meu amigo,
vá explicar isso aos juristas da UE porque é na juridisção europeia que está escrito que isso deve ser assim.
Presumo que saberá bem mais sobre direito do que eles...

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