Sexta-feira, 23 de Maio de 2008

Lisboa é para carros não para pessoas - prova #203

 

Rua Marquês Sá da Bandeira, Lisboa, junto ao jardim da Gulbenkian.

60 cm é quanto sobra entre o muro e as bases dos vários candeeiros que existem ao longo do passeio. Ali não passam duas pessoas lado a lado a conversar, não passa uma cadeira de rodas, não passa um carrinho de bebé, e só com alguma dificuldade passa um peão de bengala ou com compras.

A rua não é estreita, o trânsito é pouco intenso não fazendo qualquer sentido atribuir-lhe 6 faixas (4 de rodagem e duas de estacionamento), logo resolver o problema é mais que fácil. Quantas mais décadas vão passar até que isto também se torne óbvio na cabeça dos responsáveis da Junta de Freguesia e da Câmara?

publicado por MC às 16:03
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7 comentários:
De Pedro A a 23 de Maio de 2008 às 17:07
O exemplo mais flagrante é a Avenida Fontes Pereira de Melo à entrada para a rotunda do Marquês: um peão que vem do edifício da EDP e quer ir ao parque Eduardo VII, tem de atrevessar:
- 3 faixas para autocarros/taxis
- 2 faixas para veículos em direcção ao Saldanha
- 5 faixas para veículos em direcção à rotunda
- juntamos a isso mais 4 faixas subterráneas no túnel

Ou seja com tantas faixas de rodagem para veículos motorizados, podemos dizer que temos uma autoestrada em plena cidade. Outra prova que se trata de autoestrada é a sinalização típica: refiro-me aos enormes paineís de indicação de direcção. Se supostamente os veículos têm de circular a menos de 50 km/h, será mesmo jusitificado termos esses painéis tão grandes?
De MC a 23 de Maio de 2008 às 17:28
:)
Ando há meses à espera que o GoogleEarth actualize a fotografia desse cruzamento, para descrever exactamente isso!

Mas mesmo assim, o meu exemplo favorito é também na Av Fontes Pereira de Melo, em frente ao Sheraton. Não existe passeio.
Não existe MESMO!
De Phil a 23 de Maio de 2008 às 18:39
Boa tarde...

Acompanho este blog já algum tempo e não tenho tido a iniciativa de comentar.

Geralmente estou de acordo com as opiniões expressadas pelos autores do blog, mas de quando em vez, parece-me que há análises feitas com algum exagero e fundamentalismo anti-automóvel e este parece-me que será o caso, até porque sou morador nessa zona.

Vejamos a imagem por este prisma:

- Se o candeeiro não estivesse a ocupar o espaço que ocupa, o problema não ficaria parcialmente resolvido? Bem sei que necessitamos de luminosidade, mas também não necessitamos que um candeeiro com aquela base...

Agora os erros do post e da imagem:

- Impressionante como um automóvel de largura consegue ser maior que os maiores carros que circulam por aí...espectacular...16m...ok...mesmo considerando os espaços entre o carro e a faixa de rodagem e o passeio, mais a distância ao candeeiro...

- A avenida em causa só tem 3 faixas de rodagem, falando específicamente o local da foto. São duas faixas no sentido contrário e uma faixa do lado do passeio referido.

- Quanto à falta de trânsito (também não é bem assim)...bom...isso tem uma explicação:
As obras do metro que estão localizadas nas imediações do Corte Inglês abrangem o final da Avenida referida no post, e muito do trânsito que ali passava, deixo de passar, sobretudo na Duque D' Ávila. Ainda assim, no final da Avenida, quer no cruzamento com a Av. Berna, quer no cruzamento com a Av. Duque D'Ávila, regularmente há intensidade de trânsito ao final do dia...

Para terminar, gostaria apenas de recomendar alguma moderação na forma como questionam algumas situações. Contra mim falo...mas nem 8 e nem 80...

Sim, existe um abuso na utilização dos carros e na forma como durantes estes anos, se encarou a utilização do carro, como forma prioritário de circulação de pessoas. Contudo, isso não quer dizer que se inicie uma batalha fundamentalista contra o automóvel.

Por exemplo...foi aqui dito que as pessoas deviam optar por estar mais próximos dos locais onde trabalham...pois bem...eu dou o exemplo...eu vivo onde sempre vivi, na mesma freguesia onde pertence a rua aqui citada, num prédio que deixa muito a desejar devido à idade, estou a 15 minutos do trabalho...agora digam-me...se quiser mudar de carro, vou dar 500.000 euros por uma casa?? Na mesma rua?? Arrendamento?? Sim, por 600 ou 700 euros...no mínimo num prédio velho...

Por isso, quando falarem no regresso das pessoas ao centro da cidade, não basta ter vontade...infelizmente as estruturas que decidem os rumos do país e das cidades preferem ceder a interesses económicos do que trabalhar em função das necessidades das pessoas. Enquanto isso não acontecer, obviamente que as pessoas vão continuar distantes dos grandes centros, os transportes públicos vão continuar a ser pouco ou nada eficazes e o automóvel mal ou bem continuará a ser bastante utilizado. Será problema do petróleo? dos automóveis? Sinceramente não acredito!!! O automóvel é uma consequência e não uma causa...pensem nisso meus senhores!

Não quero de todo com este comentário arrasar com a vossa postura...repito, têm feito um excelente trabalho...mas é preciso ter alguma moderação na forma como abordam algumas análises...

Obrigado
De MC a 24 de Maio de 2008 às 14:59
Viva,

1. Para que não reste a MÍNIMA DÚVIDA que não aldrabo em seja o que for:
http://fotos.sapo.pt/jrLWdqDnrbsLShtAAZ92/
16 metros e 4 faixas de rodagem + 2 de estacionamento no local onde tirei a fotografia.
(No hard feelings, só que eu só muito sensível a desconfianças sobre o que eu digo!)

2.Acho que a ideia do post não ficou clara. Eu não quero tirar os candeeiros dali. Dado o problema que existe para os peões, e o excessivo espaço atribuido ao automóvel, parece-me que resolver o problema seria facílimo. Acabando com uma faixa de rodagem/estacionamento por exemplo. Só que ninguém se preocupa com isso.

3. Bem sei que o trânsito agora está diminuido, mas conheço bem a zona, e lembro-me que antes das obras não faria ali grande falta uma faixa de rodagem, especialmente se compararmos com aquele absurdo vergonhoso dos 60cm.

4.Quanto a extremismos. Já disse e repito.. tanto eu como aqui o meu co-autor António, temos um "defeito" de personalidade que é gostar de provocador. A linguagem é muitas vezes excessiva, aceito.
Agora quanto à substância das críticas e das propostas, só queria lembrar que 99% do que aqui escrevemos está em prática no norte da europa. Se isso é fundamentalismo...

Obrigado pela visita ;)
De Gonçalo Pais a 26 de Maio de 2008 às 13:02
Falta de moderação quando defendemos algo ao qual somos bastante ligados é normal e aceitável, já não o é quando se abusa: estacionar dias a fio em local público, estacionar em cima do passeio, impedir a passagem de peões, estar parado e como carro a funcionar, poluindo tudo e todos, porque o ar condicionado para funcionar tem de estar o motor a trabalhar(?).....UFA.....estes abusos pedem medidas fortes e conjuntas....uma MASSA CRÍTICA!!
Força, bom trabalho.
Gonçalo Pais
De Phil a 23 de Maio de 2008 às 19:24
Bom...só uma correcção...ou questão? serão os 16m referentes à distância entre passeios...se sim, nao é explícito...naturalmente, se assim for, ignorem a minha referência, no comentário...

Obrigado
De Mário a 25 de Maio de 2008 às 17:08
De facto, ao ler a primeira vez o post reconheço que li 1,60 metros o que até achei pouco para a largura de um carro (1.80 m). Talvez a figura podesse melhorar um pouco.

De resto não estou de acordo de forma alguma com o Phil. Tirar o candeeiro melhorava mas não resolvia o problema. Uma rua destas deve ter um passeio mínimo de 3 metros. Considerando que é ao lado de um equipamento cultural e um jardim lindíssimo deveria ter até mais. Não é fundamentalismo, acredite que seria a resposta de alguém que pense sobre espaço público além Badajoz. As obras no Corte Inglês e a diminuição do transito poderia ter sido a oportunidade para tornar esta rua num espaço mais civilizado e Europeu.


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