Sexta-feira, 9 de Maio de 2008

O carro antes da pessoa

Todos sabemos que o espaço urbano é um bem precioso, todo o metro quadrado é disputado. Daí os preços da habitação no centro das cidades ser bem mais altos do que fora delas.
Na nossa sociedade, quando uma pessoa precisa de um pequeno espaço para habitar, um teto para dormir... que se amanhe. Descontando alguns casos de habitação social - que é sempre visto como algo honoroso - não há praticamente ajuda de nenhuma autoridade. Quem não se safa tem sempre as arcadas dos prédios para dormir ao relento.
O caso muda de figura quando se trata de arranjar um espaço para o carro habitar. De repente torna-se consensual que essa responsabilidade cabe às autarquias. Sem pagar mais por isso os donos de automóveis acham que a junta lhes deve aquele espaço urbano. Em Lisboa temos até um presidente da junta, que acha que os passeios são largos demais e que poderiam ser convertidos em estacionamento em espinha. Que acha que devemos roubar esse espaço urbano aos peões para satisfazer as exigências dos popós. E se ainda mais for necessário, que se convertam algumas áreas em parques de estacionamento.

Mas por que raio não deve caber ao proprietário do automóvel, geralmente até mais rico que o sem-abrigo, a tratar de arranjar esse espaço, alugando um espaço num estacionamento público ou comprando uma garagem (é vergonhoso o número de garagens de prédios que são reconvertidas para lojas e oficinas para proveito dos proprietários, que depois esperam que a junta lhe arranje um espacinho). E só não há mais garagens disponíveis exactamente porque ninguém as quer pagar. O Estado, ou seja todos nós, que paguemos por isso.

 

 

 

No extremo oposto temos Tóquio, onde antes de se comprar um automóvel é necessário provar que se tem um lugar para o colocar.

 

(obrigado pela dica Sushi Lover)

 


Post recomendado: Les déchets automobiles no Carfree France sobre os enormes custos ambientais escondidos da indústria automóvel como pneus, óleos, ferro-velho, etc...

publicado por MC às 02:36
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18 comentários:
De Martunis a 9 de Maio de 2008 às 11:41
Os seus comentários, como em todos os blogs, são altamente subjectivos e, por isso discutíveis.
Pelo seu discurso conclui-se facilmente uma coisa. Duvido que você não tenha carro por isso, se critica todo o estacionamento não pago, seja legal ou ilegal, é porque você é um daqueles poucos privilegiados que possui apartamento com estacionamento.
Permita-me informar V. Exa que, no mundo real os moradores de Lisboa de classe média (e por tal entendo a esmagadora maioria que "apenas" auferem 1000€ mensais ou menos), já para não falar da classe baixa, não tem a mínima possibilidade de pagar estacionamento, nos raros casos em que tal existe. Por outro lado, nós os criminosos, vivemos, na sua maioria em prédios velhos que não tem estacionamento pelo que a nossa grande liberdade de escolha se limita a duas hipóteses: Ou pura e simplesmente vendemos o carro (o que é impossível porque nós somos aqueles desafortunados que t~em de trabalhar para viver) ou estacionamos onde é possível, ou seja, nos passeios das ruas estreitas da cidade. Existe ainda a terceira hipótese, que parece ser a preferida de V. Ex.a e dos responsáveis políticos da Câmara: Expulsar os habitantes das classes médias e baixas da cidade tornando-a o paraíso dos meninos ricos, como Você aparenta ser.

A solução meu caro, se não se desejar uma revolta entre os habitantes da cidade, só poderá ser a criação de estacionamento para os moradores onde este não existe nos prédios. Os prédios novos (aqueles que tem estacionamento) são algo raro em Lisboa, e com preços totalmente inacessíveis a cidadãos comuns, por isso não existe, objectivamente, outra solução.
A única questão que se me coloca é quanto tempo demorarão pessoas como você o os responsáveis políticos da câmara a perceber isso e até quando a paciência e passividade típica dos habitantes da cidade poderá ser testada antes de alguma coisa negativa acontecer.

Respeitosos cumprimentos de um desafortunado cidadão (?) de Lisboa.
De António C. a 9 de Maio de 2008 às 14:12
Caro co-cidadão de Lisboa,

as suas questões são pertinentes e apesar de não ter sido eu o autor do post (com o qual me identifico) gostaria de tentar a ajudar a perceber a nossa opinião, que apesar de "subjectiva" tem algum fundamento científico.

Para já, nenhum dos autores do blog tem à data um carro próprio, no entanto todos temos carta.

Na minha opinião não me causaria transtorno que por cada agregado familiar houvesse 1 lugar de estacionamento, pois considero que apesar de não ser difici viver sem carro, para muitas familias seria complicado. Coloco no entanto em questão a necessidade de incentivo a ter uma segunda, terceira ou mesmo quarta viatura por cada familia de 4 pessoas. O resultado disto são ruas totalmente entupidas por automóveis parados, quer no trânsito, quer em cima dos passeios.

O erro de construir parques com o intuito de criar mais lugares para moradores sem tirar os automóveis da rua é incentivar ao estilo "1 automóvel por habitante" o que, deve concordar, é tão mau para os peões como, para quem, como V. Ex.a diz, "é daqueles desafortunados que têm de trabalhar para viver ".

O facto é que nem toda a gente precisa de carro para trabalhar, e outro facto é que em Portugal muita gente trabalha quase exclusivamente para poder ter carro...

É uma paranóia generalizada e abusiva, que não respeita quem não o quer ter e que por isso deve ser taxada.

Assim sendo, com menos carros, a vida torna-se melhor para todos, mesmo para os que impreterivelmente têm de o usar.

Cordiais saudações!
De anabela a 9 de Maio de 2008 às 14:36
Ora aqui está um comentário de portuga tipico, daqueles que estaciona em cima de passeios, nas passadeiras, que, segundo ele, ganha mal mas não prescinde do carro, porque tem que trabalhar(????).
O senhor já ouviu falar de transportes públicos?
Eu não sei se o "dono" deste blog tem carro ou não, não interessa, também nunca cá li que não se devia ter, o que este bolg defende, parece-me a mim, é uma utilização mais humana do espaço urbano que foi totalmente usurpado pelo automóvel, seja quando se move seja quando está parado.
Não percebi a sua conversa sobre a relação do dinheiro de cada um e o carro, o direito a viver na cidade blá, blá, blá.
Se o senhor tem dificuldades económicas, fique sabendo que um passe para se deslocar dentro da cidade custa cerca de 30/35 €, muito mais gastará o senhor em combustivel por semana, a não ser que vá de carro para o fundo da rua, veja lá o que pouparia, no fim do ano ainda lhe sobrava dinheiro para umas belas férias.
O problema é que as pessoas dependem do carro e isso é tipico, de facto, não dos países ricos e desenvolvidos (que já passaram essa fase), mas sim dos subdesenvolvidos, ditos em via de desenvovimento, como é o nosso caso.
É possivel viver sem carro, ou pelo menos dando-lhe um utilização minima.
Eu vivo sem carro por opção, vivo na expo (priviligiada), tenho garagem, carta de condução, dois filhos pequenos, (2 e 5 anos), também vou trabalhar todos os dias, e o meu dia nunca começa no mesmo sitio, frequentemente começa no centro da cidade, mas muitas vezes o meu dia de trabalho começa em Sintra ou Cascais, VOU SEMPRE DE TRANSPORTES PÙBLICOS, apanho o combóio em Moscavide que fica a 5 minutos da minha casa e lá vou eu depois quando é preciso ando de metro, tenho passe carris metro cujo preço não atinge os 35€, veja lá o que eu tenho poupado nestes anos, em estacionamento,combustiveis, seguros etc.
E neste momento você deve estar a dizer, deve ter marido ele deve ter carro, é verdade sim senhor o marido tem carro e gosta de conduzir, até tem um belo carro, mas digo-lhe jamais verá o carro do marido em cima de uma passadeira ou de um passeio, o carro é usado para o estritamente necessário, o marido trabalha sobretudo fora de portugal, intermitentemente ao longo do ano, ficará uns seis meses fora de casa, eo carrito cá fica na garagem, eu podia usá-lo, obviamente, até poderia ter um carro só meu, como é costume, no mesmo agregado normalmente existem 2 ou mais carros, não uso carro por que não quero, porque não me caem os parentes na lama por usar transportes públicos, porque levo, e vou buscar os filhos à escola a pé (vejo pessoas q moram mais perto da escola a irem por os filhos de carro)e faço tudo isto por opção e quase todas as pessoas que conheço que dependem do carro teriam outra solução, não a vêem por comodismo.
Aliás os meus amigos e familia, quase todos carro-dependentes, acham-me estranha e estão sempre a perguntar-me quando é que começas a conduzir? quando é que te deixas disso? tens medo? vai ter umas aulas. compras um carrito mais pequeno.blá blá blá, custã-lhes a aceitar que eu não conduzo porque não quero porque para a maioria das pessoas isto é quase um sacrilégio, porque em geral, oprimeiro grande esforço financeiro é o carro, é o maior sonho a partir do momento que se faz 18 anos, aliás muita gente gasta mais do seu orçamento mensal com o carro que com as necessidades básicas tipo alimentação, e muita dessa gente nem sai de portugal, porque o dinheiro não dá para tudo, e nem se dá conta que aquilo q gasta com o carro, por ano, dava-lhes para fazer uma viagem ou mais, eu com 38 anos, tenho feito belas viajens, com o dinheiro que tenho poupado por não o gastar no carro.
FAQ
E como fazes para levar crianças ao pediatra, se o teu marido não está? Vou de comboio até sete rios e depoi de metro até o hos pital da luz (tinha que ser). E se é uma emergencia? Vou de taxi.E para ir à praia? vou de avião. E para ir às compras (supermercado) Vou ao supermercado perto de casa, raramente vou a grandes superficies, ou que, ao contrário do que as pessoas pensam, me faz poupar (trago menos tralha). Senhores do blog, desculpem o abuso, gosto muito do vosso blog, revejo-me, pensar q há quem qeira cortar passeios para pôr carros, é incrivel.
De anabela a 9 de Maio de 2008 às 14:45
Penso que se notará que o meu comentário anterior é a para responder ao senhor Martunis, que é a pessoa a quem me dirijo.
De Anti MC e Anti Emel a 9 de Maio de 2008 às 21:47
Oh Anabela, a CP e a Carris agradeçe a tua generosidade.
o meu conselho é lavares-te entre os entrefolhos porque até eu poder tirar a carta tive que gramar com o tuga que faz conversa de pobre.
Btw não te asses entre as pernas a pedalar é que a ultima gaja "marada" e com rastas que comi até crostas tinha fds!
De anabela a 9 de Maio de 2008 às 23:06

Ao Anti-não sei o quê:
Quando não se tem inteligencia para mais é este o tipo de comentário que se faz.
Nem merece resposta, mas enfim você além de so frer de ileteracia (= a pessoa alfabetizada mas que não compreende aquilo que lê), é preconceituoso e mal educado.
Já agora informo-o que não ando de bicicleta, nem tenho rastas, sou até muito bem apessoada, mais para o estilo tia, tenho 2 cursos superiores e um salário acima da média, já me fartei de viajar, conheço metade do mundo, desde o 3º ao 1º mundo, nunca fiz campismo, sou mais estilo hotel de 5 estrelas, mas isso não me impede de nada, nem me bloqueia o pensamento, eu sei que o senhor bom deus assim como foi injusto na distribuição da riqueza material também o foi na distribuição da inteligencia, por isso meu caro, no dia em que toda a gente pensar como você, se é que você pensa, você e o seu pópó não se poderão mexer de tão congestionado que estará o mundo e provavelmente,os seus filhos ou netos, se os tiver, terão de andar de máscara, como já acontece, aliás em muitos países, onde provavelmente você nunca meteu os pés, que são sub desenvolvidos mas com um trânsito congestionadissimo, e uma poluição atmos férica insuportável nas grandes urbes (=cidades).
Numa coisa você tem razão, nos transportes públicos, em portugal, vê-se sobretudo pobres (?) e pirralhos que ainda não tem idade para ter carta e ao fim de semana é uma tristeza, é só gente assim tipo......você, imagino. Msa se você apanhar um transporte em cidades tipo Londres, Viena, Copenhaga, amsterdão, oslo, Paris, Frankfurt vê de tudo mas vê sobretudo gente assim tipo ......eu: instruida, bem vestida, bem sucedida, viajada etc etc
E quanto às conversas do pobre, já ouviu falar de IPOD? eu não uso, gosto de ouvir as conversas dos outros, mas é uma boa solução para uns ouvidinhos sensiveis como os seus.
Para finalizar pior que ouvir conversa de pobre, é ser realmente pobre, andar dentro do carrinho e ter que fazer continhas para ver se o dinheirito chega para pagar a gasolina, como é o caso de muito boa gente.
Deixe-se de preconceitos e mude de atitude e quando não concordar com alguém e quiser expresar discordancia, tente dizer algo mais inteligente que o insulto banal, insultar qualquer idiota consegue, agora estabelecer um ponto de vista e defendê-lo com um minimo de coerencia, não é para todos.
De Strider a 12 de Maio de 2008 às 15:04
"gente assim tipo ......eu: instruida, bem vestida, bem sucedida, viajada etc etc"...No comment!
De MC a 10 de Maio de 2008 às 10:17
Anabela, não é abuso nenhum!
Adorei o seu depoimento, e tem toda a razão em lado nenhum deste blog se defendeu que não se deveria ter automóvel.
De MC a 10 de Maio de 2008 às 10:31
Caro Martunis

1. Os blogs são espaços de opinião, logo subjectivos.
2. Descontando as minhas bocas, aponte-me em caso de subjectividade no texto. Não está lá nada que não seja factual. Não gostar do que lê, não o torna "subjectivo".
3. Adorei a sua visão simplista a preto e branco do mundo: se acha que o carro deve pagar é porque não tem. Eu defendo a existência do IRS, será que não trabalho? Eu acho que a comida não deve ser de borla, será que não como? Apenas quero que os custos de cada automóvel recaiam sobre o seu dono, e não sobre todos. Tal como o custo da habitação recai sobre quem a habita, o custo da alimentação recai sobre quem come, o custo do cinema recai sobre quem o vê.
4.Quanto à expulsão da cidade: compare as cidades europeias (onde ter carro é caro e onde a classe média vive no centro) com as cidades americanas (onde ter carro é barato e onde a classe média vive fora da cidade).
5.Mais estacionamento nos bairros: já aqui o defendi várias vezes. Deveria haver mais estacionamentos para os residentes (subterrâneo e não à superfície), mas quem o deve pagar são os donos dos automóveis, não quem não os tem. E dado ainda haver alguma correlação entre mais rendimento e ter mais automóveis, defender que o estacionamento deve ser gratuito é DEFENDER QUE OS POBRES PAGUEM OS SERVIÇOS DOS RICOS (e é exactamente este o meu ponto no post)
6. Quanto às acusações que faz aos responsáveis políticos (que eu acho muito muito brandos). Só estão a fazer o que se faz nos países mais desenvolvidos há 30 anos.
De MC a 10 de Maio de 2008 às 10:52
Já agora, e desculpe o "paternalismo" de economista. Há uma questão que a grande maioria das pessoas se parece esquecer quando se discute gratuitidade vs pagamento.
É que os custos estão lá sempre. Tornar uma coisa gratuita, não faz desaparecer os custos por magia. A questão aqui é quem é que deve pagar por estes custos (já nem falo da aberração que é termos as cidades entupidas de automóveis). Se apenas quem usufrui do estacionamento, ou se todos.
De Anónimo a 11 de Maio de 2008 às 03:02
A Anabela dou os meus parabens pela inteligente opção de utilização de transportes alternativos ao automóvel particular. A minha opção é exactamente a mesma, e descobri ultimamente que posso usar além dos transportes públicos a minha bicicleta. Tenho poupado imenso com esta opção, e aproveito também o que poupo para viajar - estive no último fim de semana prolongado em Estocolmo, cidade que conheci de bicicleta, e presenciei que a questão de utilização do automóvel particular é uma questão de comodimo e de falta de sensibilidade para as questões ambientais e de perda de qualidade de vida nas cidades. Somos um país que vive para as aparências, sem substância e sem cultura de civismo - atingimos um ponto de extremo materealismo e desrespeito pelo nosso legado para as gerações vindouras. Espero que mais mães sigam o seu exemplo, para que as próximas gerações possam têr uma mentalidade diferente das nossas, promovendo um país e uma economia sustentável....
De maisumpontodevista a 13 de Maio de 2008 às 20:45
São comentários como os de Martinus e Strider que desencorajam mais pessoas a deslocarem-se de bicicleta na cidade. O carro ocupa tudo - estes comentadores ainda nem se aperceberam que são maioritariamente peões, e só ocasionalmente automobilistas... a não ser que vivam num carro, como aquele casal do Montijo. Eu tenho carro, mas circulo habitualmente de bicicleta. Faço mais do dobro de Km de bicicleta por ano que de carro.
Só uso o Metro em Lisboa - quando, por qualquer motivo, não posso ir de bicicleta - porque aqui no deserto da margem sul o transporte público é pouco, mau e caro. E aqui o motivo não é o excesso de trânsito, como MC quer fazer crer para Lisboa. é mesmo má gestão. Haverá outro motivo?
De qualquer maneira, esses comentadores acham piada a esta discussão, continuam a utilizar e a abusar da utilização e estacionamento indevido do carro, e vão sempre clamando por mais e mais e mais vias de comunicação (auto-estradas) para os seus automóveis. De certeza que nenhum deles está envolvido no processo de finalização da CRIL, pois esses estão em vias de perder suas casas. Pretendem deitar casas abaixo para construir mais estradas. Porreiro, pá! O que acham Martinus e Strider disto? Quando lhes deitarem a casa abaixo para construir a mui importante super-auto-estrada que vai ligar Alguidares-de-Baixo a Alguidares-de-Cima na incrível extensão de 6 Km vão achar porreiro? É que para fazer isto é preciso dinheiro. É por falta de dinheiro (argumento dos doutores de papel que desgovernam esta Nação) que hospitais fecham, que centros de saúde fecham, que maternidades fecham, que escolas primárias fecham, fecham, fecham, fecham,... É o desenvolvimento sustentado! E alguém afirmou que a auto-estrada desenvolveu a sua terra do interior! Desenvolveu em que sentido? No êxodo da respectiva população para as cidades do litoral? No encerramento da unidade de saúde? No encerramento de alguma escola primária? Se calhar isso agora não faz falta, sempre há a auto-estrada para nos deslocarmos ao hospital mais próximo!
Enfim, lá passei da bicicleta na cidade para as auto-estradas. Que, além de custarem uma fortuna ao Erário Público, ainda são taxadas. Isto é, pagamos para serem construídas e depois temos de pagá-las para as utilizarmos. Isto sim, é progresso! Por isso é que milhares de camiões utilizam diariamente a N10 no percurso entre o Porto Alto e a Marateca, local onde costumo pedalar. E na N4, entre o Montijo e Pegões. Porque razão não circulam pela auto-estrada? Deve ser por causa da mobilidade! E a N1? Quando me desloco ao Porto de carro (confesso, às vezes faço isso) vejo a maioria fazer o que eu faço: entram na A1 em Vila Franca, e saem em Aveiras para depois seguir para Norte. Porque será que o fazem?
Sei que sou um privilegiado. Tenho bicicleta! E não tenho qualquer deficiência que me impeça de pedalar. Estou cada vez mais perto dos sessenta, mas ainda vou tendo forças para pedalar. E sei (todos os Domingos o confirmo) que há muita gente que tem força para fazer o que faço, até melhor. Mesmo automobilistas. Mas a preguiça aperta durante a semana. E em certas situações é mais rápido e cómodo (é a tua palavra favorita, Strider?) circular de bicicleta que de carro ou de transporte público. Principalmente na cidade. Falo por experiência própria. As bichas, o pára-arranca, procurar estacionamento, evitar a multa, os pequenos toques, as horas mal consumidas, a ansiedade, a raiva e a frustração acumuladas, que fazem com que alguns automobilistas sejam pouco respeitadores dos outros, principalmente de quem, utilizando um veículo de tracção animal, ousa ultrapassá-lo...
Último reparo: tenho notado que há menos carros a circular em Lisboa entre os dias 10 e 25 de cada mês. Será que são os dias mais cómodos para andar de transportes públicos?
Boas pedaladas.
De Strider a 14 de Maio de 2008 às 12:54
Confesso que ao fim de ler 2 paragrafos deste comentário (que só li pq vi lá o meu nick mencionado)...perdi-me! Tanta coisa...o melhor mesmo é como já disse...imigre!
De Anónimo a 15 de Maio de 2008 às 00:55
Strider você não possui é capacidade intelectual para encaixar críticas inteligentes... por isso mais vale mesmo não lêr para não ficar com uma dor de cabeça. Viva o petróleo a 125dólares o barril e os nossos combustíveis a 1,4, assim com o ISP e tansos como a maior parte dos automobilistas dependentes do carro teremos dinheiro de impostos para construir ciclovias e apostar nos transportes públicos.
De Strider a 15 de Maio de 2008 às 19:48
Portanto "Capacidade intelectual" é dizer " em certas situações é mais rápido e cómodo (é a tua palavra favorita, Strider?)".....

"Capacidade intelectual" será também dizer "tansos como a maior parte dos automobilistas"

....não me parece, "Anónimo"
De Martunis a 6 de Junho de 2008 às 15:36
Ex.mos Senhores e Senhora,

Fiquei agradavelmente surpreendido com as reacções ao meu post.
A visão que lá expus foi deliberadamente provocatória e com o intuito de deflagrar alguma discussão num tópico que me pareceu estar desenvolvido de uma forma perigosamente unidimensional.

Permitam-me agora fazer alguns comentários e esclarecer alguns pontos:

Ao contrário do que os leitores e autores do blog poderão ter ficado a pensar, eu concordo inteiramente com os fins a que se propõem. Considero-os cheios de boas intenções.

Contudo, não pude deixar de reparar na forma simplista, ainda que não tanto como o meu jocoso primeiro post, como apoiam medidas que, apesar de terem objectivos recomendáveis, poderão acarretar injustiças de facto para muitas pessoas.

Como não me considero capacitado para falar sobre todas as situações específicas dos moradores de Lisboa limitar-me-ei a falar sobre a minha, agora com toda a seriedade e honestidade:

Sou um jovem de 28 anos que comprou, há um ano, uma fracção pequena num apartamento velho de uma zona central mas urbanisticamente degradada de Lisboa.
Nos preparativos da compra fui informado, após uma questão colocada por mim, que naquele prédio, tal como em todos os prédios do bairro, não havia estacionamento mas, garantiram-me, havia espaço na rua para estacionar o meu carro.
Se a minha família fosse de Lisboa eu nem precisaria de ter carro, mas como todos os meus parentes residem numa zona do interior, longe da cidade e sem qualquer tipo de transporte público, eu preciso do carro para os visitar nas férias e fins de semana.
O meu trabalho dista 4,5 km da minha residência pelo que, após alguns raciocínios rápidos e cálculo de percursos decidi ir e voltar a pé. Só apanho autocarro quando há temporal ou está tanto calor que corro o risco de desfalecer numa das íngremes subidas das várias colinas que tenho de ultrapassar (já para não falar na ameaça odorífera que tal implica para os meus colegas de trabalho…).
Nunca fui de carro para o meu trabalho.

No entanto, segundo os vossos critérios, não deixo de me sentir um pouco como um fora da lei. Todos os dias da semana o meu carro fica estacionado, na minha rua, 2 rodas no passeio, 2 no asfalto.
Têm toda a razão, não é correcto.
Mas tenho de perguntar:
É justo eu ser multado? Ninguém me informou, quando comprei a minha casa, que o estacionamento na rua era um problema grave em Lisboa e que seria ilegal.
Metade da minha remuneração mensal vai para o pagamento da prestação da casa (a minha carripana comprei-a em segunda mão com quase 10 anos de antiguidade). A outra metade desaparece em grande parte com despesas luxuosas tais como comida, água, luz e condomínio. Não estou a ver como poderia pagar o aluguer de um estacionamento, numa zona central da cidade, a não ser que a minha remuneração, de repente, passe a ter aumentos percentualmente superiores aos do petróleo nas últimas semanas.
Mesmo assim o meu caso não é o mais grave. Eu só preciso do carro para passear e sou um morador recente em Lisboa.
Mas como informariam os meus vizinhos, que moram há dezenas de anos no bairro, de que vão ter de passar a pagar estacionamento para o carro quando a maioria, por um lado, está a sofrer aumentos significativos na renda das casas e tem parcos rendimentos para os suportar e, por outro lado, não pode vender o carro porque precisa dele para se deslocar. Infelizmente a maior parte das pessoas que conheço, com idade superior a 50 anos, teria dificuldade em andar 9 km por dia, ou subir de bicicleta ruas inclinadas e infestadas de automobilistas muito pouco respeitadores do outro.
Os transportes públicos da cidade, como sabem, ainda deixam muito a desejar pelo que, num grande número de casos, estes não são uma alternativa viável.
Face a esta situação fico-me com uma última pergunta: Que posso fazer, querida Revista Maria?

(continua...)

C
De António C. a 9 de Junho de 2008 às 14:27
"Se a minha família fosse de Lisboa eu nem precisaria de ter carro, mas como todos os meus parentes residem numa zona do interior, longe da cidade e sem qualquer tipo de transporte público, eu preciso do carro para os visitar nas férias e fins de semana."
(...)
"Que posso fazer, querida Revista Maria?"

Se já usa tão pouco o seu carro já pensou que em vez de o ter se calhar até lhe saia mais barato alugar?

Hoje em dia já há aluguer low cost de automóveis desde 7 ou 8 Euros por dia, ou mesmo 1 (se for um Smart)...

Poupava no seguro anual, no desgaste do carro, nas inspecções, lavagens, pneus, etc... para além disso sempre ia visitar a sua familia num carro novo em vez da carripana e fazia um vistão.

Bem vindo ao blog, seja para ler, para provocar, ou para gerar discussão. E ainda em relação ao parque do seu automóvel. Queria mesmo que quem lhe vendeu a casa dissesse de ante-mão que não havia lugar? e já pensou estacionar mais longe num sitio onde não incomode ninguém...

Sei lá, use a cabeça, soluções não faltam!
De Martunis a 6 de Junho de 2008 às 15:40
(Continuação)

Caro António C, gostei da forma desportiva como respondeu ao meu 1º post, apesar de este ter partes quase insultuosas. Peço que me perdoem o possível mau gosto da brincadeira.
Caro MC, acredito que é uma pessoa com uma instrução elevada e de qualidade e que, para além disso, tem, como já disse, muito boas intenções mas, tenho de lhe dizer, com todo o respeito, não se torne vítima de uma visão simplista como aquela que, correctamente, me acusou de ter no meu 1º post. Tenho tido disciplinas de economia no ensino secundário, no curso de licenciatura e no mestrado e, sem querer competir consigo nesta matéria, a verdade é que, até ao presente momento, não me lembro de alguma vez ter ouvido que a Economia fosse uma ciência exacta nem que tivesse a resposta perfeita para todos os problemas económicos e, muito menos, sociais.

Por favor peço-vos, tentem ter o conhecimento o mais abrangente possível sobre a realidade de que falam para evitar a perigosa unidimensionalidade que caracteriza mentecaptos como o estimado Anti MC e Anti Emel/Strider ou de tias ricas e absolutamente incapazes ver outra coisa que não o próprio umbigo, como a senhora Anabela. Efectivamente os extremos tocam-se mas acredito (espero…) que a maioria da população de Lisboa é constituída por pessoas de bem que não tem prazer nenhum em contribuir para a diminuição da qualidade de vida na cidade mas que, por outro lado, não possui, em muitos casos, as condições económicas e sociais para, por si só, suportar os custos das mudanças, que são efectivamente necessária, que os senhores propõem.

Para aqueles que conseguiram ler o meu discurso até este ponto, e ainda não faleceram de velhice, me despeço com uma alegre saudação e o desejo sincero de que este blog continue a contribuir, de uma forma cada vez mais profunda e justa, para a discussão de propostas de melhoria da qualidade de vida nesta nossa maltratada cidade de Lisboa.

Tento sempre não me esquecer de me lembrar, antes de abrir a boca, pegar na caneta ou usar o teclado, que a arrogância é filha da ignorância e mãe da injustiça.


Martunis

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