Quinta-feira, 8 de Maio de 2008

A ver passar comboios II

Em Portugal há uma estranha repugnância por existir comboio dentro da cidade. Parece que quanto mais longe do centro melhor. Em Lisboa e durante décadas a estação principal era a do Rossio - ainda hoje o edifício diz Estação Central - bem no centro. A honra coube mais tarde a Santa Apolónia (menos central) e de há 10 anos para cá domina a Estação do Oriente, que praticamente nem está integrada no tecido urbano da cidade! Ainda recentemente foi defendido que a estação do TGV deveria ser fora de Lisboa!!
No Porto São Bento ainda se vai aguentando, mas só em Campanhã é que se pode apanhar os InterCidades e Alfas.
E o que se passa em cidades europeias do mesmo tamanho? Barcelona, Nápoles, Varsóvia, Viena, Hamburgo,  Sevilha? Bem dentro da cidade. Praga, Amesterdão, Copenhaga, Estocolmo, Bruxelas, Munique, Colónia, Glasgow? Em poucos minutos chega-se ao centro histórico a pé.

Esta alergia ao comboio no centro só é compreensível por vir de gente que só sabe andar no seu popó. Gente que não percebe que "é fácil lá chegar em 20 minutos de metro" não é assim tão fácil, porque é mais uma espera, mais um horário a fixar e a conjugar, mais uma mudança, mais um bilhete. Basta entrar no InterCidades Lisboa-Porto para ver que é nas cidades onde a estação é mais central, que há mais passageiros. Em Santarém não se vê ninguém, no apeadeiro que é suposto servir Leiria (que também é bem "fácil" de alcançar) menos ainda.

É impressionante pensar que há mais de um século houve fundos para levar o comboio ao Rossio, e hoje que o país é mil vezes mais rico, só há fundos para levar o automóvel para o centro.. o comboio que se amanhe. E assim se mata o comboio.

A ver passar comboios I

Post recomendado: Poluição Atmosférica e Saúde Pública no Cidadania LX , sobre a infidável lista de doenças provocadas pela poluição atmosférica, especialmente nas crianças.
publicado por MC às 09:26
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6 comentários:
De Hugo Jorge a 8 de Maio de 2008 às 10:56
esta semana voltei a fazer alguns percursos do meu dia a dia utilizando os transportes públicos: metro de lisboa. fiquei super satisfeito com a comodidade, rapidez e tranquilidade. posso ir entretido a ler um jornal desde a pontinha até aos restauradores. de carro estaria no pára arranca e irritar-me-ia muito mais. quanto ao tempo, é mais rápido de metro: apenas 15 minutos.
De Anónimo a 8 de Maio de 2008 às 12:10
A aposta no combóio é a mais económica e a mais amiga do ambiente e qualidade de vida na cidade, mas é a que menos dinheiro vai movimentar - dados os interesses instalados na cidade e a cedência á especulação imibiliária não teremos a aposta no combóio.
De Osvaldo Lucas a 8 de Maio de 2008 às 18:50
Se leiria e Santarém estão às moscas significa que tudo quanto é estação mais pequena estará presumivelmente na mesma situação (para os regionais). Logo temos de acabar com o serviço público de fazer parar um comboio para entrar uma ou duas pessoas nas "parvalheiras" e, porque não, nas cidades onde tal se justifique.
Porquê? Para não haver necessidade de um TGV Lisboa-Porto! Muitas vezes ouço que a linha do Norte está sem hipóteses de expansão...(ou seja não se podem por mais comboios a circular) duvido! Basta retirar muitos regionais e eliminar algumas paragens dos Alfas.

Quanto ao TGV a parar no novo aeroporto, é a solução óbvia!! Qual é a vantagem, em termos de tempo e de "poupança" se dali partirão shuttles ferroviários para Lisboa? Só o dinheiro que se popupará na nova estação, na diminuição das especificações técnicas da ponte Chelas/Barreiro, de expropriações, de construção da linha em si, etc, deve dar para fazer o aeroporto :)
De MC a 8 de Maio de 2008 às 19:27
Onde é que isso já vai...
"Leiria" e Santarém estão às moscas porque a estação é longa da cidade. Aveiro, Coimbra, e Espinho, etc.. têm muito mais passageiros.

E tal como nas auto-estradas.. se a nossa solução (de manter o comboio bem longe) é tão melhor, há que convencer os outros países europeus a imitar-nos, porque eles andam a enganar-se
De Luis Correia a 6 de Agosto de 2008 às 17:42
Boa tarde,

Outro mau exemplo é a localização prevista para a futura estação de alta velocidade de Aveiro a cerca de 20 km(!), mais concretamente perto do Nó IP1/IP5 e da Área de Serviço de Antuã. Uma das potencialidades que a Rave subscreve para este local é "potencia(r) uma área maior área de desenvolvimento urbano na zona envolvente". Esta decisão é a pior possível em termos de ordenamento. Basta lembrar que num raio de 3km em torno do centro de Aveiro vivem 100 mil habitantes.

A documentação encontra-se disponível em:

http://www.rave.pt/LinkClick.aspx?fileticket=%2fuPHhLn5Jzw%3d&tabid=180&mid=1326&forcedownload=true
De MC a 17 de Agosto de 2008 às 20:52
Incrível!!
Que argumentação absurda.

Aveiro é um exemplo contrário a Santarém e Leiria. O tamanho da cidade é semelhante, mas há imensa gente a entrar e a sair na estação de Aveiro.... que se localiza bem dentro da cidade

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