Domingo, 20 de Abril de 2008

Lisboa, cidade do automóvel segundo a Carris

O presidente da Carris veio fazer várias acusações aos decisores políticos de Lisboa. E não foi brando nas palavras... Lisboa "está a pagar o preço da incapacidade e da sucessão gigantesca de asneiras" perpetradas por "executivos de todas as cores ao longo dos últimos 30 anos". "O congestionamento automóvel permanente penaliza gravemente a qualidade de vida e a competitividade da cidade"

1. O poder de decisão está dividido por 1001 capelinhas, cada uma preocupada com o seu quintal.
2. A CML deve deixar de planear a cidade para o automóvel.
3. Limitar e tornar mais caro o trãnsito automóvel, e fiscalizar o seu estacionamento é algo que a CML deveria fazer de imediato mas não faz. "O estacionamento não pode continuar a ser feito da forma que o fazemos em Lisboa, sem regras claras e sem uma política rigorosa".
4. Diminuir estacionamento disponível: "Aumentar o espaço de estacionamento na cidade é andar ao contrário do que deve ser feito. É relativamente fácil gerir esta variável e, se na AML não a gerimos adequadamente, então na cidade não a gerimos de todo: é só ver as segundas filas, os passeios cheios de carros, a falta de fiscalização e o sentimento de impunidade generalizado dos cidadãos". "Dizem que querem uma cidade descongestionada e depois anunciam novos parques no centro da cidade. Qual a coerência deste modelo?"
5. Aumentar faixas BUS: "Se estiver parado nos sinais e vir os autocarros a avançar, se calhar até penso mudar de meio de transporte". "A nossa frota anda uma média de 14,5 quilómetros por hora. Se nos deixassem andar a mais um quilómetro pouparíamos cinco milhões de euros por ano."
6. Tem que haver lógica de rede na Grande Lisboa em termos de transportes públicos.
7. O sistema de bilhetes tem que ser unificado. "Há 400 bilhetes diferentes na AML e até nós não sabemos qual é o título mais adequado a cada viagem. Não se pode continuar a fingir que o problema não existe só porque a reformulação do sistema comportaria um aumento das tarifas".

Nada que eu não tenha escrito por aqui... mas é sempre bom ver alguém que está realmente por dentro do assunto, a dizer exactamente o mesmo que nós. Ou será que o presidente da Carris e ex-vereador é um fundamentalista anti-automóvel perigoso?



Post recomendado: A Guerra Civil no Random Precision
publicado por MC às 22:13
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2 comentários:
De sushi lover a 22 de Abril de 2008 às 03:57
Até dói ler estas palavras! É tão óbvio, tão simples, tão obrigatório. Agora que vivo na meca dos transportes publicos (Tóquio) não posso deixar de quase chorar com as ideias atrasadas que ainda ocupam as mentes portuguesas.

Em Tóquio para se poder comprar um carro tem q se provar q se o pode estacionar.

Há cartoes magnéticos recarregaveis q servem para todas as redes (publicas ou privadas) sem ter pensar onde se compram os bilhetes e tantas confusões.

E são dezenas de linhas de metro e comboio q chegam a todos os pontos desta cidade gigantesca. Deve ser maior q de sintra a setúbal.

Como é que uma AML para os transportes n faz sentido?
De MC a 22 de Abril de 2008 às 23:03
>Em Tóquio para se poder comprar um carro tem q se provar q se o pode estacionar.

a sério?! muito bom, vou investigar. e vem mesmo a calhar para um post que eu queria escrever sobre estacionamento em lisboa, em q um presidente da junta anda obsecado em roubar passeio para estacionamento.

> Há cartoes magnéticos recarregaveis q servem para todas as redes (publicas ou privadas) sem ter pensar onde se compram os bilhetes e tantas confusões.
acho que só mesmo que nunca saiu de Lisboa é que não se apercebe do absurdo dos nossos bilhetes, e a quantidade de gente que se afasta dos transportes por causa disso. mais impressionante, é que Lisboa é mesmo uma excepção (o Porto está bem melhor nisto) em toda a Europa!

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