Sábado, 12 de Abril de 2008

Freak Show

Os circos eram em tempos passados famosos pelos seus seres estranhos, anões, gigantes, gémeos siameses, mulheres peludas, etc... que era mostrados como freak show às massas sedentas de fenómenos paranormais.
Numa versão mais moderna, a RTP mostrava hoje à hora de almoço, uma longa reportagem sobre uma velhota algures no meio de Portugal, cuja única particularidade é só ter andado uma vez de carro! E mesmo essa viagem ficou pelos 10 metros. A jornalista, atónita, tentava compreender o porquê de tamanha aberração.
Cheira-me que a nossa absurda sociedade do automóvel é que vai servir de freak show para as gerações futuras.



Post recomendado: Pensar as Cidades | Professor Costa Lobo, no Favacal

publicado por MC às 17:20
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23 comentários:
De Strider a 14 de Abril de 2008 às 13:08
Eu também estaria estupefacto se conhece-se alguem que só andou uma vez de carro na vida!

Há quem chame também a geração hippie de freaks e queimados do LSD ...se tem razão ou não já cabe a qualquer um decidir se o papel que tiveram foi ou não foi importante apesar de ter tido coisa más.
De Anónimo a 14 de Abril de 2008 às 13:26
Um Dinamarquês se visse a realidade portuguesa de cidadãos que até para irem a dois quarteirões de casa levam carro também os consideraria freaks.Mas como em portugal os Freaks dos carros são a norma, acabam por deixar de ser Freaks e passam a ser uma norma de estupidez e comodismo...
De Strider a 14 de Abril de 2008 às 16:10
Então quem anda de carro é estúpido? Ou só os que se deslocam 2 quarteirões de casa?

Seja como for é portanto uma nação de estupidos...como diz o outro quem está mal muda-se e se já se mudou digo mais: Não vejo razão para chamar nomes feios aos outros (neste caso os que usam carro), já que não está bem noutro pais...

Se seguirmos a lógica de chamar estupido a toda a gente que não faz aquilo que nós achamos que é o correcto então mais vale chamar toda a gente estupida porque é sempre fácil encontrar um defeito nos outros...
De Anónimo a 15 de Abril de 2008 às 01:46
"Seja como for é portanto uma nação de estupidos..."
Se tens dúvidas disso é porque te incluís nesse grupo mais representativo da realidade portuguesa. Por algum motivo temos: uma das capitais mais pequenas da Europa mas a maior rede de auto-estradas à sua volta: um dos melhores climas da Europa mas uma das mais baixas utilizaºões de bicicletas e da deslocação pedonal, e maior profusão de centros comerciais; uma das taxas de leitura e venda de livros mais baixa mas de ^horas a assistir a TV mais altas; alto insucesso escolar e escolas superiores medíocres; e finalmente até elegemos políticos com habilitações forjadas..... E agora digo - e o estúpido sou eu!!!!!! heinnnn!!!
De Strider a 15 de Abril de 2008 às 11:14
Penso que devias parar para pensar um segundo porque normalmente quando se consideram milhões de pessoas "estupidas" e nós como "deuses da verdade"...é porque se calhar (só talvez...um bocadinho...não sei digo eu) estás a ser radical (não admira, este blog é um fórum ideal para você)

Não há países perfeitos, todos tem coisas que não gostamos...é a vida...se não tás bem muda-te e depois de te mudar deixa de criticar os "estupidos", porque sinceramente não vejo razão para o fazeres já que encontraste um novo paraiso noutro pais e até porque não te fica bem chamar nomes as pessoas...concerteza que existem pessoas que também te poderiam chamar de estupido com algo que fizeste mal (a menos que te consideres mesmo "Deus da verdade"..nunca se sabe!)
De Anónimo a 15 de Abril de 2008 às 16:31
Definição de estúpido:
estúpido:
adj. e s. m.,
falto de inteligência, de juízo ou discernimento; (continua a usar o carro indiscriminadamente apesar da poluíção, tempo perdido no trânsito e custos provocados para si e para a sociedade);
entorpecido, insensível (insensível ao problema ambiental e de perda de qualidade de vida nas cidades, insensível ao atropelamento constante de peões continuando a conduzir sem respeito pelas regras de trânsito, em especial o limite de velocidade). Como ando na cidade nas várias qualidades - de peão, ciclista e automobilista também, posso garantir que a maioria dos automobilistas e mesmo peões qualificam-se a ser adjectivados desta forma.... Umas perguntinhas entretanto para te auto-classificares: cumpres os limites de velocidade? estacionas bem o carro e pagas o lugar que ocupas? dás passagem e repeitas os que não se deslocam na cidade de automóvel? em trajectos em hora de ponta em que demoras mais de carro do que de transporte público deixas de andar de carro? se tiveres que ir a uma distância menor que 2 km da tua casa fazer qq coisa vais de carro? modificaste a tua frequência de utilização do automóvel face ao problema das alterações climáticas e subida do preço do petróleo ou mantens os hábitos? achas que Lisboa precisa ainda de mais vias rápidas e pontes? quando foi a última vez que andaste de transporte público?

De Strider a 15 de Abril de 2008 às 17:01
1. "continua a usar o carro indiscriminadamente apesar da poluição , tempo perdido no trânsito e custos provocados para si e para a sociedade"



Se não for de carro para o trabalho, demoro 2 vezes o tempo, vou de pé (porque os transportes estão tão cheios que não consigo sentar). Os custos são mais elevados, mas compensam o tempo e paciência perdida.....e é melhor nem aprofundar o que é andar de transportes no inverno!



2. "insensível ao problema ambiental, e de perda de qualidade de vida nas cidade" - Isso é válido para quem acredita que a nossa intervenção neste planeta é a causa principal do problema ambiental deste planeta. O meu sacrifício para a sensibilidade ambiental nunca ultrapassa a do bom senso do conforto.



3. "insensível..." (em geral) não sou invisível , mas acredito num fatalismo do destino da nossa presença neste planeta.



4. Em outros dos meus "crimes" pessoais..aqui vai:

a. Em geral cumpro os limites de velocidade, mas por vezes ultrapasso (e ainda estou para encontrar quem diga que não o faça)
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1. "continua a usar o carro indiscriminadamente apesar da poluição , tempo perdido no trânsito e custos provocados para si e para a sociedade"
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<BR>Se não for de carro para o trabalho, demoro 2 vezes o tempo, vou de pé (porque os transportes estão tão cheios que não consigo sentar). Os custos são mais elevados, mas compensam o tempo e paciência perdida.....e é melhor nem aprofundar o que é andar de transportes no inverno!
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<BR>2. "insensível ao problema ambiental, e de perda de qualidade de vida nas cidade" - Isso é válido para quem acredita que a nossa intervenção neste planeta é a causa principal do problema ambiental deste planeta. O meu sacrifício para a sensibilidade ambiental nunca ultrapassa a do bom senso do conforto.
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<BR>3. "insensível..." (em geral) não sou invisível , mas acredito num fatalismo do destino da nossa presença neste planeta.
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<BR>4. Em outros dos meus "crimes" pessoais..aqui vai:
<BR>a. Em geral cumpro os limites de velocidade, mas por vezes ultrapasso (e ainda estou para encontrar quem diga que não o faça)
<BR <a="" name="incorrect" class="incorrect">b . Se achar que posso não pago o lugar, se o risco for demasiado grande procuro estacionar correctamente e pago.
<BR>c. Sim, dou passagem aos peões
<BR>d. Se o trajecto de transporte publico e o conforto for adequado prefiro sempre do que ir de carro.
<BR>e. Já me desloquei de carro para trajectos de menos de 2 km...confesso sou preguiçoso ..prenda-me senhor guarda :-)
<BR <a="" name="incorrect" class="incorrect">f . "modificaste a tua frequência de utilização do automóvel face ao problema das alterações climáticas e subida do preço do petróleo ou manténs os hábitos". Não. A minha posição acerca do aquecimento global acho que já ficou claro anteriormente .
<BR>g. "achas que Lisboa precisa ainda de mais vias rápidas e pontes". Não sei, o que quero mesmo é uma solução para me poder deslocar do ponto A ao B o mais rapidamente possível sem perder de conta o conforto...muito importante.
<BR <a="" name="incorrect" class="incorrect">h . Desde que regressei a Portugal há 3 anos) os 2 primeiros desloquei-me de transporte para o trabalho, depois fartei-me e agora venho de carro.
<BR>
<BR>Agora um auto-teste para si. Escreva num pedaço de papel quantos "crimes" (leia-se riscos que toma conscientemente para alcançar beneficio proprio ou melhora do seu estar/animo)...se conseguir menos de 10, se calhar é melhor re-avaliar a sua postura....
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De Anónimo a 16 de Abril de 2008 às 10:19
"Agora um auto-teste para si. Escreva num pedaço de papel quantos "crimes" (leia-se riscos que toma conscientemente para alcançar beneficio proprio ou melhora do seu estar/animo)..."
Já escrevi!! Só aparece um no papel - andar de bicicleta e a pé numa cidade cheia de condutores estúpidos e que acham que o código da estrada não se aplica a eles. O meu estilo de vida é o oposto do seu, porque eu optei por um modo de vida menos individualista e materealista. Desloco-me cada vez mais sem ser de automóvel e isso trás-me a mim e á sociedade diversas vantagens - demoro mais mas passei a sair mais cedo (não faz mal a ninguém); tenho mais uns 40 euros por mês no bolso por não os gastar em gasolina (quer dizer metade em gasolina e metade em impostos sobre a gasolina); contribuo para melhorar a qualidade do ar na minha cidade e isso dá-me uma grande satisfação; faço revisões ao carro de 3 em 3 anos e tenho o carro novinho para as esporádicas utilizações que sou obrigado a fazer com ele; cruzo-me com pessoas na rua e interajo com elas sem ser agarrado a uma buzina ou rodeado de vidro e lataria, as deslocações passaram a ser agradáveis e uma experiência em si mesma. Andar de carro é como ver o mundo pela televisão sentado no sofá - andar a pé e de bicicleta é interagir com o mundo que nos rodeia.... Não seja quadrado experimente!!! Ah outra coisa que ajuda imenso a quebrar as regras que a economia de mercado nos obriga a seguir é não vêr televisão nem estar tão exposto a publicidade - fiz isso e passei a encarar os automóveis da mesma forma que encaro o frigorifico na cozinha ou o aspirador de casa - deixou de ser algo que associo ao meu sucesso pessoal, deixou de ser usado pela sua simbologia ou para impressionar os outros, e com o que poupo com essa visão uso para viajar cada vez mais para o estrangeiro (sempre que tenho férias) e só não fico por lá porque os países qie costumo visitar conhecem as fragilidades do sistema de ensino português por isso um trabalhador português parte em desvantagem perante um nacional desses países.
E por último como você referiu que quando chove não vale a pena andar de transportes públicos, parece-me que o congestionamento na estrada é ainda pior - da última vez que cometi esses erro reparei que os peões andavam mais depressa que os automóveis, parados em fila cada qual com apenas uma pessoa no seu interior (o condutor) - se cada pessoa que entra dos subúrbios em Lisboa para trabalhar vier de carro gostava de lhe perguntar onde irá arranjar espaço para tanta lataria?
De Strider a 16 de Abril de 2008 às 13:29
1. Materialista não liga ao dinheiro quem tem ou deixa de ter. Portanto se é materialista porque se preocupa em ter mais 40 euros no final do mês?!

2. Como indiquei no meu comentário já experimentei. Morei e trabalhei 2 anos em Bruxelas e depois em Amesterdão e lá não tinha carro e portanto sempre me desloquei de transportes. Lá tinha condições. Morava perto dos transportes, demorava 25 minutos a chegar ao emprego e ia sentado.
Como disse, no primeiro ano que regressei cá fui e vim de transportes para o trabalho.

Sou também praticante de BTT à vários anos que é um desporto que adoro.

E mesmo assim vou (agora) de carro para Lisboa pelas razões que enunciei por me ter fartado das faltas de condição dos transportes públicos no acesso ao meu emprego (e não só).

Como também disse, no dia em que tiver uma oferta de transportes publico eficiente e confortável mudo novamente. Até lá não vou deixar de levar o carro.
Isto é aliás o que ando a dizer há vários comentários atrás. Deixar de construir estradas enquanto não melhorarem as alternativas de transporte colectivo, não obrigado. Senão nem de carro, nem de transportes públicos vou. Começo a trabalhar de casa....

3. Três pontos para terminar:

a. Já tinha discutido este ponto: Chamar Lataria " a um carro não faz sentido para mim, porque estando dentro de um autocarro ou comboio também é estar enlatado e MUITO mais em hora de ponta!

b . Nos dias de chuva sim o transito é grande, mas pelos menos posso desviar-me para outro trajecto. Agora, se há coisa que mais me irritava quando andava de transportes públicos (e aconteceu vezes suficiente para perder a paciência ) era ou o Metro/Comboio parava porque alguém se suicidou ou houve avaria ou ameaça de bomba ou era greve!....

Por isso não tenho grande saudade do carro. E aliás como bem disse para evitar o transito faço o mesmo saio mais cedo de casa o que me permite depois vir mais cedo também (antes da hora de ponta). 30 minutos em vez de 1h10 de trajecto.

c. Só para que fique claro, não tenho nada contra quem vai de transporte. Força. Agora não desvirtuem a verdade de que o transporte publico é uma alternativa sem defeitos porque é não é verdade.
De MC a 16 de Abril de 2008 às 17:07
Como desta vez houve uma contribuição digna desse nome para o debate, cá vai a minha resposta.

2. Um exemplo serve apenas como um exemplo. O que não faltará são contra-exemplos. (Atenção, não estou a dizer que em média não terás razão). E fico contente por saber que até andarias de transportes se pudesses.

Contudo já aqui dei exemplos de pessoas que insistem no automóvel tendo excelentes alternativas em transporte público ou a pé, porque em Portugal (ou melhor especialmente cá) o andar de carro é altamente valorizado, por mais absurdo que seja numa dada situação. E isto é inquestionável. Pessoas que vão literalmente ao fundo da rua de carro, porque sim. Pessoas que põem as despesas do automóvel acima da alimentação, habitação, etc... E o que não falta são estrangeiros a comentar esta paixão absurda. E é este comportamento que eu crítico em termos da sociedade. O problema é que a maluqueira de uns, tem custos altíssimos sobre os outros. E isto é a uma questão central. Ou seja, são decisões pessoais que em parte causam todo o problema.

Depois há mais dois problemas, e estes, dou-te razão: não dependem de nós como indivíduos, mas de todos como grupo, ou dos políticos se quiseres. Mas são muito difíceis de alterar porque a sociedade não os valoriza.
- pouca aposta nos transportes (uma boa gestão em termos de bilhetes, horários e rede já teria excelentes impactos, não seria preciso mt mais dinheiro)
- o automóvel atrapalha os transportes. O que acontece nos dias de chuva prova isto. Há mais automóveis, e os transportes funcionam pior, logo o automóvel tem que ser penalizado com portagens e parquímetros. E isto teria um efeito semelhante ou melhor ainda que pôr mais autocarros.

3.b Mais uma vez, os danos que quem anda de carro inflige em quem anda de transportes, são bem maiores que essas avarias esporádicas.

Resumindo: tens razão, os transportes não são excelentes, mas em grande parte por culpa de quem insiste no carro cegamente.
De Strider a 17 de Abril de 2008 às 11:44
Obrigado pela resposta justa e equilibrada do problema.
De Iskander a 17 de Abril de 2008 às 11:47
Desculpe, mas não resisto... Eis outro erro, cada vez mais comum, que consiste em confundir "há" (do verbo haver) com a preposição "à":
"Sou também praticante de BTT à vários anos que é um desporto que adoro."
Devia ter escrito:
"Sou também praticante de BTT há vários anos (...)"
De Strider a 17 de Abril de 2008 às 11:53
Oopppps. Tem razão. Meti gafe, por acaso até customo estar atento a esse tipo de erro, desta escapou-me.
De Anónimo a 17 de Abril de 2008 às 15:14
Strider, você ainda não respondeu à questão que lhe fiz - se cada pessoa que vive fora de lisboa e trabalha cá vier sentadinha no seu Pópo ou Bomba ou Símbolo de Status ou lá o que você lhe quiser chamar, onde arranjará lugar para tanto carrito. E como escoará esse fluxo de automóveis - vamos têr ainda mais vias rápidas? túneis? vamos encerrar a cidade à circulação pedonal? vamos passar a só ter centros comerciais para onde se vai de carro? e que tal cidades à americana em que há até missas Drive-In!!! Não usa os transportes públicos por falta de lugar sentado??? Você tem 90 anos? é deficiente motor? Em Amsterdão anda-se de bicicleta com temperaturas baixíssimas e com chuva, e sabe porquê, porque o custo de andar de automóvel lá reflecte os custos reais directos e indirectos dessa mesma utilização - já incorri no erro de tentar lá andar de automóvel e o custo do estacionamento era quase o mesmo do quarto de Hotel..... Deixe de ser comodista e apoie a utilização do transporte colectivo utilizando-o no dia a dia, pressionando assim as entidades competentes a lhe proporcionarem melhores condições. Não espere que o estado o incentive a isso por si mesmo, o movimento para mudar esta nossa triste realidade tem que começar nos utentes e estes têm que ser cada vez mais como forma de pressão - o estado e as empresas privadas arrecadam mais receita com a deslocação em automóvel (através de IVA, IUC, Instpecções, Revisões, Seguros, etc), por isso é que não há uma aposta no transporte colectivo.
Você próprio o disse, o seu bem estar no momento actual é mais importante que as consequências das suas acções para as gerações vindouras. As alterações climáticas que sentimos neste momento foram o resultado das acções das gerações passadas, por isso não espere que venha chuva ácida no dia a seguir a andar de carro para mudar o seu comportamento, pode já ser tarde de mais....
De Strider a 18 de Abril de 2008 às 12:26
Anónimo,

1. Se amanhã cada pessoa que vem para Lisboa viesse de carro, seria o caos! Tal como se toda a gente amanhã viesse de transportes públicos era o caos! Se calhar o problema não está no meio do transporte mas sim na organização das cidades ou então somos simplesmente demasiadas pessoas neste planeta!

Como é que se resolveria o problema do escoamento das pessoas nos transportes públicos quando estes atingirem o seu limite...não sei bem...

2. "Você tem 90 anos?" Não. "é deficiente motor?" Não. Mas, sou humano e desde que há memória, este ser procura algo chamado o "conforto". Não ando descalço, se posso andar calçado. Não deixo de comprar um para-chuva sabendo que amanhã se vai partir durante uma chuvada o que me vai obrigar a comprar outro (que circulo vicioso :-))

Se posso ir sentado, não vou de pé. Nem vou ensardinhentado " (acho que acabei de inventar uma nova palavra - ir empacotado que nem sardinha ) num comboio, metro ou autocarro.

Esse conforto tem um limite e isso faz com que tomemos certas decisões todos os dias. Não esqueço que cada uma dessas decisões tem consequências e que afecta terceiros. É verdade. Mas há que usar o bom senso.

Amanhã não vou deixar de comer carne, só porque sei que como a forma como os animais são abatidos nos matadouros é simplesmente cruel.
Amanhã não vou começar apenas a comer comida vegetariana porque:

a) Um tema crescente acerca de uma alimentação estritamente vegetariana não é saudável para nós e

b) Nem quero imaginar o que aconteceria se amanhã toda a gente virava vegetariano...imagem as consequências ...já que a necessidade de aumento da produção desses alimentos teria necessariamente consequências trágicas no nosso ambiente natural (i.e. aumento de uso de pesticidas diria), etc.
Um bom exemplo disso é os bio combustíveis.

Durante anos o mero mortal foi lendo nos media que era o futuro das nossas necessidades energéticas, hoje já se sabe que afinal a consequência do aumento da produção deste, para fazer face à procura, teria consequências graves.

3. Também vivi em Amesterdão . Aquela cidade é de facto espantosa. Seja para onde quisesse ir, ia a pé o de tram . Não cheguei a comprar um bicicleta mas andei lá. Descobri o perigo que é. :-)

Lisboa não é Amesterdão . Amesterdão teve desde cedo que lidar com o problema da deslocação de pessoas num espaço finito. As gerações que nasceram a partir daí nem pensam em usar carro, não faz sentido. Talvez um dia aconteça o mesmo em Lisboa.

3. "apoie a utilização do transporte colectivo utilizando-o no dia a dia, pressionando assim as entidades competentes a lhe proporcionarem melhores condições"...bem, se o Estado ainda não percebeu que a nossa rede de transportes já (hoje) se encontra no limite do esgotamento...não vai fazer grande diferença, acrescentar mais uma sardinha ao comboio :-)

4. "As alterações climáticas que sentimos neste momento foram o resultado das acções das gerações passadas"... uiiii ...este é outro tema que não se enquadra neste tópico :-)

Quem já conhece os meus posts aqui já tem uma ideia das minhas convicções acerca das origens do aquecimento global :-)
De MC a 18 de Abril de 2008 às 13:44
"1. Se amanhã cada pessoa que vem para Lisboa viesse de carro, seria o caos! Tal como se toda a gente amanhã viesse de transportes públicos era o caos!"

Aí é que está. Os dois extremos não são comparáveis. Se amanhã todos viessem de transportes talvez houvesse caos, mas só nos comboios. E numa semana seria possível ter toda a gente a andar de transportes em Lisboa (não estou a defender isso, atenção). Porque os autocarros não causam congestionamento. Há uns anos lembro-me de ver um director da Carris dizer que tinham feito um estudo, onde se concluia que se toda a gente no concelho de Lisboa andasse de autocarro, que a frota da Carris seria suficiente e os autocarros andariam a metade da ocupação. O principal problema dos transportes não é a falta de oferta, o problema é o trânsito automóvel que obriga os autocarros a fazer velocidades médias estupidamente baixas. Sem carros não haveria congestionamento, sem congestionamento os autocarros andariam ao dobro ou triplo da velocidade, logo com o mesmo número de autocarros haveria o dobro da frequência.
Assim a rede de transportes não está esgotada, apenas não pode funcionar por algumas decisões - que se teima em ver como "pessoais". Tocar bateria às 3h da manhã é uma escolha pessoal?...

"b) Nem quero imaginar o que aconteceria se amanhã toda a gente virava vegetariano...imagem as consequências ...já que a necessidade de aumento da produção desses alimentos teria necessariamente consequências trágicas no nosso ambiente natural (i.e. aumento de uso de pesticidas diria), etc. "

Nunca tinha reparado nas semelhanças, mas mais uma vez este extremo (atenção, não o estou a defender) não causa problemas nenhuns ao contrário do que afirmas. Os recursos para alimentar um vegetariano são 10 vezes menores do que um omnívoro, porque para fazer 1kg de carne, gastaste litros de águas e vários quilos de cereais. Ou seja se todos fossem vegetarianos, haveria uma poupança brutal em termos de pesticidas.
De Strider a 18 de Abril de 2008 às 16:21
1. Tenho sérias dúvidas sobre essa afirmação da Carris. Já apanhei autocarros da Carris em Lisboa apinhados e quando andei na faculdade e apanhava o suburbano " 117 (ou 106 da LT de Caxias até Barcarena..já lá vai o tempo)...tinha a sorte de o apanhar no seu "terminal", porque nas paragens mais para o fim (e pior quando se aproximava do Cacém) já iam pessoas no corredor agarradas pela vida ao pedaço de plástico no tecto ou apoiadas na cadeira.

Mas o que me preocupa mesmo seria o Comboio e o Metro...como disse.

2. Como ainda não chegamos a essa realidade do preponderância da alimentação "Vegetariana" é complicado prever o que aconteceria. Pela minha intuição, continuo a pensar que haveria impactos não calculados. Nem que seja a que mencionei. Existem hoje vegetarianos que por desconhecer como se devem suplementar, acabam malnutridos ...e isso parece ser uma tendência perigosa, porque raramente se vê este ponto discutido.

Outro tema que me interessa e também vejo pouco discutido é a do impacto ambiental do ciclo de vida por exemplo de equipamentos de captação/armazenamento/aproveitamento solar (i.e. painéis fotovoltaícos ) num ambiente de produções de escala. Impacto ambientais da extracção /exploração dos materiais, da produção do equipamento e depois da sua reciclagem (i.e. quantidade de material reutilizável , impacto ambiental de os descartar , etc. )...enfim percebo pouco do assunto, mas gostava de ver um estudo destes.

A minha irmã estuda Engenharia do Ambiente (quem diria) e é um ponto que parece não ser muito discutido...era capaz de fazer uma boa tese...se é que alguém ainda não o fez...o que duvido.
De António C. a 18 de Abril de 2008 às 13:58
Em relação ao ponto 4, as alterções climáticas não dependem de convicções de cada um. E claro que há opiniões e estudos que apontam em sentido inverso. Mas como é difícil perceber se somos nós humanos que causamos o efeito de estufa e consequentemente o sobre-aquecimento, não deveríamos então agir sob o príncipio da prudência?

Se não sabemos, é melhor não experimentar para ver se é verdade...

Mesmo assim, o argumento ambientalista é talvez o meu 5 ou 6 para não utilização de automóveis em meio urbano...

De Strider a 18 de Abril de 2008 às 16:25
Condordo com a medida preventiva.

Agora o que não goste de ouvir são comentários de pessoas que parecem rejeitar que é possível que a estratégia escolhida falhe.
De Anónimo a 19 de Abril de 2008 às 02:34
Caso ainda não se tenham apercebido o funcionamento da economia de mercado implica o crescimento constante do número de consumidores, e o crescimento das necessidades de consumo individuais de cada um até ao seu limite orçamental. Essa é a lógica actual nos chamados países desenvolvidos. Há no entanto um problema nesta lógica - a capacidade de sustentação de vida humana, seja do ponto de vista da produção alimentar, seja do ponto de vista do espaço físico ocupado pelos seres humanos e bens por eles produzidos. Até esses dois aspectos entram em conflito, ou seja quanto mais seres humanos e produção de bens menos espaço disponível para geração de alimentos. O mesmo se passa nas nossas cidades - devido a erros de planeamento urbano geramos cidades em que serviços e empregos e as habitações distam demasiado uns dos outros, o que obriga a deslocações maciças de pessoas, que por atitudes comodistas e incentivadas por toda a publicidade associada á deslocação automóvel não optam pelo transporte colectivo - como consequência temos uma cidade entupida com os transportes indivíduais, cada vez mais desertificada por falta de qualidade de vida e poluição no seu centro, sem espaço para deslocação pedonal, pejada de centros comerciais onde é fácil estacionar, mas sem vida na rua. Entra em falência o comércio tradicional, o que leva a uma ainda maior concentração nas grandes superfícies com as suas lojas indiferenciadas, cadeias de restaurantes de comida de plástico, etc, etc. O que perdemos entretanto a nível de vivência urbana? O conceito de vizinhança, as crianças a brincar na rua, a segurança dos bairros, as zonas verdes, o silêncio, etc, etc, etc.... A continuar assim ficaríamos iguais aos Estados Unidos, em que tive o desprazer de verificar uma cultura de carro-dependência extrema, com verdadeiros centros comerciais drive-in em que se pode fazer tudo sem sair do carro, e em que vi a maior concentração de pessoas obesas e tele-dependentes dos 30 países que já visitei até hoje.... Por isso é que dou graças por estarem a acabar os stocks de petróleo e pela subida dos preços desta matéria prima - hoje já vai nos 116 dólares o barril. Irá acabar em breve e esse facto irá obrigar-nos a retomar uma forma de vida mais sustentável e baseada na criação de comunidades locais e urbes compactas. A transição para outros meios de produção energética não será no entanto pacífica nem suave, nem essas formas de produção de energia sem ser por combustíveis fósseis todas combinadas produzirão a mesma energia que conseguimos produzir hoje - por isso existirá fome, desemprego, morte e guerras associadas. Esta transição exige uma mudança de hábitos das pessoas, é a essa mudança que apelo desde já..... Há que perceber o conceito de escassez e de generosidade e partilha de custos.
De Anónimo a 17 de Abril de 2008 às 11:34
Conhecesse, e não "conhece-se"... Neste caso não há lugar para qualquer conjugação reflexa, uma vez que o verbo se encontra no pretérito imperfeito do conjuntivo! Erros destes sim, deixam-se boquiaberto. Como anda a língua de Camões...
De Strider a 17 de Abril de 2008 às 12:13
Erro assumido. Afinal de contas somos humanos.

No meu caso ainda me posso desculpar por não ter estudado Português em Portugal, dado que nasci e estudei praticamente a minha vida toda no estrangeiro. E a confusão ainda é maior quando tenho que me lembrar das regras gramaticais e ortográficas de outras 2 línguas que falo e escrevo!

Mas agora com o novo acordo ortográfico se não tivermos cuidado todos nós vamos ser apanhados em erro : P
De Iskander a 17 de Abril de 2008 às 15:00
Infelizmente, tal não sucede apenas com pessoas que cresceram e estudaram fora do país, como no seu caso.
Quanto ao "novo" (des)acordo ortográfico que alguns bem pensantes de serviço e o nosso estimável governo querem a toda a força impor, sem considerar as opiniões de linguistas e filólogos, jamais deixarei de escrever o português tal como o aprendi.

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