Quinta-feira, 3 de Abril de 2008

A estrada

Aqui fica uma crónica de Paulo Ferreira no JN de ontem sobre a obsessão portuguesa pelo popó. (Texto descoberto na mailing list da Bicicletada/Massa Crítica).

Amigo de ouvido atento alerta-me para o seguinte facto, relatado por estes dias no Rádio Clube Português Lisboa é a região europeia com a maior densidade de auto-estradas e vias rápidas. Vale a pena repetir: Lisboa é, no conjunto dos 27 países da União Europeia (UE), a região com a maior densidade de auto-estradas e vias rápidas. Que orgulho para Lisboa! Que orgulho para o país!

A este singelo dado, que por si só mostra à saciedade o tipo de modelo económico seguido por Portugal nas últimas décadas, podem juntar-se outros, fornecidos pelo Eurostat, o gabinete que trata as estatísticas da UE. A Finlândia - país que, como se sabe, qualquer governante gosta de citar como bom exemplo - tem apenas 176 quilómetros de auto-estradas e vias rápidas. A Noruega conta com 173 quilómetros. Portugal já leva pouco mais de dois mil quilómetros. Finlândia e Noruega são, respectivamente, o segundo e terceiro países com o maior Produto Interno Bruto (PIB) per capita (contributo de cada cidadão para a riqueza do país) do Mundo. Mas nós, que ocupamos o 34.º posto mundial neste importante indicador, é que devemos estar certos.

Verdade que Portugal tinha, há poucas décadas, rodovias miseráveis. Verdade que as estradas ajudaram a encurtar o país. Verdade que obras como estas criam emprego (a maioria sazonal) e puxam pela economia, pelo menos durante algum tempo. Mas verdade também que a construção de estradas atafulha o país quando se esquece, como se esqueceu, a aposta na ferrovia e nos transportes públicos. Mas verdade também que muitas destas obras públicas serviram - e servem - para manter uma certa clientela. E verdade também que muitos dos milhões gastos em certos luxos asiáticos seriam mais bem empregues noutros sectores. Como aqueles em que apostaram a Finlândia e a Noruega.

A obsessão pelo alcatrão tem, contudo, correspondência nos gostos dos portugueses. Quando um país tem mais de 500 automóveis por cada mil habitantes e quando os habitantes desse país usam o automóvel para percorrer 87,5 quilómetros em cada cem, não há razão para os desiludir construam-se mais estradas
publicado por MC às 10:56
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