
1.
Onda Verde é um instrumento da gestão de tráfego que consiste em organizar os semáforos de tal maneira a que os veículos que circulam numa via num determinado sentido apanhem vários semáforos verdes consecutivamente. Assim aumenta-se várias vezes a capacidade de escoamento dessa via. Para apanhar os verdes seguidos é necessário circular a uma determinada velocidade - tipicamente de 50 a 70km/h - que por vezes está sinalizadas como na foto acima, mas na maioria das vezes não é sequer comunicada.
Na "Avenida" da República em Lisboa, existe uma onda verde não assinalada por exemplo, de manhã no sentido subúrbios-centro e vice-versa à tarde.. Ao manter-se a 60km/h por hora os veículos só apanham verdes. Sim leram bem, 60km/h! É a própria câmara que incentiva velocidades ilegais no centro da cidade.

2.
Em Copenhaga e Amesterdão existem existem ondas verdes mas de 18 ou 20km/h, obviamente a pensar nos ciclistas. Assim se incentiva a bicicleta, garantido menos esperas , menos esforço e uma velocidade média muito maior, e desincentiva o automóvel (que irá mais lento que a bicicleta).
Em Londres também estão planeadas 12 "super-cicloestradas" radiais, com 1,5m de largura (algo que em Lisboa nem os peões têm). Aqui fica o vídeo de apresentação do projecto, mais uma interessante obra da TfL.
A ver, um video dos TedTalks com Jaime Lerner, um dos responsáveis por colocar Curitiba no top das cidades em mobilidade sustentável, sobre o planeamento das cidades.
(obrigado Dário do O Comboio)
Talvez já tenham reparado que do lado esquerdo do blogue esteja um calendário chamado Bicicletas & Mobilidade Sustentável. Ele é coordenado por nós, Menos Um Carro, e pela Ana do bananalogic, Cenas a Pedal e Planeta Bicicultura.
Trata-se de um calendário Google público, o que quer dizer que pode ser adicionado ao vosso calendário pessoal do google, bastando para isso carregar na tecla "+ Google Calendário". Para quem usa outros calendários ele também pode ser adicionado através dos seus endereços XML ou ICS ou ser visto em HTML. Pode ainda ser inserido noutras páginas usando o código disponível aqui. Por enquanto está bastante vazio (na semana passada houve pelo menos 3 eventos que mereciam ter estado lá) por isso ajudem-nos a enchê-lo, contactando-nos ou a Ana.
Um evente permanente que não precisa de ser anunciado é o que nos propõe o Lisboa SOS, em AutoLisboa: exposição permanente:
Publicidade da BOSCH na TSF (sem comentários)
A nova página da PRP tem algumas informações interessantes que vale a pena referir. Tem vários simuladores que demostram problemas da sinistralidade dos quais não nos lembramos usualmente:
Há ainda um ficheiro excel a mostrar que andar a 100, 120 ou 140km/h também não é quase a mesma coisa em termos de emissões poluentes. Elas correspondem a emissões de 14,47kg, 17,47kg e 22.04kg de CO2 equivalente por cada 100km num carro a gasolina médio. Este aumento exponencial significativo acima dos 80km/h mostra porque é que reduzir a velocidade média nas auto-estradas em apenas 1km/h tem tantos benefícios ambientais.
Como mudar de casa... de bicicleta no bikesatwork.com.

Em tempos havia uma marca de roupa portuguesa chamada QuebraMar - que até tinha uma apreciável quota de mercado - marca essa que eu julgava estar morta há uma década.Há dias numa festa de anos, fiquei surpreendido por ver um presente dessa mesma marca e dei uma olhada na página. A marca existe e está de excelente saúde com uma rede de umas 40 lojas.
Agora como é alguém que viaja bastante e dá preferência às marcas portuguesas, não se apercebe de tal desenvolvimento?? A resposta é simples, eu não tenho carro e as 40 lojas estão todas nos shoppings onde se chega de automóvel. O que é mais grave, e por isso (re)conto esta história, é que isto se passa com todas as marcas portuguesas com a única excepção da Lanidor. As marcas internacionais fazem exactamente o contrário: estão dentro da cidade. Falando de Lisboa, a Baixa, o Chiado, o Saldanha, São Sebastião, Av. Liberdade, Av. Guerra Junqueiro, etc. estão completamente monopolizadas pelas marcas internacionais.
E esta diferença diz muito sobre nós. Na cabeça dos empresários portugueses, só o shopping onde se chega de carro é que é o progresso. Investir no centro da cidade é investir no passado. O que está por detrás desta deslocalização perversa do comércio explica muito da morte das zonas centrais das nossas cidades. Tornam-se desumanas, feias, pouco seguras. Perdemos qualidade de vida e turismo.
O A Nossa Terrinha tem um exemplo delicioso sobre este relativismo cultural centrado na suposta necessidade absoluta do automóvel: exactamente na mesma situação, os portugueses são aqueles que mais desprezam os transportes públicos.
Algo que eu já tinha comentado aqui.
Em Setembro último, talvez por ser um mês entalado pelo calor febril de Agosto e a cedência à demagogia do período eleitoral, surgiram algumas notícias acerca dos transportes na cidade de Lisboa e nos seus concelhos límitrofes. Até houve uma corrida entre uma bicicleta, o metropolitano e um bólide, com o vencedor natural (a bicicleta).
A então secretária de estado dos transportes quer ligar o metro até ao hospital Amadora-Sintra em 2015 porque então muito do tráfego que se faz através do IC19 deixará de se fazer; já o cacique-mor do PS, Marcos Perestrelo, também disse que era uma boa ideia o metro ligar-se ao concelho de Oeiras porque muitos dos habitantes de Oeiras que hoje têm que se deslocar para Lisboa em viatura, poderão deslocar-se de metro, com menos carros a poluir, menos carros a ocupar espaço.
Esta imagem, um pouco panfletária, acabou por aparecer:
clique na opção Ver Imagem do Firefox para ver maior
Claro que num país mais próspero, sem uma autarquia da capital à rasca para sanar as suas contas e a empresa pública do metropolitano com um passivo de 3300 milhões de euros e cerca de 240 milhões de euros de custos anuais, eu até entendia que extendessem o metro à Azambuja, a Loures e a Sintra.
Acho este plano um exagero megalómano. E pelas afirmações recolhidas parece que não há outra alternativa para reduzir o trágego automóvel. Repare-se que não questiono a pertinência das novas extensões do metro, apenas digo que parece tratar-se de outro caso de considerar-se a solução óptima e não uma solução muito mais razoável e económica.
NA sua construção, o custo por quilómetro do metropolitano é exorbitantemente alto porque ele é, como todos sabemos, subterrâneo. Estes custos são supostamente compensados pelo seu uso e, globalmente, pela conservação do tráfego à superfície, já que o espaço existente não é afectado. O que questiono é precisamente a insistência, nestas novas extensões, do metro continuar a ser subterrâneo e não de superfície; um metro com estas características, além de ser bastante menos oneroso, exige aquilo que os automóveis não gostam de ceder: o espaço que lhes foi dado e não conquistado.
Defendo por isso o metro de superfície ou a implementação de mais eléctricos porque combinam um transporte público de qualidade, eficiência e menores custos com a reivindicação do espaço que neste momento é só dos automóveis. Não vejo desvantagens nesta proposta e considero-a ser exequível. Foi pois com agrado que li a posta do Fernando Jorge no Observatório da Baixa: Lisboa nunca mais investiu neste tipo de transporte público desde a inauguração do eléctrico de nova geração entre a Praça da Figueira e Algés em 1995.
Quão frágeis são as estruturas das nossas cidades? Em termos de transportes, parece que bastaram algumas chuvadas para paralisar o Porto. Corte-se a VCI e a cidade bloqueia; ou melhor, confirmou-se que a cidade depende em primeiro lugar dos automóveis, só depois das pessoas. Como faria o leitor se amanhã não pudesse usar nenhum carro?
Depois da França ter introduzido um imposto sobre as emissões de carbono, temos mais um país a ir na direcção do aumento da taxação do uso do automóvel. A Holanda vai acabar com os impostos fixos (sobre a compra do automóvel e o imposto anual de circulação) e cobrar 6,70€ por cada 100km percorridos. Em vez de se penalizar quem tem um automóvel, passa-se a penalizar quem o usa mais. Para ter uma ideia, um carro que gaste 6l/100km de gasolina além dos 7€ que pagará de combustível por cada 100km, pagará mais 6,70€ de imposto. Quase o dobro. Um carro que gaste 12l/100km apenas passa dos 14€ para os 20,70€.
Em comparação com a solução francesa, este imposto tem a vantagem de reconhecer que os custos que o automóvel causam à sociedade (externalidades) não advêm apenas do consumo de combustível (custos ambientais) mas do uso do carro independentemente de ser muito ou pouco eficiente. Por outras palavras, um carro alimentado a energia solar e um carro que gasta 20l/100km causam exactamente o mesmo nível de problemas em termos de congestionamento, sinistralidade, necessidade de infra-estruturas, ocupação do espaço urbano, etc. e a Holanda passa a penalizar o dono do carro solar por isso. Aliás, o principal objectivo do governo Holandẽs não é a melhoria ambiental, mas a resolução do enorme problema de congestionamento que acontece em todas as auto-estradas do país.
A terrível desvantagem do sistema holandês: cada carro vai ser equipado com um GPS que contabilizará as deslocações! Obviamente que este Big Brother já está a levantar protestos. É caso para dizer, uma boa ideia mas muito mal executada. Exactamente a mesma ideia, mas sem os contornos pidescos pode ser alcançado através de um método muito simples: portagens! Pois é, os países do Sul da Europa há muito que cobram ao km... infelizmente só em algumas AEs.
N' O Canhoto, a diferença entre Portugal e Espanha em termos de investimentos ferroviários.
Para tomar conhecimento da realidade do que é viajar actualmente na carris, aqui fica (mais) uma boa reportagem da Sic. Sendo as estações de televisão muitas vezes dependente da publicidade automóvel é bom que exista um balanço com reportagens deste género.
A propósito do último Post do MC e porque uma imagem pode valer mais que muitas palavras deixo este simples Cartoon que mostra como os Carros Eléctricos não são movidos a energia Limpa!

Fonte: http://www.thedoghousediaries.com/
Já aqui alertei para o perigo dos carros eléctricos poderem provocar um aumento das emissões de CO2 devido ao paradoxo de Jevons. Este paradoxo diz-nos que quando temos um ganho de eficiência na utilização de um recurso - neste caso quantidade de energia por cada km - podemos ter uma situação onde gastamos mais desse recurso do que inicialmente. Ou seja, tendo um carro mais eficiente e mais barato por km, acabaremos por o utilizar mais., e isto pode anular totalmente os ganhos iniciais.
Lembrei-me desta tema porque esta semana surgiram notícias a alertar para o perigo dos carros eléctricos estarem sujeitos a menos regulamentação ambiental, o que poderia também levar a um aumento das emissões do CO2.
Mas voltando ao Jevons, façamos umas contas. Segundo a Visão da semana passada, um km num eléctrico é 10 vezes mais barato que num convencial, mas eu vou tomar esta estimativa mais conservadora, 3 vezes. A elasticidade do consumo de combustíveis em relação ao preço é no longo prazo de -0,9, logo esta diferença de preço implica 2,7 vezes mais km percorridos. Segundo esta estimativa a poupança de CO2 por km anda nos 30%, e por isso a mudança de um carro convencional para um eléctrico mantendo-se a situação fiscal actual, causaria um aumento das emissões de CO2 na ordem dos 90%!
Claro que são contas feitas em cima do joelho* mas elas mostram o perigo de introduzir um paradigma - que é à partida melhor - sem penalizarmos devidamente o seu uso em termos de preço.
Adenda: Kenneth Small e Erik Verhoef no The Economics of Urban Transportation fazem notar que a maior parte da variação de longo prazo do consumo de combustível advem da troca de veículos (mais eficientes se a gasolina sobe, mais SUVs se a gasolina desce), e não tanto da distância percorrida. A elasticidade face ao custo por km (mais apropriada neste caso, já que já estamos a tomar em conta com a mudança do automóvel) é geralmente de -0,3. Com este valor, a distância percorrida aumentaria 40% devido ao preço menor do carro eléctrico. Estes 40% ainda estão acima da poupança em CO2, logo ainda temos um aumento das emissões.
* Assumir uma elasticidade constante é um pouco abusivo - embora continue a haver um aumento das emissões se usarmos as estimativas mais conservadoras para a elasticidade de longo prazo. Outra questão que ignorei: o combustível não é o único custo por km mas por acaso a maioria dos automobilistas comportam-se como se fosse).
Uma excelente posta a não perder no Passeio Livre, centros históricos turísticos com ou sem carros. Quantas receitas do turismo não estaremos a perder por as nossas aldeias históricas serem assim

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